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Entrevistas
Professor UA – Luís Seabra Lopes, Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática (DETI)
Inteligência Artificial e robôs inteligentes na sala de aula
Luís Seabra Lopes
Nos laboratórios dedica-se à inteligência artificial e à robótica inteligente. Fora da Universidade de Aveiro (UA) gosta de jardinagem e de História. Ah! E de viajar. Tanto que um dia quer ir mesmo até Macau por terra. Professor no Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática (DETI), onde é diretor da Licenciatura em Engenharia Informática, Luís Lopes tem outras três grandes paixões: ensinar, ensinar e ensinar.

Licenciado em Engenharia Informática na Universidade Nova de Lisboa, onde se doutorou em Engenharia Electrotécnica na especialidade de Robótica e Manufactura Integrada, Luís Lopes é professor no DETI desde 1997 lecionando, sobretudo, unidades curriculares nas áreas da programação e inteligência artificial.

Envolvido na criação e sucessivas remodelações dos cursos da UA na área da Engenharia Informática, foi director da antiga Licenciatura em Engenharia de Computadores e Telemática e é actualmente director da Licenciatura em Engenharia Informática. Na investigação Luís Lopes está centrado na inteligência artificial, na robótica inteligente, na aprendizagem automática, na visão por computador e na interação humano-robô.

Investigador principal nos primeiros projectos da UA financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia na área da robótica inteligente, Luís Lopes foi coordenador da Actividade Transversal em Robótica Inteligente (um dos grupos de investigação do Instituto de Engenharia Electrónica e Telemática de Aveiro) e, mais recentemente, foi coordenador científico local do projeto RACE – “Robustness by Autonomous Competence Enhancement”, financiado pela União Europeia, o primeiro projecto europeu da UA na área da robótica.

Qual é o segredo para se ser bom professor?  

Não acho que haja propriamente um segredo para se ser bom professor. Há, sim, uma série de aspectos que um professor tem que levar em conta. Tem que conhecer e dominar a matéria que lecciona. Tem que a apresentar de forma organizada e coerente, desde o “para que serve” até ao “como se utiliza” ou “como se faz”. Tem que ser perspicaz, para perceber se os alunos estão a conseguir acompanhar a apresentação da matéria, ou se estão “perdidos”. Deve estimular a interacção dos alunos consigo durante a aula, sondando-os sobre a compreensão da matéria e propondo questões e exercícios. Se estes são requisitos básicos para um bom professor, há depois aspectos da própria personalidade, como a empatia, a energia e o sentido de humor que podem transformar um bom professor num professor excelente. Por outro lado, no contexto universitário, a ligação entre investigação e ensino é fundamental. É uma mais valia quando o professor trabalha, ao nível da investigação, na área que lecciona.

O que mais o fascina no ensino?

Os momentos mais gratificantes em sala de aula são aqueles em que consigo ter um conjunto alargado de alunos a participar na aula, ficando eu com a percepção de que estão a conseguir acompanhar a matéria. Por outro lado, também se aprende com os alunos, não só pelas perguntas que colocam, que por vezes obrigam os docentes a informar-se antes de responder, mas também por outras informações que transmitem. Convém não esquecer que, enquanto os professores estão por vezes especializados em determinadas áreas, os alunos frequentam aulas de um leque mais alargado de matérias e podem, por isso, estar mais informados que os próprios docentes em áreas ou tecnologias específicas.

Como qualifica a formação que é dada aos estudantes no DETI?

Os cursos do DETI têm sido avaliados positivamente por entidades externas e têm passado por diversas reformas ao longo dos anos, com o objectivo de os manter actualizados e relevantes para o mercado de trabalho. Os cursos que conheço melhor são os da área da Engenharia Informática, nomeadamente a Licenciatura  e o Mestrado em Engenharia Informática e o Mestrado Integrado em Engenharia de Computadores e Telemática (MIECT).

Os dois primeiros são cursos recentes com planos de estudos alinhados com as tendências actuais da tecnologia e do mercado de trabalho e cuja qualidade é reconhecida por todos, traduzindo-se num grande número de candidatos: há perto de 20 candidatos para cada vaga da licenciatura. O MIECT é um curso prestigiado, que se impôs ao longo dos anos pela sua qualidade. O corpo docente do DETI é qualificado e fortemente envolvido em actividades de investigação.

Houve alguma turma que mais o tivesse marcado? Porquê?

O primeiro contingente de alunos que entrou para a antiga Licenciatura em Engenharia de Computadores e Telemática, em 1998, é talvez aquele que mais me marcou. A entrada em funcionamento do curso é um marco histórico no DETI, uma vez que foi a primeira oferta formativa da UA na área da Engenharia Informática. Fui o coordenador da Comissão de Curso ao longo dos primeiros seis anos do funcionamento do curso. Esta foi aliás a primeira comissão de curso do DETI a funcionar como comissão paritária de docentes e estudantes. Com a criação da figura do Director de Curso, vim também a desempenhar esse papel quando aquele contingente de alunos estava a terminar o curso. Acompanhei por isso o grupo de perto. Alguns dos alunos mais motivados desse grupo envolveram-se também, de forma extracurricular, num projeto que eu tinha na altura na área da robótica inteligente. Três desses primeiros alunos são hoje meus colegas no DETI. Tudo factos que levam a não esquecer …

Pode contar-nos um episódio curioso que se tenha passado em contexto de sala de aula ou com estudantes?

Sempre tive a preocupação de manter uma relação amigável com os alunos, sem vincar demasiado a natural diferença entre professor e aluno. Entretanto, como mantive cara de jovem até relativamente tarde, facilmente passava por um deles. Foi nesse contexto que aconteceu um episódio anedótico. Tudo se passou numa sala do rés do chã do DETI, durante uma aula prática de Paradigmas de Programação II. Estava sentado ao lado de um aluno a tirar-lhe dúvidas sobre o exercício que tinha sido proposto. De repente, entra um aluno sem perceber que a aula estava a decorrer. Os alunos da aula avisam que a aula estava a decorrer, mas o aluno não me reconhece como professor e pergunta para todos: “Então onde é que está o professor?”. Levantei o braço para me identificar, ao que o aluno reage com nova pergunta: “Onde? Lá em cima?”.

descrição para leitores de ecrã
No meio dos estudantes sente-se como peixe na água, que é como quem diz, sente-se como um professor apaixonado pelo ensino.

Traço principal do seu carácter

Ponderado e curioso

Ocupação preferida nos tempos livres

Turismo, jardinagem, História

O que não dispensa no dia-a-dia

Comer e dormir

O desejo que ainda está por realizar

Viajar de Portugal a Macau por terra!

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