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Cultura
Iniciativa no âmbito do 4.º Congresso Internacional “Pelos Mares da Língua Portuguesa”
Exposição "Malangatana à la minuta"
Malangatana fazia desenhos na hora que oferecia aos seus interlocutores
Reproduções de desenhos que Malangatana concebia, coloria e dedicava, em tempo geralmente muito curto e ali mesmo à beira do destinatário, a quem oferecia a recordação, celebrando bons momentos passados ou amizades presentes e futuras, vão estar patentes de 25 de maio a 10 de junho, no Museu da Cidade de Aveiro. A iniciativa está incluída no programa do âmbito do 4.º Congresso Internacional “Pelos Mares da Língua Portuguesa” e a inauguração da exposição está marcada para 25 de maio de 2018, às 18h30.

As “máquinas-caixote” de fole utilizadas pelos fotógrafos ambulantes permitiam realizar, em pouco tempo, não só a fotografia como ainda a sua revelação, a designada fotografia à la minuta. É aqui que melhor se entenderá a razão do título que demos a esta pequena mostra de reproduções: Malangatana concebia, desenhava, coloria e dedicava estes seus desenhos em tempo geralmente muito curto e ali mesmo à beira do destinatário, a quem oferecia a recordação, celebração de bons momentos passados ou de amizades presentes e futuras.

Malangatana foi um pintor que nunca esqueceu as suas origens e não enjeitava os seus amigos. Aberto a múltiplas influências, ansioso por conhecer e dominar novas técnicas e perspetivas, a verdade é que sempre manteve intocada a sua vivência africana – quer na Arte, quer nas relações com os outros.

A sua iniciativa "Escolinha, vamos brincar", realizada primeiro em Moçambique e alargada aos países escandinavos, é outro símbolo dessa sua inteligência de relacionamento e de influência, desenvolvendo nas crianças as suas capacidades artísticas, com recurso a matérias tão simples como a areia e a objetos já usados, de latas de refrigerantes a rolos de película fotográfica.

Conversador infindável, também queria sempre entender o que lhe comunicavam (até para ver se valia a pena guardar alguma coisa) e, ao mesmo tempo, queria deixar um testemunho seu para que o não esquecessem facilmente.

Naturalmente, essas relações recorreram, quase sempre, à sua maneira de ser artística, à sua capacidade de improviso (quantas vezes, aparência de improviso), oferecendo aos que com ele se relacionavam desenhos e apontamentos que, de alguma forma, mostravam o artista e o amigo.

Aproveitando pedaços de papel rasgados às toalhas das mesas, guardanapos de papel, folhas de blocos, Malangatana manifestava a sua Arte nesses breves momentos em que também recorria à cinza de cigarros ou a borras de café. Na sua maioria, não seriam desenhos acabados, mas antes mostras rápidas da sua inventiva onírica e pictórica. Eram ofertas aos seus convivas e, para estes, eram recordações inolvidáveis de camaradagem e, sem dúvida, de respeito pelo Artista.

(Imagem: http://www.conexaolusofona.org/malangatana-o-pincel-que-se-calou-ha-cinco-anos/)

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