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Comemoração Dia Internacional da Mulher
Estudantes e professores do DEGEIT quiseram saber: “O sucesso profissional tem género?”
A comemoração do dia internacional da mulher no Departamento de Economia, Gestão, Engenharia Industrial e Turismo (DEGEIT) conseguiu mobilizar muita gente. Alunos e docentes não perderam a oportunidade de ficar a saber se o sucesso profissional tem género.

A questão de base do evento - “O sucesso profissional tem género?” – teve respostas várias mas permanece no entanto um enigma que haja tantas mulheres no ensino superior, e com tanto talento, e como é que isso não se traduz em mais mulheres em lugares de chefia de topo na sociedade (por exemplo, haver mais mulheres nos conselhos de administração das empresas cotadas PSI-20, em Portugal; ou na presidência de câmaras municipais em Portugal).

Foi perante um anfiteatro cheio que o Pró-reitor Joaquim da Costa Leite abriu o evento, relatando a forma notável como a sociedade mudou no que diz respeito à postura da mulher. Seria possível, há algumas décadas atrás, e em Portugal, uma mulher ir a um café sozinha, fumar um cigarro? Poderia uma mulher cortar o seu cabelo curto, sem esperar críticas? A evolução tem de facto sido notável, relatou o Diretor do DEGEIT Carlos Costa, na mesa de abertura do evento. O Professor Carlos Costa é um grande entusiasta do tema responsabilidade social e igualdade de género, e liderou o Projeto GENTOUR, do qual também se falou durante o evento, e que apurou que no turismo homens e mulheres a desempenhar a mesma função poderão ter um “gap” salarial de até 26% (ganhando as mulheres menos e por fazer o mesmo que os homens).

Embora, conforme referiu a oradora convidada - a Diretora Geral da AIDA Elisabete Rita - haja países bem mais complicados do que o nosso. Veja-se como nos países árabes mais liberais (o caso, por exemplo, dos Emirados Árabes Unidos) embora possa haver reuniões envolvendo um homem e uma mulher a comunicação nunca será direta mas sempre por meio de um intermediário. Um homem no Dubai não responderá nesse contexto diretamente a uma mulher vinda em missão com a AIDA, mas sim de forma indireta. Já nos países árabes mais conservadores, como a Arábia Saudita, nem pensar em enviar mulheres em missões de “matching” de interesses comerciais, pois reuniões de negócios entre homens e mulheres são fora de questão. Só os homens é que negoceiam.

Vencer no feminino no mercado de trabalho é uma maratona, é possível, e exige muito, mas daqui a uma geração casos de chefia de topo mulheres (tal como já acontece na Revigrés e na Dielmar, segundo lembrou a Dra. Elisabete Rita) serão em maior número com certeza – pois o tempo trará mais mudança. Embora ao nível das empresas familiares já haja também filhas a tomar conta da liderança quando os pais saem naturalmente, e devido à idade, das funções de gestão.

Para a oradora convidada e Diretora Geral da Incubadora de Empresas da UA (IEUA) Adriana Costa, também ela empreendedora e com uma firma que conta com 18 anos (embora atualmente não exercendo lá nenhuma função de gestão), o sucesso no feminino exige sacrifícios, até porque tem dois filhos e tem que os acompanhar ao final do dia. O ideal é ter muito apoio em casa, e deixar atividades como a formação para épocas de menor exigência familiar. Neste momento na IEUA há cinco projetos liderados por mulheres e outros seis coliderados por homens e mulheres. Atualmente um terço dos projetos na IEUA tem o envolvimento de mulheres empreendedoras e há cada vez mais mulheres nos projetos.

A oradora convidada Eng.ª Ana Tavares, jovem empreendedora (co-fundadora da sua start-up, PICadvanced (http://www.picadvanced.com/) há mais de três anos) e aluna de doutoramento da UA, admite que nas telecomunicações e no ramo da tecnologia haja mais homens, mas na sua equipa de onze pessoas já contam com quatro mulheres. Sublinhou que sempre foi bem tratada, quer na empresa e em ambiente empresarial, quer na UA.

A Dra. Marília Durão fez uma exposição sobre o Projeto GENTOUR e traçou uma imagem possível da gestora no feminino – que poderá sentir-se melhor assumindo uma postura mais masculina (veja-se o caso da Angela Merkel, na política) ou mais feminina. Qualquer que seja a opção, a mulher poderá não estar livre de críticas e de algum escrutínio, escrutínio esse que poderá ser menor no caso de se tratar de um homem. A discriminação existe e tem de se falar sobre isso.

A Engenheira Elisa Antunes, do Projeto Women@Renault, falou do projeto que existe no sentido de promover a diversidade – que não é só de género – mas também envolve, entre outros, a cultura, a nacionalidade, a etnia, a orientação sexual, e sempre o respeito. O objetivo é terem 15% de mulheres na Renault. Dar mais atenção às mulheres faz todo o sentido na indústria automóvel uma vez que na decisão de compra de automóvel a mulher intervém em 80% do processo.

O evento foi organizado pela Comissão de Ética e Responsabilidade Social do DEGEIT (os Profs. Manuel Au-Yong Oliveira, Cláudia de Sousa e Silva, Maria João Carneiro, Joana Costa e Miguel Oliveira). Participaram também no evento e na sua organização a Prof. Andreia Vitória, a Dra. Francisca Lima, e o Hélder Silva. De referir ainda que o Diário de Aveiro esteve presente no evento, com foto reportagem e jornalista da especialidade. Houve, no final, uma entrega de lembranças às oradoras e de flores para as participantes presentes.

 

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