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Conferência Internacional de Ambiente de Língua Portuguesa -CIALP na UA
Sessão de abertura das CIALP assinalou 40º aniversário do DAO
Abertura da CIALP 2018 assinalou 40 anos do DAO-UA
O 40º aniversário do Departamento de Ambiente e Ordenamento (DAO) da Universidade de Aveiro (UA) foi assinalado na sessão de abertura da Conferência Internacional de Ambiente de Língua Portuguesa (CIALP), que decorreu na Universidade de Aveiro (UA), desde o dia 8 e se prolonga até ao dia 10 de maio.

A presidente da Comissão Organizadora da CIALP, Ana Isabel Miranda, professora da UA, afirmou que a organização da CIALP “considerou positivo reunir numa conferência técnico-científica a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa que desenvolve atividades na área do Ambiente”, sob o lema “Ambiente e Direitos Humanos”, porque “um ambiente de qualidade é um direito de todo o ser humano, mas é também um dever de todo o ser humano assegurar a qualidade do ambiente. Eu arrisco mesmo a dizer que o ser humano integra o ambiente. Quando estamos a zelar pelo ambiente estamos também a zelar pelo ser humano”.

CIALP com 90 comunicações, 70 posters e participantes de 8 países

A CIALP conta com cerca de 90 comunicações orais, cerca de 70 posters, organizados por 14 tópicos. Os oradores participantes são oriundos de vários países: Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal e também da Suécia, Itália e Espanha, oradores que apesar de não serem de países de língua portuguesa aceitaram vir a CIALP comunicar em língua portuguesa.

Por tudo isso, Ana Isabel Miranda mostrou-se convicta de que a CIALP “vai ser o início de colaborações muito frutuosas e vai contribuir também para sustentar parcerias que já existem”.

No dia 8, também teve início o 20º encontro da REALP, rede que, como explicou o Professor Carlos Borrego, rede que começou por “se designar Rede Luso-Brasileira de Estudos Ambientais, e que contava com universidades de Portugal e do Brasil, Ministérios do Ambiente e agências de financiamento de ambos os países”. Esta rede consolidou-se e expandiu fronteiras, alargando-se a Angola, Cabo Verde e Moçambique. As instituições e as pessoas que dão corpo à REALP mostram que “os desafios ambientais são um símbolo da interdependência que marca as relações internacionais contemporâneas”.

Adaptação as alterações climáticas é o desafio geracional

Para o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, Nuno Lacasta, a redução das emissões e a adaptação aos impactes das alterações climáticas “é o desafio geracional que enfrentamos”.

E esse desafio é “de governança, de como nos organizamos como sociedades, do ponto de vista técnico, do ponto de vista político, do ponto de vista cultural, para respondermos a um desafio desta natureza”, afirmando mesmo que “não temos sistemas de governança ainda para a escala deste desafio”.

No entanto, esse desafio “tem uma janela de oportunidade”, que, se fechar, provocará que “os custos económicos e humanos sejam, alguns deles, insuportáveis”, isto é, “a geração de riqueza atual, e mesmo a futura, não é suficiente para pagar os custos de adaptação”, os quais podem “ir “de 5% a 20% do Produto Interno Bruto global”.

A gestão da água é outro grande desafio, questão que está muito ligada ao crescimento populacional. “Para termos acesso à agua e ao saneamento, a níveis mínimos, à escala global, estamos a falar de valores da casa dos triliões e triliões de dólares. Se juntarmos a isto os custos da adaptação às alterações climáticas, devia-nos a todos motivar para um desafio geracional”.

DAO foi pioneiro a nível nacional

A fundação do Departamento de Ambiente e Ordenamento, há 40 anos, foi, na opinião do Reitor Manuel Assunção, no seu último discurso enquanto reitor da UA, “uma iniciativa pioneira a nível nacional, pioneira a nível internacional, na formação da Engenharia de Ambiente, que aconteceu também num quadro de pioneirismo e complementaridade que a UA, desde o seu primeiro momento, traçou tendendo a lançar ofertas formativas que fossem complementares ao que existia no quadro do ensino superior português à época. Num leque de formações absolutamente inovadoras que foram lançadas incluía-se a formação em Engenharia de Ambiente”.

O diretor do Departamento de Ambiente e Ordenamento, Carlos Borrego, recordou que há 40 anos, quando da fundação do DAO, “tínhamos consciência que a vontade de crescimento da humanidade fazia esquecer que os recursos naturais da Terra são finitos. E foi por aqui que começou a resposta a estes desafios com base naquilo que designamos por Engenharia do Ambiente. Foi um curso autónomo criado na universidade portuguesa e que em Aveiro nasceu em 1976, e o departamento nasceu depois em 1978, com o objetivo de fazer diferente em Portugal no ensino das ciências e das tecnologias do ambiente, principalmente numa base interdisciplinar”.

Ao historiar a evolução do DAO, Carlos Borrego destacou que, logo no início, concluíram que “era importantíssimo ligar o ambiente ao território”, pelo que o departamento passou a chamar-se Departamento do Ambiente e Ordenamento.

No início do século XXI, “continuámos a inovar o DAO preparando antecipadamente respostas ao que prevíamos que aí viria”, com a modernização curricular e com o “aumento dos cursos que o DAO passou a coordenar e a participar”.

Foi também na década de 90 do século XX que se reforçou a ligação ao tecido produtivo através de uma unidade de relacionamento com a sociedade e prestação de serviços, o IDAD – Instituto de Ambiente e Desenvolvimento. O IDAD permitiu que “um conjunto de conhecimentos que eram desenvolvidos no Departamento pudessem ser transferidos para as empresas e para as outras instituições”.

Carlos Borrego reconheceu algumas limitações para tornar mais eficazes as políticas ambientais, ao dizer que “falta-nos cultura ambiental, falta-nos planeamento efetivo, falta-nos um sistema de justiça de ambiente. Este diagnóstico implica que enquanto Departamento devíamos implementar e consolidar estas áreas. Isso foi o que fizemos. Manter, incrementar e tornar sistémica a aposta na formação ambiental, integrando um conjunto de outras unidades curriculares”.

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