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Entrevistas
Antigo aluno UA - Fernando Santos, licenciado em Engenharia do Ambiente e mestre em Poluição Atmosférica
O engenheiro, o basquetebolista, o construtor de equipas, o ativista e o sonhador
Fernando Santos
Por onde começar o (enorme e diversificado!) percurso de Fernando Santos? É licenciado em Engenharia do Ambiente e mestre em Poluição Atmosférica pela Universidade de Aveiro. Fundou uma empresa premiada. Foi basquetebolista profissional. Foi treinador de clubes e dos craques da Associação Académica da UA pela qual foi bicampeão nacional. Esteve na direção da Amnistia Internacional, da Refood Aveiro e da Associação Portuguesa de Basquetebol Master. Hoje é Treinador Mental, Treinador de Pais e Life Coach Certificado. Amanhã será (com certeza!) outra coisa porque tem muitos sonhos para viver.

Terminou a Licenciatura de Engenharia do Ambiente [actual Mestrado Integrado em Engenharia do Ambiente] em 1999. Seguiu-se, também na Academia de Aveiro, o Mestrado em Poluição Atmosférica.  Ainda estudante da UA, Fernando Santos começou a trabalhar na Sondar, o primeiro laboratório privado a prestar serviços de monitorização de emissões gasosas em Portugal.

Depois fundou a Enarpur, um laboratório dedicado a ensaios nas áreas de caracterização de emissões atmosféricas, acústica e vibrações. A empresa foi considerada a melhor Start Up portuguesa de 2002 e venceu os Eurowards – Prémios Europeus para o Espírito Empresarial.

Anos mais tarde, Fernando Santos ingressou na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte como especialista técnico pela área das emissões atmosféricas. Entretanto começou a colaborar com a Teamwork Consultores, empresa do Porto que leva às empresas o conceito "Pensar e Intervir como um Treinador". Posteriormente colaborou com a I Have The Power, empresa que treina pessoas e empresas para o êxito e, recentemente, iniciou o seu próprio projeto de Treino Mental, o "Muda O Teu Jogo".  

No mundo associativo, Fernando Santos esteve na direção da Amnistia Internacional, quer no grupo de Aveiro quer na direção nacional. Fundou ainda a Associação Portuguesa de Basquetebol Master e o Refood Aveiro.

Basquetebolista federado durante mais de 20 épocas, onde chegou a jogar na I Liga Profissional, foi treinador do Clube dos Galitos de Aveiro, da equipa de bastequebol da Associação Académica da UA, da Seleção Nacional Universitária nos 25ºs Jogos Olímpicos Universitários, do Sport Clube Beira Mar e do Clube do Povo de Esgueira.

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Equipa da AAUAv que ganhou o primeiro título nacional com o treinador Fernando Santos (foto tirada em Novi Sad (Sérvia) durante o Europeu de 2008)

Quais os motivos que o levaram a estudar na UA?

Os motivos principais foram a falta de meios para suportar as despesas de estudar fora e a minha vontade de ficar perto da minha mãe.

Os cursos corresponderam às suas expectativas?

Não. O curso de Engenharia do Ambiente nunca correspondeu às minhas expectativas. No início foi uma tremenda desilusão, sobretudo se pensarmos que estive indeciso até ao último segundo entre Biologia e Ambiente porque adorava animais e natureza. No curso que escolhi, nem vê-los. E demorou, mas a desilusão passou gradualmente a admiração e depois a extrema satisfação pela escolha inconsciente que naquele dia fiz. Como nestas coisas o mais importante é como se acaba e não como se começa, o saldo é extremamente positivo pelas aprendizagens que fiz e pelas pessoas que conheci.

E a UA?

Quanto à UA, sempre excedeu as minhas expectativas. Quer no que me fez crescer, quer no que me permitiu descobrir e conhecer, quer na influência decisiva que teve, tem e terá na pessoa que sou e me esforço por conseguir vir a ser. 

O que mais o marcou na UA?

Muitos amigos. Alguns professores. Tantos episódios... Mas o que mais me marcou na UA foi mesmo a sua equipa de basquetebol e tudo o que ela me deu. Com os Campeonatos Nacionais Universitários (CNU’s) conheci um universo paralelo de desporto escolar em que participei ativamente e cuja enorme evolução acompanhei com atenção. Em representação da UA conquistei quatro Campeonatos Nacionais, a única Taça Nacional e participei em quatro Campeonatos Europeus. Graças à prestação fantástica das equipas que treinei entre 2006 e 2009 tive o privilégio de ser um dos treinadores da Seleção Nacional de Portugal nas 25ª Universíadas (Jogos Olímpicos Universitários) que decorreu em Belgrado em 2009. Ainda hoje, nos 30 anos que a Federação Académica do Desporto Universitário leva a organizar CNU's de basquetebol, a única vez que o basquetebol masculino da UA conseguiu o Bi (campeonato) foi em 2008 e 2009 quando os treinadores éramos eu e o meu querido amigo João Rodrigues. Este ano esse feito pode ser igualado e estou fervorosamente a torcer para que tal ocorra. Já tenho este record há demasiado tempo…

Sempre soube a profissão que queria seguir?

