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Entrevistas
Antigo aluno UA: Celina Tavares, ex-aluna de LRE e diretora do Turismo de Portugal nos EUA
Na UA há uma abertura muito grande na relação instituição-professores-alunos
Celina Tavares é diretora do Turismo de Portugal nos EUA
Licenciada e mestre em Línguas e Relações Empresariais pela Universidade de Aveiro (UA), Celina Tavares foi Gestora de Produto do Turismo de Portugal na República da Irlanda e na Irlanda do Norte e, desde janeiro de 2018, é diretora do Turismo de Portugal nos Estados Unidos. Considera que a UA está na vanguarda do empreendedorismo e do ensino, não só na qualidade e diversificação dos cursos que oferece, mas também na própria forma como vê os seus alunos. Na sua perspetiva, há uma abertura muito grande na relação instituição – professores – alunos, o que não se vê em muitas outras universidades portuguesas, o que só acrescenta valor à instituição.

Celina Tavares licenciou-se e tornou-se mestre em Línguas e Relações Empresariais na UA. Fez o estágio curricular, no final do curso de mestrado em Línguas e Relações Empresariais, na Delegação da AICEP/Turismo de Portugal em Dublin, Irlanda. Foi convidada para ficar a trabalhar na Delegação em Dublin como Gestora de Produto, posição que ocupou durante dois anos em representação da AICEP e do Turismo de Portugal. Em 2014, passou a Gestora de Produto do Turismo de Portugal, não só da Republica da Irlanda, mas também da Irlanda do Norte. Em janeiro de 2018, iniciou funções como diretora do Turismo de Portugal nos Estados Unidos.

Quais os motivos que a levaram a estudar na UA?

Eu sou de Aveiro, por isso já conhecia bem o nível e a qualidade de ensino da nossa universidade. Para além disso, na altura em que me candidatei, o curso de Línguas e Relações Empresariais só existia em Aveiro e na Católica, no Porto, se não estou em erro. Como era a minha primeira opção e tinha média para entrar em Aveiro, a escolha foi muito fácil.

O curso correspondeu às suas expectativas? E a UA?

Tive muita sorte, porque o curso era exatamente aquilo que eu procurava e, como tal, gostei muito de todo o percurso académico. O curso é muito interessante e tem muita qualidade, não só pelo seu plano curricular, mas também pela qualidade dos docentes. Por isso sim, correspondeu às minhas expectativas. Adquiri muitas competências que ainda hoje aplico, todos os dias, às funções que desempenho.

O que mais a marcou na UA?

As amizades que por lá fiz. As pessoas com que partilhamos este percurso da nossa vida também são importantes, porque nos ajudam a tornar toda a experiência ainda mais espetacular. Foi, iguamente, importante encontrar uma Universidade que procura estar na vanguarda do empreendedorismo e do ensino, não só na qualidade e diversificação dos cursos que oferece, mas também na própria forma como vê os seus alunos. Há uma abertura muito grande, na UA, entre a instituição – representada pelos seus professores e restantes funcionários–e os alunos. Creio que não seja assim em todas as universidades portuguesas. Isto, a meu ver, só acrescenta valor à instituição.

Sempre soube a profissão que queria seguir?

Não, obviamente.Se fosse assim fácil, provavelmente eramos todos astronautas! Mas também não estou a imaginar nenhuma criança dizer que o seu sonho é ser Diretor(a) do Turismo de Portugal. Talvez seja demasiado específico.Mas também não há que se saber. Sou muito adepta do Gap Year que é praticado em países estrangeiros, na medida em que potencia uma experiência de trabalho. Também acredito que o princípio que existe, em Portugal, de que um estudante universitário se deve apenas e só dedicar aos estudos está completamente ultrapassada. No norte da Europa, por exemplo, o que não é normal é um estudante universitário entrar no mercado de trabalho sem nunca ter tido um partime. Claro que estou absolutamente ciente de que há muitos alunos portugueses que o fazem, não só por quererem, mas também porque necessitam de o fazer. E dou-lhes os meus parabéns! Bem sei que não e fácil fazer esta gestão - eu trabalhei em partimes durante todo o meu percurso universitário, experiência que trago, ainda hoje, comigo para as funções que desempenho---. Provavelmente, o trabalho não está de todo relacionado com o curso que os estudantes estão a frequentar, mas é preciso que eles acreditem que vão aprender muito e ganhar competências que vão aplicar no futuro. Quanto mais não seja ao nível da gestão de pessoal e das relações no local de trabalho. Vão entrar no mercado de trabalho muito mais maduros e com uma noção mais clara do que os envolve.

