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Entrevistas
Reitor da UA entre dezembro de 1986 e março de 1994
Joaquim Renato Araújo - uma equipa, uma visão e o futuro da UA acontece
Joaquim Renato Araújo
Dia 13 de março o Conselho Geral da Universidade de Aveiro (UA) elege um novo Reitor. Até lá, o jornal online da UA recorda as reportagens desenvolvidas na revista Linhas, nas edições de 2012, 2013 e 2014, com a vida e obra dos primeiros reitores da Academia de Aveiro. Joaquim Renato Araújo é o antigo Reitor que se segue.

Foi Reitor da Universidade de Aveiro entre 1986 e 1994, anos decisivos para a jovem academia alcançar robusta a idade adulta. A implementação do Campus de Santiago pela mestria dos melhores arquitectos portugueses, a aquisição de equipamentos científicos de ponta e a aprovação dos primeiros estatutos da UA cunham uma época em que Joaquim Renato Araújo e um grupo de homens e mulheres visionários fizeram da Academia um imenso espaço para o Ensino e a Investigação se multiplicarem rumo ao século XXI.

Finais dos anos 80. O Campus de Santiago é um enorme estaleiro de obras. Há sete departamentos em construção. Centenas de operários plantam alicerces e fazem nascer paredes a um ritmo avassalador. Ao longo dos dias dezenas de camiões chegam, descarregam materiais, carregam entulho e partem. Para se fazerem ouvir, os homens falam alto lá de cima dos andaimes. Em volta dos edifícios vestidos ainda a cimento cru tudo é poeira, lama, ruído, guindastes e betoneiras.

Às toneladas, tijolos de barro, vigas de ferro, madeiras, cerâmicos, vidros e alumínios aguardam pela vez de entrarem na história. O caos é apenas aparente. A UA está em expansão e segue uma linha escrutinada até ao milímetro. Por entre as obras, de olho nos detalhes, há uma figura que passa diariamente.

Leva na cabeça o plano concebido pelo arquiteto Nuno Portas que, juntamente com os melhores mestres da arquitetura contemporânea portuguesa, ousou desenhar um Campus virado para as necessidades da academia, em sintonia com a cidade e com a região e, sobretudo, voltado para o futuro. Nas mãos traz os esquiços que vão ganhando forma à sua frente. Reservado, de trato afável, abranda o passo para conversar uma e outra vez. Tem uma palavra, sempre, para toda a gente.

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Renato Araújo a discursar durante o jantar que o homenageou em 1994

Chama-se Joaquim Renato Araújo, foi reitor da UA entre 1986 e 1994 e a obra de edificação do Campus de Santiago confunde-se com o seu nome. “Não concordo com essa afirmação. Prefiro que se escreva que a obra de edificação do Campus coincidiu com os meus dois mandatos”, propõe. A correção fica feita.

O coletivo sempre à frente do Eu

Setembro de 2013. O Campus de Santiago é um museu aberto da arquitetura portuguesa contemporânea. Cada um dos departamentos da UA tem a assinatura de nomes tão incontornáveis como Eduardo Souto Moura, Alcino Soutinho, Pedro Ramalho, Adalberto Dias ou José Maria Lopo Prata.

A Biblioteca e o depósito da água têm a assinatura de Siza Vieira. O Edifício Central e da Reitoria é de Gonçalo Byrne. Na alameda, os três andares de cada edifício respeitam os olhos virados para a paisagem da ria de Aveiro e a traça de uma cidade pouco dada à volumetria e às alturas. Por entre os hectares de espaços verdes, o laranja do barro sobressai. Só podia ser assim numa universidade nascida de uma região onde a cerâmica povoa todos os livros da história cultural e industrial.

Mas é essencialmente o futuro que se antevê em cada espaço do Campus. Depois de 1994, ano em que passou o testemunho da Reitoria para as mãos de Júlio Pedrosa, a academia continuou a expandir conciliando a linha harmoniosa do Campus com as necessidades estruturais para incrementar investigação e ensino. Hoje a UA é uma universidade sempre presente nos lugares cimeiros dos rankings mundiais. Hoje a UA é o único lugar do mundo onde à distância de um pestanejar se podem ver obras de dois Prémios Pritzker.

