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Entrevistas
Antigo presidente da AAUAv – André Reis
Desenvolvimento do desporto da Academia e proximidade com a cidade: os marcos mais visíveis dos seus dois mandatos
A Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv) completa o seu 40.º aniversário a 28 de junho. Para assinalar a data, o jornal online está, semanalmente, a trazer-lhe à memória alguns dos seus dirigentes máximos. André Reis assumiu a presidência da Associação entre janeiro de 2014 e janeiro de 2016. Na UA frequentou o Mestrado Integrado em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações e a licenciatura em Economia. Hoje está a completar a sua formação no ISEG - Lisbon School of Economics and Management, Universidade de Lisboa.

O que o motivou a envolver-se no associativismo?

Desde muito cedo senti necessidade de ter um papel ativo na sociedade. Muito por culpa da forma como fui educado, dos valores que me foram transmitidos e da influência natural da minha família, onde existiam diversos casos de pessoas que voluntariamente se envolviam em instituições, associações ou projetos, com uma grande marca social e sempre focados no bem-estar da população e na defesa do seu património material e imaterial.

Na realidade, à medida que os anos passavam, a ideia de ir à escola e praticar uma modalidade desportiva nos tempos livres, algo muito habitual no seio do meu grupo de amigos, não me satisfazia por completo. Precisava de me sentir útil à comunidade onde estava inserido e de participar ativamente na vida pública.

Foi por isso que no ensino secundário, depois de observar que a Associação de Estudantes estava subjugada aos interesses de uma juventude partidária, decidi liderar um projeto opositor. A verdade é que perdemos as eleições de forma muito esclarecedora, muito por culpa de um debate que não me correu da melhor forma. Mas este momento acabaria por se tornar decisivo no meu futuro enquanto cidadão e na minha crescente paixão pelo associativismo estudantil - que se veio a consolidar com a entrada na Direção da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv), logo no meu primeiro ano no Ensino Superior.

A partir desse momento, a minha chegada a Presidente da Direção da AAUAv acabaria por ser um processo natural, fruto de quem já tinha um historial dentro da instituição, seja ao nível dos Órgãos Sociais como dos Núcleos, onde fui Presidente da Comissão Instaladora do Núcleo de Estudantes de Engenharia Eletrónica e Telecomunicações, no segundo ano do meu percurso na UA.

Que mais-valias retirou desta experiência?

Eu penso que ainda hoje descubro as mais-valias que a passagem pelo associativismo estudantil me permitiu adquirir. Essencialmente ao nível do plano pessoal e das competências técnicas, que acabam por estar indiretamente relacionadas.

Ao nível mais pessoal destaco o espírito de união, o sacrifício pessoal e de superação constante, a responsabilidade, o sentido de justiça e de partilha com os outros e o desenvolvimento de competências ao nível da liderança e da gestão de recursos humanos. Além disto, o inconformismo, o sentido crítico de questionarmos todas as coisas, a cooperação, a capacidade de sonhar e ver mais além, a negociação, a orientação para os resultados e metas, a procura de pontes e consensos. Acima de tudo, a oportunidade de conhecer tantas e tantas pessoas, de norte a sul do país, com as suas personalidades tão diferentes, mas ao mesmo tempo tão iguais e próprias do ser humano.

Ao nível mais técnico destaco a grande melhoria ao nível da comunicação e oratória, o desenvolvimento linguístico, a capacidade de análise e interpretação, a elaboração de planos, orçamentos, regulamentos e comunicados, o estabelecimento de metas e objetivos e a capacidade de nos autoavaliarmos, detetando erros cometidos e criando soluções para os problemas e desafios constantes.

Por último, devo dizer que a passagem pela AAUAv foi essencial numa reflexão pessoal que me levou à mudança de curso, na medida em que me ajudou a perceber que não estava na área de ensino mais próxima daquilo que pretendia fazer no futuro.

descrição para leitores de ecrã
Equipa de trabalho de André Reis mandato 2015 (André Reis ao centro)

Quais foram os grandes marcos dos seus mandatos?

Eu destacaria o grande salto ao nível do desenvolvimento do desporto da Academia e a grande relação de proximidade com a cidade e os seus diferentes intervenientes como os marcos mais visíveis das Direções que tive a honra de liderar. Evidentemente que acredito que as Direções que liderei tiveram também um papel muito importante em determinadas áreas (por exemplo na criação da primeira plataforma de gestão interna global a toda a estrutura, a AAUAv Play). Estas, fruto de serem medidas mais internas, acabam por não ter tanto impacto e visibilidade juntos dos estudantes e da comunidade UA, mas não deixam de ter um papel fundamental na garantia de bases mais sólidas para o futuro da instituição.

Ao nível do desporto, a criação do Regulamento das Bolsas de Mérito Desportivo, o papel fundamental da Direção para a primeira requalificação do Pavilhão Aristides Hall desde a sua construção, a criação de várias parcerias e protocolos estratégicos com os clubes da cidade e da região de Aveiro, a proximidade e o compromisso com o projeto da Federação Académica do Desporto Universitário (FADU) e os seus dirigentes, a definição de um Plano Estratégico para o Desenvolvimento Desportivo da UA, em estreita colaboração com os Serviços de Ação Social, que resultou numa proposta concreta para a ampliação do parque desportivo da UA, foram na sua globalidade medidas que considero muito importantes para o futuro do desporto na UA e que nos permitiram atingir nesses anos, pela primeira vez, o pódio do Troféu Universitário de Clubes.

Ao nível de momentos destacaria um que será sempre especial: o dia em que decidimos assistir a uma reunião pública da Câmara Municipal de Aveiro, durante o verão de 2014, para pressionarmos o Presidente da Câmara a tomar uma decisão efetiva para o regresso das semanas académicas à cidade de Aveiro (à data eram realizadas no Estádio Municipal de Aveiro). O Presidente não gostou muito da nossa pressão (quem gostaria?), mas a verdade é que dias depois estávamos a anunciar a realização da semana de integração na cidade de Aveiro e os estudantes ficaram naturalmente radiantes. Boas memórias!

 

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