Nunca soube. Ou melhor, sempre soube, mas mudava com muita frequência. Começou por ser médico e futebolista. Depois, fotógrafo da National Geographic e bombeiro. Mais tarde, empresário ou ilusionista. Acabei por me tornar engenheiro, empresário, atleta profissional de basquetebol, treinador de basquetebol, coordenador de voluntariado, dirigente desportivo e até tradutor certificado. Também sou Treinador Mental, Treinador de Pais e Life Coach Certificado (IACC). Mas ainda há muitos sonhos aqui em stand by, pelo que me imagino a realizar vários deles que irão requerer novas mudanças. Acredito que “viver é aprender e aprender é mudar".

Nos últimos anos tem trabalhado na consultoria e no treino comportamental de pessoas e equipas. Exatamente, o que faz um formador nesta área?

Com base nas diferentes perspetivas e competências adquiridas enquanto atleta, treinador, dirigente, voluntário, empregado, funcionário público e empresário - sempre em equipa e com taxas elevadas de sucesso - ajudo pessoas a ajudarem-se a si próprias. Ajudo-as a superar medos e limitações autoimpostas de modo a que consigam exceder as expectativas criadas e atingir objetivos e sonhos. No fundo, não é ser um formador, mas sim um auxiliar da mudança. Um catalisador, como uma vez me apelidou um grande amigo e eu gostei. Sou treinador, (trans)formador de pessoas e construtor de equipas.

O que mais o fascina na sua atividade profissional?

A felicidade de quem atinge patamares que anteriormente acreditava serem apenas para outros. A emoção de quem passa a valorizar mais a viagem do que o destino. O prazer de ver um filho crescer com pais que o sabem ajudar a alicerçar os seus comportamentos em valores e na integridade que o desporto fomenta e exige. Ao ajudar outros a aumentarem a sua felicidade por trabalharem melhor em equipa sei que estou também, ainda que indiretamente, a dar o meu contributo para melhor preparar a ‘equipa humana’ para os enormes desafios ambientais que enfrenta e que apenas poderão ser encarados e ultrapassados com sucesso em equipa. Depois de muitos anos a trabalhar na área ambiental concluí que ‘já temos’ a tecnologia, os equipamentos, os processos e a legislação de que precisamos. Falta-nos o especto mais decisivo de todos: as pessoas.

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício da sua atual atividade?

Curiosidade, complementaridade, espírito empreendedor, capacidade de pesquisa, de planeamento e de organização. Trabalho em equipa próprio do curso e das matérias interligadas das ciências naturais e da engenharia do ambiente. No meu último ano do curso, ter passado pela experiência de ter sido trabalhador-estudante também me fez compreender a enorme dificuldade que estes colegas têm em conciliar ambas as atividades e a ter a certeza de que, quando há vontade e compromisso, tudo o que é realmente importante se consegue.

Em que medida também o mundo do associativismo, ao qual está desde sempre ligado, contribui para o seu percurso profissional?

Contribuiu e contribui de forma decisiva. Todos os projetos de voluntariado em que me envolvi ou que criei foram fruto de necessidades sentidas e cuja solução não estava à vista. Se não encontras o teu caminho, constrói um. Foi o que fiz em diferentes momentos da minha vida e descobri o quanto se pode fazer de impossível quando uma equipa imperfeita se une sem ser por dinheiro. As experiências coletivas mais fascinantes que tive vivi-as no voluntariado. Como tive o privilégio de ser líder de todos os projetos de voluntariado em que participei, esta será sempre uma das ‘escolas’ que uso como pilar da minha vida. Todos os dias. Este "dar sem precisar de receber em troca" é ainda uma forma influenciar positivamente as minhas filhas. De nada serve eu tentar ensinar-lhes o que considero correto se elas não me virem efetivamente a fazê-lo.

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Em 2009, com a equipa da AAUAv bicampeã nacional

É o único treinador bicampeão nacional de basquete masculino em 30 anos de presença da UA na FADU. Que grandes memórias prevalecem dessas conquistas?

Todas. As grandes memórias permanecem inalteradas como se tudo tivesse acontecido há minutos. É assim com as equipas que, para cada um de nós, são eternas e imortais. Fui abençoado com atletas espantosos nos valores que defendiam e na forma como se ajudavam mutuamente. Vi meninos a tornarem-se os grandes homens que hoje são e eu aproveito aqui para agradecer publicamente a todos, sem exceção, por tudo o que vivemos juntos, por tudo o que me ensinaram. Foram tempos magníficos que ficarão para sempre no meu coração e que me darão sempre aquele alento e confiança extras nos momentos mais difíceis da minha vida. É indescritível o poder que uma equipa imortal pode ter naqueles que dela fizeram parte. 

Ainda o teremos de novo à frente do basquetebol das equipas da AAUAv?

Não sabemos. O futuro é uma caixinha de surpresas. Mas parece-me muito difícil. O basquetebol mudou muito e eu também. Entretanto, a AAUAv continuou o seu percurso de melhoria permanente e de construção de pontes com os clubes locais, estratégia que saúdo como extremamente positiva para todos os envolvidos. É um orgulho ver, ainda que à distância e tantos anos depois de ter estado envolvido no seu início, o estatuto do estudante-atleta a ser justamente aprovado e os nossos colegas (que tanto têm para nos ensinar com o exemplo que diariamente dão de sonho, compromisso e superação) a obterem resultados de enorme mérito a nível europeu e mundial. Parabéns para a AAUAv e para todos os que têm a coragem de lutar pelos seus sonhos académicos e desportivos. Vocês são os líderes sociais de amanhã e eu estarei sempre a torcer por vocês!

Muito obrigado pela oportunidade de partilhar convosco um pouco do que sou.

Podemos sair da UA mas a UA nunca sairá de nós.

Sejam felizes!

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