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Em 1994, Renato Araújo (segundo a contar da esquerda) durante a visita de Marçal Grilo, então secretário de Estado do Ensino Superior

“A nossa responsabilidade era para com o futuro”, recorda hoje Renato Araújo. Do gabinete que tem no Complexo Pedagógico, Científico e Tecnológico, um dos edifícios construídos no Campus já no século XXI porque há 25 anos atrás se imaginou que um dia pudesse existir, o antigo Reitor folheia a memória: “Não queríamos que as nossas decisões constrangessem qualquer tipo de crescimento da Universidade. Nós não éramos os donos do futuro da UA, éramos apenas uns meros contemporâneos de um determinado período e, por isso, havia sempre o cuidado que qualquer decisão que se tomasse não fosse limitativa para o caminho que a academia pudesse vir a fazer”.

“Nós” é um pronome constante no discurso sereno de Renato Araújo. Utiliza-o sempre. Nunca se refere ao que fez mas ao que “nós fizemos”. É difícil, senão impossível, fazê-lo centrar-se nele próprio. Nunca gostou de protagonismos. Google-se “Renato Araújo” juntamente com “Universidade de Aveiro” e pouco aparece. Não tem o currículo disponível no site da UA nem o quer mostrar agora porque o que fez pouco lhe interessa publicitar. “O percurso coletivo é mais importante”, volta a sublinhar. As fotos são raras porque não se deixa retratar facilmente. Não gosta de falar se si.

“É uma característica que devo à aldeia onde cresci e fiz a escola”, justifica-se. Entre os trabalhos agrícolas – e não havia nenhum na aldeia que não envolvesse toda a gente - “tive a sorte de ter um professor fabuloso, um pedagogo excelente que ajudou a congregar em mim esse espírito e, por isso, os meus amigos dessa altura continuam hoje a ser meus amigos”.

Equipa para retomar o caminho primordial

Chegou à UA em dezembro de 1974. Licenciado em Geologia pela Universidade de Coimbra, o 25 de Abril encontrou Renato Araújo na Universidade de Lourenço Marques onde era professor convidado. Na leva dos retornados, aterrou em Aveiro para colaborar com Victor Gil, o primeiro Reitor da UA, “na pequena equipa que iniciava o caminho da edificação desta academia”.

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Renato Araújo (segundo a contar da esquerda) durante a cerimónia que o homenageou em 1994

Por três vezes foi presidente do conselho científico da academia antes de ser eleito para o lugar maior da Reitoria em 1986.

Candidatou-se porque “alguém tinha de o fazer”. A eleição, a primeira em cuja vontade da comunidade académica era alvo de escrutínio, definiu muito do amanhã da UA. “Para contextualizar o que estava em causa”, lembra Renato Araújo, a Victor Gil seguiu-se, em 1976, Mesquita Rodrigues, um Reitor cuja “linha foi de certa rutura” com a herança deixada pelo primeiro responsável da academia.

Assim, perante a candidatura de um dos vice-reitores de Mesquita Rodrigues, que apontava para a continuidade de um projeto com o qual Renato Araújo discordava, “um grupo pensou em retomar com as linhas orientadoras” de Victor Gil. “Resolveu-se que seria eu a avançar”, lembra. Avançou e ganhou. A seu lado tinha os Vice-reitores João Baptista e Júlio Pedrosa.

Que projeto tinham? “Estávamos na linha com o que o professor Victor Gil tinha marcado como opção e que foi transmitido ao conjunto de pessoas que, como eu, foram entrando nos dois primeiros anos de vida da Universidade”, diz. Era, “sem dúvida”, uma linha que “agradava totalmente” a Renato Araújo.

