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Entrevistas
Antiga aluna UA – Vera Madeira, licenciada em Línguas e Relações Empresariais
De tradutora a líder de opinião de sucesso na mais popular rede social chinesa
Antiga aluna UA ¿ Vera Madeira, licenciada em Línguas e Relações Empresariais
Em 2006 terminou a licenciatura em Línguas e Relações Empresariais na UA e partiu para a China. Por lá ficou até hoje e não pretende regressar tão depressa. Depois de ter passado pela experiência de ser tradutora, relações públicas, tester de software e organizadora de eventos, Vera Madeira é hoje, aos 35 anos, uma líder de opinião bem-sucedida no Wechat, a rede social mais popular da China. Da UA recorda com carinho os professores.

Depois de terminar a sua Licenciatura em Línguas e Relações Empresariais em Aveiro, Vera Madeira, natural de Coimbra, viu na China o destino ideal para poder concretizar dois grandes objetivos: aperfeiçoar a língua chinesa e singrar no mercado de trabalho.

Para concretizar o primeiro objetivo, a antiga aluna da UA escolheu Taipei (Taiwan) como primeiro destino. Lá frequentou um curso de chinês tradicional, com análise de gramática e interpretação de textos escritos à mão. A vontade de aprender mais levou-a até Blcu (Pequim) em 2007. Aqui teve a oportunidade de realizar um curso que habilita professores a ensinarem chinês como língua estrangeira e um curso de chinês intensivo que lhe permitiu adquirir conhecimentos avançados sobre língua, cultura, geografia, negócios e a economia chinesa.

A materialização do primeiro objetivo parecia estar bem encaminhada, quando Vera decidiu tentar a sua sorte no mercado de trabalho chinês. Decidida a ficar em Blcu, a antiga aluna da UA não deixou escapar as primeiras oportunidades de trabalho. Começou por ser tester de software de telemóvel da Nokia para a Neusoft e programas da Microsoft na Vanceinfo, assumindo também a componente de apoio ao cliente e pesquisa de mercado no portal www.lightinthebox.com. O seu conhecimento noutras línguas permitiu-lhe, ainda, assumir a responsabilidade de treinar o apoio ao cliente remoto em países lusófonos e francófonos.

Vera Madeira foi, ainda, tradutora de francês, inglês, chinês e português, relações públicas em espaços lúdicos e culturais, uma atividade que vem exercendo já há 10 anos, tendo assumido ainda funções na organização e promoção oficial do festival de música da Grande Muralha desde 2010. Foi responsável, ainda, pela organização de eventos no setor hoteleiro (China World Hotel e Four Seasons Hotel).

Esta sua intensa e polivalente experiência profissional e os seus conhecimentos avançados na língua e cultura chinesas acabaram por dar frutos. Hoje, e ainda a viver em Blcu, a antiga aluna da UA é um caso de sucesso. Para além de estabelecer contactos com variadas marcas de diversos países, negociando espaço de publicidade no site Double Moms e no metro de Beijing, Vera é uma bem-sucedida líder de opinião no Wechat, a mais importante rede social na China, cobrando às empresas para promover os seus produtos e serviços, depois de testá-los. Com uma carteira de cerca de 8 mil contactos, Vera Madeira sabe ao pormenor qual é o país de origem dessas pessoas, a sua profissão e as suas preferências e passatempos, informação valiosa para se poder destacar numa rede social como o Wechat, que, neste momento, já tem cerca de mil milhões de utilizadores.

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Vera Madeira cobra a empresas para promover os seus produtos e serviços no Wechat, a mais importante rede social na China, depois de os testar

 

Quais os motivos que a levaram a estudar na Universidade de Aveiro?

O meu pai tinha um sócio em Águeda na área de metalurgia. Como ele passava muito tempo em viagens por vezes parávamos em Aveiro, uma cidade que me encantou. Um dia um dos empregados trouxe-me à Universidade de Aveiro com a minha mãe, depois de o filho de uma das amigas da minha mãe (Vital) me ter dito nas aulas de condução para investir num curso novo que teria muito mais chances de singrar na vida. Então fui conhecer a universidade para ver se gostava do ambiente. Assim que saí do carro apaixonei me pelo campus universitário...

O curso correspondeu às suas expectativas?

O curso na minha opinião deveria ter uma componente ainda mais empresarial ligada às línguas. A minha cadeira de chinês ajudou-me a ter a paixão pela China; a professora Wang é excecional. O professor Tim deu-me as melhores aulas de inglês, com casos de estudo de como lidar com negociações com variados países e neste momento é o que faço (Negócios de materiais preciosos, carros e projetos governamentais entre Portugal, China, países africanos e brevemente Estados Unidos). Mas aconselharia que todos os semestres tivessem um dia de estágio numa empresa para poderem ter um acesso contínuo à vida empresarial.

