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Entrevistas
Professor UA - Davide Ribeiro, Instituto Superior de Contabilidade e Administração
À descoberta da Contabilidade no ISCA-UA
Davide Ribeiro
Revisor Oficial de Contas, auditor financeiro, consultor e contabilista certificado, Davide Ribeiro é uma das referências do Instituto Superior de Contabilidade e Administração da Universidade de Aveiro (ISCA-UA) no ensino em Contabilidade. Com um longo percurso no setor empresarial, na sala de aula alia o prazer de deixar um legado a cada estudante, à felicidade de constatar que “os licenciados e mestres do ISCA-UA dão muito bem ‘conta do recado’ no mercado de trabalho".

Licenciado em Contabilidade e Administração e mestre em Contabilidade, cursos que tirou no ISCA-UA, Davide Ribeiro é professor desde 2014 na casa que o formou. Revisor Oficial de Contas e Contabilista Certificado, está no setor empresarial desde 1997 nas áreas da contabilidade e auditoria, como auditor, contabilista e consultor.

Auditor financeiro e consultor na empresa de auditoria Jorge Silva, Neto, Ribeiro & Pinho SROC, da qual também é sócio, e formador na área contabilística e fiscal e contabilista certificado, Davide Ribeiro tem como interesses de investigação a auditoria (quer externa, quer interna) e a respetiva ligação aos governos, à fraude e à fiscalidade.

Qual é o segredo para se ser bom professor?

Antes de mais, não sei se sou bom professor, isso teriam de perguntar a quem me “atura” nas aulas. Mas pelo menos teoricamente tenho uma ideia.

Um bom professor, na minha opinião, é alguém por deverá ser capaz de captar a atenção, de entusiasmar, de motivar os alunos e de criar neles a vontade de assistir à aula seguinte. A capacidade de transmitir o conhecimento (que o próprio deverá ter) é também essencial. Em suma, ser bom comunicador e motivador.

Talvez o segredo para se ser bom professor, passe também por direcionar o nosso foco para os alunos, ser pedagógico, fomentar o relacionamento humano, sendo que todos, a começar por mim, temos de pensar nisso, agora que vivemos um pouco na era da obsessão pela investigação e pelas publicações, esquecendo um pouco os objetivos principais do ensino.

Finalmente falar claro e de uma forma simples, parece-me também ser fundamental. Sempre que dou por mim a “complicar” recordo-me duma passagem do livro de António Mota “Pedro Alecrim”, que conta a história de uma menino que não gostava muito da escola. Dizia esse menino:

“Se eu fosse professor, explicava sempre o porquê das coisas, com palavras fáceis para que toda a gente compreendesse. Se eu fosse professor não dizia “isto é azul”. E ponto final. Não, eu tentava explicar “porque é que isto é azul”. Ou será que há coisas que não têm explicação?”

O que mais o fascina no ensino?

Sem dúvida o poder de transmitir conhecimentos académicos que penso que na maior parte dos casos serão fundamentais para mais tarde os alunos entrarem na profissão, a par de tentar ajudar a incutir alguns valores humanos que considero fundamentais (humildade, respeito, gratidão, espírito de colaboração e cooperação) quer no relacionamento pessoal, quer no profissional.

Fascina-me, também, poder fazer com que os alunos sintam que o tempo que passaram a estudar não foi em vão, que as coisas que aprenderam comigo lhes poderão ser úteis mais tarde quando iniciarem a sua vida profissional.

Finalmente, o intercâmbio de experiências e conhecimento, uma vez que nós professores também ganhamos imenso com o contacto com os alunos. É mesmo como alguém um dia escreveu “aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.”        

Como qualifica a formação que é dada aos estudantes do ISCA-UA na Licenciatura em Contabilidade?

Relativamente à Licenciatura em Contabilidade, na minha ótica a formação ministrada é de muito boa qualidade, dotando os alunos de conhecimentos sólidos na área da contabilidade, capazes de conceber sistemas de informação financeira e sistemas de controlo interno, de preparar e analisar informação financeira, orçamental, analítica e fiscal, tal como é preconizado como objetivo na página institucional do ISCA-UA, tendo a perceção (até pelo contacto com as empresas) que o mesmo é amplamente atingido, apesar de existirem como é natural algumas lacunas e margem para melhorar. A existência da disciplina de "Simulação Empresarial”, na parte final da licenciatura, permite aos alunos praticar em ambiente de simulação, aquilo que é de facto uma aproximação bem real à prática contabilística.

E no Mestrado em Contabilidade?

Relativamente ao Mestrado em Contabilidade, aí já conseguimos aprofundar mais um pouco os conhecimentos quer em contabilidade, quer nas áreas específicas de especialização, preparando os alunos, no caso da especialização em auditoria (ramo ao qual estou ligado), para, se assim o entenderem, exercerem funções na área da auditoria.

Em geral, os licenciados e mestres do ISCA-UA dão muito “bem conta do recado”, orgulhando quer a instituição quer os professores que os acompanham no percurso académico.

Que grande conselho dá aos seus alunos?

É muito importante, mesmo quando estão a estudar, começarem a preparar adequadamente a entrada na vida profissional. Assim, uma das formas de o fazer, será cultivarem desde logo o interesse pela área, estando atentos às novidades, às alterações, que saem diariamente para o público (sabemos que a área contabilística e sobretudo a fiscal são demasiado exigentes). Outra forma é estudarem as matérias o mais profundamente possível (e não apenas para passar com nota mínima), aproveitando os conhecimentos dos professores para irem construindo a sua própria “base de dados mental” e o seu próprio know-how, que tando os ajudará no futuro.

Na área da contabilidade, existem muitos profissionais, o que dificulta um pouco a entrada no mercado de trabalho. No entanto, apercebemo-nos que continuam a faltar bons profissionais (responsáveis e competentes), pelo que para esses, em princípio, existirá sempre lugar.

Houve alguma turma que mais o tivesse marcado? Porquê?

O receio que tinha, antes de iniciar a atividade de docência, sobre a incapacidade de saber lidar com atitudes e comportamentos menos próprios de alguns alunos, sempre me fizeram temer um pouco esta atividade.

No entanto, não destacando uma turma ou um aluno em especial, destaco esse facto: o respeito e educação que encontrei de todos os alunos, sem exceção, sem exceção mesmo! Aliás, na última aula de cada turma, costumo agradecer esse facto, que muito me sensibiliza e me anima para continuar.

Pode contar-nos um episódio curioso que se tenha passado em contexto de sala de aula ou com estudantes?

Não existe propriamente uma situação específica, mas não posso deixar de referir, que muito me agrada quando alguns alunos, ou pessoalmente ou através de mensagens, me transmitem que valeu efetivamente a pena assistirem às minhas aulas.

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Um conselho aos estudantes: “É muito importante, mesmo quando estão a estudar, começarem a preparar adequadamente a entrada na vida profissional”.

Traço principal do seu carácter

Quem vive comigo diz que sou teimoso e que acho que só eu é que faço bem as coisas.

Acho que tenho sentido de humor e sou humildade.

No aspeto profissional penso que a capacidade de trabalho e a organização, são os meus principais traços.        

Ocupação preferida nos tempos livres

Não são muitos os tempos livres, mas talvez a música, passear e ver televisão.

O que não dispensa no dia-a-dia

Estar com a família, ainda que pouco tempo, e o telemóvel.

O desejo que ainda está por realizar

Ter mais tempo para mim e para a minha família e viajar.

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