A estratégia de Victor Gil, que tanto o cativou, apontava para “uma universidade próxima da lógica das universidades novas inglesas, assente numa estrutura muito participativa, que começava ao nível da base nos departamentos, e com uma capacidade de inovar em áreas que se entendiam serem fundamentais” para o desenvolvimento do país. “Havia uma dinâmica que tinha em conta esse referencial mas também aquilo que era Portugal e o que era necessário que as universidades ajudassem a fazer para o país crescer”, acrescenta.

Para isso, urgia a criação de “cursos muito novos, transversais e com qualidade”. “Foram essas as linhas mestras que a nossa equipa reitoral voltou a agarrar quando entrou”, relembra.

A edificação de um Campus sintonizado com a cidade era, igualmente, um dos planos que Victor Gil deixou na ‘gaveta’ e que “era prioritário retomar”.

Assim aconteceu quando assumiu a Reitoria. E com ele um grupo que tinha “grande vontade de mudar o mundo” e que carregava uma força que haveria de fazer toda a diferença:

“A interajuda entre todos, a disponibilidade para discutir e ajudar a encontrar uma ideia trave que fosse significativa para aquilo que se pedia que fossem as universidades públicas eram a nossa marca”.

Nuno Portas junta-se ao futuro da UA

No cenário do Campus, na hora de tomada de posse do Reitor Renato Araújo, existiam já os pavilhões 1, 2 e 3. A Zona Técnica Central, os Serviços Sociais e o Departamento de Eletrónica estavam em construção. Mas para cumprir os objetivos que a que se propuseram - uma UA atenta à realidade do país e que pudesse formar jovens quadros para suprimir as necessidades do mercado de trabalho - esse campus não chegava.

Já na anterior reitoria, lembra, “havia uma série de colegas, nomeadamente o João Baptista e o Luís Severo, que tinham questionado o desenvolvimento do campus da UA”. “Nós não aceitávamos o tipo de edifícios que estavam a ser projetados para a UA”. O Departamento de Eletrónica e Telecomunicações e o de Ambiente e Ordenamento ainda hoje traçam esse modelo contestado. Os planos da equipa de Mesquita Rodrigues e da Direcção Geral do Ensino Superior apontavam para duas linhas de edifícios paralelos, construídos em altura com materiais estranhos à região de Aveiro, e que “cortavam a relação da academia com a ria, um dos elementos estruturantes da Universidade, tanto mais que tínhamos criado em Portugal o primeiro curso de ambiente”.

A equipa de Renato Araújo defendia ainda que a UA tinha de ter uma ligação próxima à cidade e que isso passava pelo património. “A Universidade não podia ser uma instituição qualquer, edificada numa cidade em que o património construído é muito frágil e pouco expressivo”, lembra. De facto, Renato Araújo e os seus pares queriam “uma UA cujos edifícios pudessem ajudar Aveiro a ter um património de referência”.

Para ajudar a concretizar essa missão, Nuno Portas, marca maior da Escola de Arquitetura do Porto, era a pessoa indicada. “Convidámo-lo para fazer parte do projeto e ele ficou encantado por poder estar connosco. Tivemos com ele uma convivência magnífica”, lembra Renato Araújo. Com a adesão do país à Comunidade Económica Europeia e, com isso, a possibilidade de aceder a fundos financeiros extraordinários - aos quais a UA antecipadamente preparou candidaturas - estavam alinhados os astros da bonança para a jovem academia que contou com o apoio dos Secretários de Estado Ralha e Fernando Real e dos engenheiros Cândido Ribeiro e Maria dos Anjos Alfaiate, técnicos da Direcção Geral do Ensino Superior.

Arquitetura de excelência

Nuno Portas rapidamente se fez rodear da nata da arquitetura portuguesa. Álvaro Siza Vieira, Eduardo Souto Moura, Alcino Soutinho, Alfredo Matos Ferreira, Joaquim Oliveira, Adalberto Dias, Victor Figueiredo e os irmãos Mateus, entre tantos outros arquitetos geniais, sob a batuta de Nuno Portas e o sonho de Renato Araújo e dos seus vice-reitores, desenharam em conjunto o futuro do Campus.