O que mais a marcou na Universidade de Aveiro?

Como referi anteriormente, alguns professores. A professora Wang, porque foi ela que criou a minha paixão pela língua e cultura chinesa. O professor Arménio Rego, o melhor professor para me mostrar a vida empresarial e com livros e aulas fantásticas. A professora Cláudia, que me fez adorar o facto de trazer sempre artigos relacionados com empresas e bancos e por ter criado um programa em que falávamos com nativos e onde analisávamos como realmente escreviam. O professor Tim, pelas aulas fantásticas de análises de casos de estudo de negociações com multinacionais e análises de websites. A professora Urbana por criar projetos que ajudaram a lidar com profissionais estrangeiros que criaram o seu negócio em Portugal. Na altura eu fiquei com a India e neste momento ajudo imenso na promoção de eventos culturais e gastronómicos Indianos em Beijing.

Como descreve a sua atividade profissional?

Eu adoro ser uma líder de opinião porque só promovo o que realmente gosto e por isso quando organizo eventos de música, empresariais ou multiculturais tendem a ser um sucesso. Espero continuar a trabalhar com profissionais que me inspiram a ser mais criativa e a usar as minhas capacidades linguísticas, organizacionais e empresariais para a realização de eventos excecionais.

O que mais a fascina na sua atividade profissional?

O facto de conhecer pessoas fenomenais. Já conheci imensos embaixadores e donos de empresas e já participei em eventos de moda e na organização de eventos musicais e locais fascinantes.

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício da sua atual atividade?

Capacidade de falar variadas línguas e saber lidar com a cultura de pessoas de variados países.

Considera que a UA teve alguma cota-parte de responsabilidade no seu sucesso profissional?

Penso que sim. Mas acho que pode melhorar ao criar protocolos com empresas. Muitos alunos só sabem teoria e nada de prática.

Sempre soube a profissão que queria seguir?

Como o nosso curso é tão amplo, não foi fácil perceber logo. Em Beijing já trabalhei como representante de apoio ao cliente, tester de software, tradutor de francês, inglês, chinês e português, relações públicas de espaços lúdicos e culturais (durante 10 anos), organizadora e promotora oficial de festival de música da Grande Muralha desde 2010 até agora, trabalhei em hotelaria na organização de eventos (China World Hotel e Four Seasons Hotel). Atualmente faço negócios com variados países e trabalho na procura de marcas que queiram publicar a sua publicidade num site chamado Double Moms e no metro de Beijing. Como tenho variados contactos no wechat trabalho como líder de opinião de marcas que confio e testo e que depois posto no meu Wechat (uma aplicação tipo Facebook que todos usam na China).

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Vera Madeira tem uma intensa e polivalente experiência profissional

Foi fácil entrar no mercado de trabalho? Porquê?

Eu tive sorte porque assim que me graduei na Blcu arranjei trabalho na Neusoft, que é uma empresa que testa o software da Nokia. Consegui logo visto de trabalho. Hoje em dia é complicado arranjar trabalho mesmo com visto de trabalho. Temos mesmo que saber falar, por isso vejo muitas notícias, desenhos animados e séries em chinês para melhorar o meu chinês e claro que saio para variados eventos onde sou forçada a apreender mais para poder comunicar com chineses com altos cargos.

O que a levou a optar por ir trabalhar para a China?

Eu vim fazer uma pós-graduação, e felizmente comecei a concorrer para empresas em Beijing dois meses antes de acabar.

O que não esquece dos seus primeiros momentos nesse país?

Tudo era grande. Tudo era diferente. Para mim a China é como ópera, ou se ama ou não, e eu amo e considero a China como a minha segunda casa.

Como é que é viver e trabalhar na China?

Aqui se temos feriados, que são poucos, temos de compensar com trabalho aos sábados e domingos.

A língua foi um problema?

A língua era um problema, mas agora tento continuar a aprender de variadas maneiras. A melhor maneira é praticar a língua.

Onde se vê daqui a 10 anos? Regressar a Portugal está nos seus projetos futuros?

Daqui a 10 anos quero ser dona da minha própria empresa de eventos, para poder organizar eventos para todos os tipos de orçamentos e criatividades. Penso voltar a Portugal, mas somente depois de estabelecer todos os negócios que quero entre Portugal, China e África.

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Daqui a 10 anos Vera Madeira quer ser dona da sua própria empresa de eventos, para poder organizar eventos para todos os tipos de orçamentos e criatividades
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