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Entrevistas
Antigo aluno UA - Cláudio Nico, mestre em Engenharia Física e doutor em Nanociências e Nanotecnologia
Um engenheiro físico em Roterdão ao serviço das tecnologias biomédicas
Cláudio Nico
Está em Roterdão ao serviço da RiverD International, a empresa holandesa especializada no desenvolvimento de tecnologias biomédicas. Mestre em Engenharia Física e doutor em Nanociências e Nanotecnologia pela Universidade de Aveiro (UA), entre o processamento e a análise de dados, a programação, a criação de softwares e a gestão de projetos, as missões de Cláudio Nico, aos 31 anos, têm impacto direto na saúde e no trabalho clínico de milhares de pessoas.

Terminou o Mestrado Integrado em Engenharia Física  do Departamento de Física (DFis)  da UA em 2009. Nesse mesmo ano, inicia atividades como bolseiro de investigação no DFis, num projeto que tinha por missão desenvolver condensadores baseados em óxidos de nióbio. O estudo desses materiais continuou no seu projeto do Doutoramento em Nanociências e Nanotecnologia, que tirou entre 2011 e 2015, também na UA.

Ainda em 2015, continuou no DFis como bolseiro de pós-doutoramento. Durante o ano de 2016 esteve envolvido num projeto de investigação na Bosch Termotecnologia, em Cacia, com o objetivo de desenvolver equipamentos para desmineralização e purificação de água e sensores para monitorizar a qualidade da água. Depois do projeto ter sido suspenso, mudou-se de Aveiro para Roterdão para trabalhar na RiverD International, uma empresa de desenvolvimento de dispositivos biomédicos baseados em espetroscopia de Raman.

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Vida nova na Holanda depois de ter estado envolvido num projeto de investigação na Bosch Termotecnologia, em Cacia

Quais os motivos que o levaram a estudar na UA?

Quando decidi candidatar-me ao ensino superior tentei escolher o melhor compromisso entre uma universidade com uma boa reputação e infraestruturas, um curso um programa interessante na área da Física e uma cidade que me oferecesse uma boa qualidade de vida.

O curso correspondeu às suas expectativas?

É difícil recordar-me quais eram as minhas expetativas antes de ingressar no ensino superior. De uma forma geral, fiquei satisfeito com o programa curricular do curso de Engenharia Física e com a qualidade do ensino. Claro que existem sempre questões que podem ser melhoradas, mas reconheço que tem existido uma preocupação constante por parte dos diretores do curso de Engenharia Física em garantir uma melhoria contínua da qualidade das cadeiras lecionadas e em manter um programa curricular atualizado e em linha com as necessidades tecnológicas atuais.

E a UA?

Quando ingressei na UA não me apercebi de imediato algumas vantagens importantes que tinha em relação a outros estabelecimentos de ensino em Portugal. Apenas mais tarde comecei a dar valor ao facto de ter um campus moderno e compacto, onde estamos sempre próximos dos outros departamentos e do centro da cidade. Creio que é um fator importantíssimo, tanto para investigadores que pretendem fomentar a cooperação com outros grupos, como para os alunos que estando mais próximos de casa conseguem ter maior disponibilidade para projetos e atividades extracurriculares. Numa universidade que se quer inovadora, creio que estes são excelentes catalisadores.

Além disso, apesar de a UA ter vários departamentos ligados à ciência e tecnologia, apreciei o facto de as disciplinas de arte e cultura terem um papel tão relevante e que ajudam a que esta universidade tenha uma identidade tão própria. Estou por isso muito satisfeito por ter escolhido a UA.

O que mais o marcou na UA?

Foram muitas pessoas que marcaram o meu percurso de diferentes formas e é por isso difícil apontar alguém que me tenha marcado mais. Recordo com alguma saudade algumas noites que passava com amigos e colegas no DFi. Umas vezes a estudar ou a terminar trabalhos, por vezes simplesmente a jogar um jogo de tabuleiro. Eram sempre bons momentos.

Sempre soube a profissão que queria seguir?

Não. Acho que desde muito novo quis ser cientista e imaginava-me a fazer experiências em laboratórios e a inventar coisas, mas sempre foi um conceito muito vago e inocente. Até ter uma melhor definição do que ser cientista era para mim, fui tentando seguir o que gostava, o que acabou por ser algo que envolve Física, Matemática e Engenharia.

Como descreve a sua atividade profissional?

Trabalho numa empresa chamada RiverD International. A nossa especialidade é criar instrumentos baseados numa técnica de espetroscopia ótica, chamada espetroscopia de Raman, para aplicações biomédicas. Grande parte dos equipamentos que produzimos são concebidos para a análise/quantificação de uma série de diferentes componentes presentes na pele. Os nossos clientes são maioritariamente hospitais e empresas da indústria farmacêuticas e de cosmética, que utilizam os nossos equipamentos para investigação científica.

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Numa das missões que tem em mãos, Cláudio Nico está a desenvolver tecnologias que indiquem a probabilidade do aparecimento da dermatite atópica

Está envolvido em mais projetos na RiverD International?

Sim, estamos envolvidos noutros projetos onde foi necessário desenvolver equipamentos diferentes e especializados. Um desses projetos, do qual estou responsável, tem como objetivo diagnosticar se uma pessoa tem, ou não, uma elevada probabilidade, de desenvolver dermatite atópica (ou eczema atópico). Esta é uma doença cujos sintomas podem ser fortemente minimizados com a prevenção, mas não existe à data (à exceção de um teste de ADN) uma ferramenta de diagnóstico para que os médicos possam atuar de forma preventiva. Esta tecnologia tem especial interesse para recém-nascidos e, por esse motivo, estamos a colaborar com médicos em maternidades que estão a validar a nossa tecnologia. Esperamos, num futuro próximo, poder ter provas suficientemente fortes para que este instrumento de investigação possa ser certificado como um instrumento de diagnóstico.

Tenho diferentes tipos de atividades no meu dia a dia. Parte do meu tempo é dedicado ao processamento e análise de dados (maioritariamente espetros e metadados associados às experiências efetuadas), o que envolve muita programação e utilização de diferentes ferramentas de análise estatística. Contribuo também no desenvolvimento do software de controlo dos nossos instrumentos, no processo de construção dos espetrómetros de Raman e controlo de qualidade dos componentes óticos. Sou também responsável por gestão de projetos e por prestar suporte a clientes na análise e interpretação de resultados.

O que mais o fascina na sua atividade profissional?

De uma forma geral, sentir-me desafiado a resolver novos problemas que exijam criatividade e diferentes tipos de valências técnicas, é o que me mais me motiva e fascina. De momento, tenho a oportunidade de poder fazer, tecnicamente, um pouco de tudo aquilo que mais gosto. Contudo, saber que o meu trabalho terá um impacto direto na saúde de muitas pessoas, e poder acompanhar de perto a validação destas tecnologias em ambiente hospitalar, é igualmente motivante.

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício da sua atual atividade?

Creio que o caráter multidisciplinar do curso de Engenharia Física foi o mais importante na minha formação. Para as tarefas que desempenho atualmente, o conhecimento que adquiri em Espetroscopia e Ótica é fundamental. Sinto também que ter frequentado cadeiras de Física computacional, métodos numéricos e estatísticos, e de eletrónica, foi, por diversas vezes, um fator diferenciador no meu desempenho profissional.

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