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Renato Araújo e Júlio Pedrosa em 1994

Renato Araújo lembra que “não foi difícil reunir todos esses arquitetos porque beneficiámos muito do prestígio de Nuno Portas, uma referência para todos os colegas”. As reuniões decorreram ao ritmo da “boa disposição e de forma assertiva e construtiva” e sem nunca perder de vista o plano da equipa reitoral: “A qualidade do Campus era fundamental para nós. Sem isso a UA não poderia afirmar o seu objetivo número um que era a qualidade na investigação e no ensino”.

“Estávamos numa fase em que a Universidade tinha três ou quatro áreas de referência e não sabíamos para onde iria caminhar”, relembra. Por isso, como responsáveis pela universidade, “não podíamos construir um modelo que fosse rígido e que pudesse ser um constrangimento para o futuro”.

Para além dessa imposição, a visão dos responsáveis pela UA apontava para “uma estrutura que levasse à rápida e simultânea construção de vários departamentos, ao contrário do modelo anterior que apontava para a construção de um departamento de cada vez, uma opção trabalhada pelo Prof. Ferrer Correia”.

E numa época em que o aproveitamento energético era um assunto inexistente, os arquitetos ouviram da UA uma ideia inédita para os edifícios escolares: paredes duplas. “Foi a primeira vez que elas apareceram em escolas portuguesas”, regozija-se Renato Araújo.

“Nós fomos a primeira instituição a dar aos arquitetos portugueses dessa geração a possibilidade de construírem para o Estado ao nível do Ensino Superior”, diz Renato Araújo. Se indelevelmente a UA ganhou para sempre um cunho daqueles que já eram a promessa de uma arquitetura de excelência portuguesa, “também a UA os marcou a eles para sempre”.

Comunidade académica pequena, coesa e muito motivada

A edificação do Campus ocorreu a um ritmo frenético. Renato Araújo lembra o período em que “chegámos a ter ao mesmo tempo sete edifícios em construção”. Outra inovação introduzida pela equipa prendia-se com a fiscalização das obras que havia de ser entregue a entidades externas constituídas por engenheiros civis que, desde o primeiro minuto, acompanharam o desenvolvimento do projeto. “Isso dava-nos a garantia de que tínhamos uma visão externa e que podia interferir e ser crítica quer para a própria Universidade, quer para os projetistas e construtores”, justifica Renato Araújo.

A contratação destas equipas independentes ajudou também a UA a equilibrar o acompanhamento das obras já que os serviços técnicos eram constituídos apenas pelos engenheiros Tavares da Conceição e o desenhador Miguel Morais.

“As pessoas não acreditam que nessa altura tínhamos só duas pessoas nos serviços técnicos, duas pessoas extraordinárias a quem a UA deve muito”, lembra Renato Araújo.

O antigo Reitor recorda igualmente o professor Aristides Hall, homenageado mais tarde com o Pavilhão Gimnodesportivo da UA que recebeu o seu nome. “Era um trabalhador fantástico. Ele preparava os cadernos de encargos como pouca gente conseguia”, reconhece.

Derrapagens orçamentais? “Só tivemos uma num único edifício. De resto o orçamento foi inteiramente cumprido até ao tostão”, orgulha-se. A UA “tinha uma belíssima situação financeira graças às pessoas do Serviço Administrativo, em especial o Ulisses de Carvalho de Jesus e o Modesto Aradas que trabalharam noites inteiras para podermos processar a parte administrativa dos processos, e à Dra. Maria do Rosário Amador que controlava perfeitamente toda a despesa”.

Não esquecer que as obras não fizeram parar o ensino e a investigação “o que exigia equilíbrios muito difíceis e grandes sacrifícios de muita gente que teve de abdicar de certas coisas porque não se conseguia fazer tudo em simultâneo”. Aulas em salas improvisadas, trabalhos de laboratório a decorrerem em ‘vãos de escada’, tudo serviu para aguentar num enorme fôlego os anos em que os andaimes foram quem mais ordenava na UA. “Éramos uma comunidade pequena mas coesa e disposta a fazer grandes sacrifícios” para que a UA se cumprisse.