Nem toda a gente sabe, à partida, o que quer fazer mais tarde. E não faz mal! Podemos, ou vamos, com toda a certeza, sentir que estamos perdidos; que não sabemos o caminho que vamos seguir. É normal! Mas as experiências profissionais por que vamos passando vão nos ajudando, moldando como profissionais e logo nos apercebemos do que queremos e gostamos de fazer.

Como descreve a sua atividade profissional?

De forma muito abreviada: promovo o destino Portugal no mercado dos Estados Unidos da América. O objetivo é darmos a conhecero paíse informar o público americano sobre o nosso destino, levando-o a visitarPortugal. É um trabalho muito difícil, este, de vendermos o nosso próprio país!

O que mais a fascina na sua atividade profissional?

Dar a conhecer o meu país. Ele éabsolutamente maravilhoso e deixa-me extremamente orgulhosa poder divulgá-lo. O meu país, a minha gente e a minha cultura. É uma honra enorme poder ‘vender’ Portugal no e aos estrangeiros. E é um privilégio ver a capacidade de resistênciae de reinvenção que o meu país e a minha gente teve e tem, principalmente tendo passado por uma crise económica profunda. Tenho a oportunidade de ver o que se faz de melhor em Portugal. Vejo projetos inovadores, interessantes, diferentes. É muito inspirador. Talvez estejamos finalmente a ultrapassar esta mentalidade de termos pena de nos próprios e de que ‘no estrangeiro é que se faz bem’? Eu espero, sinceramente, que sim. Está mais do que na altura de darmos mais valor ao que fazemos e de termos mais confiança em nós e nas nossas capacidades e competências. Somos tão bons ou melhores do que os outros. E o sector do turismo é a prova disso mesmo.

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício da sua atual atividade?

A título de exemplo: tive a sorte de ter tido excelentes professores de Língua Inglesa para Negócios, que me transmitiram muitas das competências que utilizo todos os dias no desempenho da minha atividade. A eles, o meu muito obrigada.

‘Portugal is HOT rightnow!’

Perante a concorrência que, segundo julgo, deve ser forte entre diversas instituições de promoção do turismo num mercado como os EUA, ainda há espaço para promover Portugal e ganhar mercado nos EUA? Como?

A concorrência é enorme, mas estamos a falar de um mercado que tem o tamanho de um continente, por isso, há espaço para todos. E há imenso espaço para Portugal. O investimento que a TAP fez nos EUA, com o lançamento de novas rotas diretas, foi essencial para ‘abrir’ o mercado. É muito difícil promover um destino sem rotas diretas. Agora que as temos asseguradas, pelo menos na Costa Este, o trabalho a fazer é o de promoção do destino, não só para assegurarmos a sua continuidade, mas também tornar o sector do turismo em Portugal sustentável. Há oportunidade para o fazermos porque há muita curiosidade em relação ao nosso país, que é, neste momento, um destino que todos os americanos querem visitar, marcadamente pela diferença e pela qualidade da nossa oferta turística.

É possível promover Portugal pela via da cultura num mercado culturalmente tão forte como o dos EUA?

A cultura está inerentemente associada ao turismo. A cultura pode existir sem o turismo, mas o turismo nunca se pode dissociar desta. Afinal o que significa visitar um país? Não é, principalmente, conhecer a sua cultura? Não só no sentido lato da palavra, quando nos referimos às tradições, aos costumes, ao património material e imaterial, mas também no que toca ao próprio sector, porque um turista que visita um país, normalmente, também procura ir a um concerto, a um museu ou a uma galeria. Por isso, sim, é possível. Há mercados onde a tarefa é mais fácil, pela sua abertura e pelo seu perfil, como o dos EUA. É um mercado com uma produção cultural enorme, mas que tem, também, uma abertura enorme para tudo o que é diferente. E é aí que Portugal se deve posicionar.

Nos EUA sente-se que Portugal está na moda, como se refere, tantas vezes, em Portugal?

Sim, Portugal está completa e absolutamente na moda. Ou como eles dizem: ‘Portugal is HOT rightnow!’

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