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Entrevistas
Antigo aluno UA: Luís Filipe Silva, Mestrado Integrado em Engenharia Física
“A UA permitiu o meu desenvolvimento pessoal e cientifico e fez-me sentir parte de uma sociedade global”
Luís Filipe Silva trabalha na TMG Automotive
Luís Filipe Silva, 30 anos, é antigo aluno do Mestrado Integrado em Engenharia Física, concluída em 2010. Atualmente, trabalha em Engenharia de Produto, quer no âmbito de satisfação dos requisitos do cliente quer no âmbito de investigação explorativa e de inovação, numa unidade do grupo TMG em Guimarães. A TMG Automotive reveste todas as superfícies do interior automóvel com um vasto conjunto de materiais.

O percurso profissional iniciou-se com uma bolsa de investigação da FCT na Universidade de Aveiro (UA) na área de crescimento e caracterização de cristais no âmbito do Projeto “Desenvolvimento de microestruturas texturizadas e ultrafinas por fusão de zona com laser – LaFlorZone” (PTDC/CTM/66195/2006). Neste projeto, onde se pretendia o desenvolvimento de novos sistemas de deteção da radiação gama para uso em imagiologia médica, foram produzidas fibras mono e policristalinas pela técnica de Fusão de Zona com Laser (Laser Floating Zone - LFZ). De seguida, em 2011, iniciei o meu percurso no departamento de Investigação, Desenvolvimento e Inovação da TMG Automotive, exercendo a função de Engenheiro de Produto, cargo que mantenho atualmente, e através do qual tenho vindo a assumir responsabilidades na gestão técnica de projetos com uma componente mais explorativa, com os quais se espera obter produtos inovadores.

Quais os motivos que o levaram a estudar na Universidade de Aveiro?

Participei num estágio de verão em 2004, durante a transição do 11º para o 12º ano, no departamento de Física sobre o tópico “Holografia”. Esta experiência permitiu-me não só conhecer a Universidade, mas também a cidade, tendo ficado bastante agradado com ambas. Além disso, a proximidade geográfica à minha cidade de origem também influenciou na seleção desta como primeira opção para ingresso no ensino superior.

O curso correspondeu às suas expectativas? E a Universidade de Aveiro?

Sim, completamente. O curso aborda conteúdos relacionados com os diferentes ramos da Física, possibilitando ao aluno seguir uma carreira profissional em diversas áreas. A Universidade também se revelou propicia a um ensino de excelência pelo seu ambiente de proximidade para com os alunos.

O que mais o marcou na Universidade de Aveiro (algum professor/colega/ episódio)?

A experiencia foi tão enriquecedora que se torna difícil selecionar o que mais me marcou durante estes cinco anos na UA. Todo o percurso académico foi muito gratificante e permitiu o meu desenvolvimento pessoal e cientifico, possibilitando conhecer pessoas de diferentes partes do mundo fazendo-me sentir como parte integrante de uma sociedade global.

Sempre soube qual era atividade principal que queria realizar? A partir de que momento começou a definir as ideias neste capítulo?

Foi durante o 3º ciclo do Ensino Básico que decidi seguir Engenharia Física. Nessa altura comecei a ter aulas de Físico-Química e fiquei bastante interessado pelos conteúdos da disciplina, sendo a matéria mais relacionada com a física a que me despertou mais interesse. Nessa altura, e após alguma pesquisa, encontrei o curso de Engenharia Física e identifiquei-me bastante com os seus conteúdos.

Mais tarde, durante o percurso académico, sempre me direcionei para a área de materiais, quer para o seu desenvolvimento quer para a sua caracterização. Por isso, posso dizer que foi durante a licenciatura que comecei a definir que tipo de atividades pretendia exercer.

Foi fácil o início da atividade profissional? Refira os principais fatores que contribuíram para essa facilidade/dificuldade.

Conseguir iniciar a atividade profissional foi mais difícil do que esperava, principalmente querendo trabalhar dentro do país, uma vez que nessa altura Portugal atravessava uma crise económica. Creio que teria sido uma boa oportunidade a possibilidade de frequentar um estágio curricular, que permitisse obter experiência em ambiente industrial e criar alguns contactos no terreno. No entanto, o facto de o curso nos prover de conhecimento que pode ser aplicado em diferentes indústrias, foi uma grande mais-valia, pois permitiu concorrer a diferentes cargos e escolher o projeto mais interessante.

Por outro lado, a adaptação inicial à atividade profissional em ambiente industrial, tendo sido, obviamente, gradual, decorreu, porém, sem intercorrências, dada a forte preparação académica que sabia possuir.

Como descreve o seu dia-a-dia profissional /da sua atividade profissional atual?

Atualmente, nas funções que exerço, lido bastante com os departamentos de R&D dos principais construtores da indústria automóvel. Aqui, na TMG Automotive, tenho a oportunidade de participar e liderar projetos de Inovação em parceria com estes mesmos construtores, com o objetivo de desenvolver soluções novas para o mercado. Posso dizer que existem já alguns casos de sucesso na estrada.

O que mais o fascina nas suas atuais atividades?

O contacto direto com os departamentos de R&D dos nossos clientes e o consequente desenvolvimento conjunto de produtos novos para o mercado. Aqui, estamos a falar de alguns dos maiores construtores europeus como, por exemplo a BMW e a Daimler, ou a Ford, nos EUA.

Quer e pode referir algum exemplo de novo produto, em que que tenha participado (ao nível da conceção) e que represente uma vantagem competitiva?

Recentemente desenvolvemos uma folha termoplástica para revestimento de painel de instrumentos que, ao contrário dos produtos existentes, não necessita de pré-enfraquecimento para permitir a abertura do airbag. Esta inovação permite simplificar bastante o processo do nosso cliente direto, permitindo também a existência de um airbag invisível uma vez que não se vê o pré-enfraquecimento após envelhecimento da peça ao longo do tempo de vida do veículo.

Desenvolve outras atividades paralelas que queira referir e que mereçam relevo?

Não desenvolvo nenhuma atividade paralela por rotina, no entanto costumo aceitar desafios pontuais como participação em eventos do âmbito empresarial que me permitem desenvolver conhecimento sobre outras industrias bem como estabelecer contato com pessoas e projetos.

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício das suas atuais atividades? O percurso na UA teve algum efeito no seu caminho profissional? De que maneira?

Como já referi, o ambiente académico promovido pela universidade foi bastante favorável dado o clima de proximidade e profissionalismo transmitido aos alunos. Acredito que esse espirito é importante para quem vai ingressar no mundo do trabalho.

Além disso, a experiência de ter unidades curriculares em comum com alunos de outros cursos permitiu não só a partilha de conhecimento, mas também percecionar o nosso contributo num contexto multiprofissional.

Por outro lado, o facto do curso que frequentei ter uma grande componente prática e pragmática, permitiram-me sair melhor preparado para um mercado focado no cliente.

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