Campus harmónico e em crescimento

O resultado salta à vista até dos menos atentos: cada edifício da UA tem diferenças, sobretudo nos seus espaços internos de circulação e de trabalho. Mas o que é comum tem a força unificadora para os enquadrar de forma harmoniosa no conjunto do campus. Depois das provas dadas em Aveiro, muitos dos arquitetos que assinaram cada um desses primeiros edifícios foram chamados a conceber outras universidades.

A Renato Araújo escapa um segredo: “É bom ver que temos alguns defeitos nalguns edifícios, nomeadamente com muitas das janelas, porque os arquitetos estavam a projetar pela primeira vez para o Ensino Superior”. E, já agora, a jovem equipa reitoral, “também com pouca experiência”, não conseguiu fazer passar para os esboços dos edifícios “algumas coisas importantes”.

Mas o caminho faz-se caminhando: “Há defeitos que eles depois melhoraram e corrigiram quando projetaram para outros sítios. Aprenderam muito aqui”.

Para além do cimento, dos andaimes e dos tijolos de barro acrescente-se ainda, sublinha Renato Araújo, o recheio dos edifícios. “Tínhamos os recursos humanos e começávamos a ter as condições físicas, só faltavam os equipamentos. E eles vieram graças ao Programa Ciência para o qual concorremos com bons projetos coordenados pelo professor Joaquim Vieira e dentro do âmbito da política interna estimulada pelos professores João Baptista e Júlio Pedrosa, que incrementaram os doutoramentos e as opções por equipamentos laboratoriais de referência”, diz. Foi igualmente neste período que a equipa de Renato Araújo fez aprovar os primeiros estatutos da UA que consolidaram o regime departamental e o princípio da representatividade em todos os órgãos da academia.

Olha pela janela do gabinete em direção à alameda. Sorri. “Ainda hoje, felizmente, o campus continua harmónico e em crescimento. Ainda hoje se vê por aí o génio da equipa de Nuno Portas que nos trouxe o atual modelo daquilo que é a ferradura da UA”.

Passagem do testemunho

Março de 1994. Final do segundo mandato de Renato Araújo que teve na equipa os Vice-reitores Aristides Hall, Gustavo Caldeira, Estela Pereira e Maria Helena Nazaré, os presidentes dos conselhos científicos Edmundo Fonseca e Manuel Serrano Pinto e o presidente do Conselho Pedagógico Manuel António Assunção. Regressa ao Departamento de Geociências e aposenta-se pouco depois com a certeza da missão cumprida após 20 anos de dedicação à construção da UA e 39 de serviço no total. Podia ter concorrido a um terceiro mandato mas recusou essa hipótese aberta pelo então Ministro da Educação Roberto Carneiro que fazia aprovar a lei que dava aos reitores essa possibilidade.

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Júlio Pedrosa, Victor Gil, Jorge Veiga e Renato Araújo

“Eu fui o único reitor a recusar concorrer ao abrigo dessa lei”, sublinha. A razão é simples: “entendida que aproveitar uma lei que saía a meio do percurso não era cordial. Nós tínhamos sido eleitos com outra lei e era com essa que tínhamos de funcionar”. Ponto final. “Felizmente havia a garantia que o caminho da UA ainda ia melhorar muito com o professor Júlio Pedrosa [um dos Vice-reitores de Renato Araújo que o sucederia] que estava disponível e muito mais bem preparado do que eu”.

Depois de “milhares de situações com uma efervescência enorme”, de anos seguidos em que “entrava na Universidade às oito da manhã e visitava o campus todo, departamento a departamento” a hora era de “adeus e até já”.

Na verdade, Renato Araújo esteve sempre presente na Universidade desde então. Discreto, integra o Conselho de Curadores da UA. Diz hoje que a UA “tem bases suficientes para aguentar qualquer impacto e encarar com esperança o futuro”. Sendo ele a dizer, a UA pode certamente continuar a trabalhar como até aqui.

Nota: este artigo foi publicado na edição número 19 da revista Linhas

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