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Opinião
João Veloso, Departamento de Física e grupo de Deteção da Radiação e Imagiologia Médica da unidade de investigação I3N-Aveiro
Tecnologias de imagem médica: sistemas mais eficientes abrem novas perspetivas na deteção e tratamento do cancro
João Veloso foi eleito coordenador do RD51 do CERN
A propósito do Dia Mundial do Cancro, João Veloso, docente no Departamento de Física da UA e investigador do grupo de Deteção da Radiação e Imagiologia Médica da unidade de investigação I3N-Aveiro, dá-nos uma perspetiva das potencialidades das tecnologias de imagem médica na deteção e tratamento do cancro.

As tecnologias de imagem médica têm tido um papel decisivo na luta contra o cancro, quer pelas capacidades e qualidade de diagnóstico clínico que oferecem quer pela informação que é possível extrair quando utilizadas em investigação clínica e pré-clínica, contribuindo desta forma para importantes avanços na descoberta de novos e mais eficientes fármacos e técnicas para o tratamento do cancro. Estas tecnologias originaram um forte impacto na sociedade, colocando a esperança média de vida em patamares inimagináveis há poucas décadas atrás.

Entre estas ferramentas/técnicas de imagem médica encontram-se a mamografia, com a reconhecida importância no rastreio do cancro da mama, a tomografia axial computorizada (TAC), e mais recentemente a tomografia por emissão de positrões (PET do inglês “Positron Emission Tomography”). Este último, o PET, tem tido um papel fundamental na deteção precoce do cancro, uma vez que permite analisar tumores e metástases a um nível molecular, apresentando por isso uma sensibilidade única para a sua sinalização (mais de uma ordem de grandeza superior a qualquer outro sistema de diagnóstico de imagem médica existente). Estas características fazem do PET o instrumento de eleição para o diagnóstico precoce do cancro e para monitorização da evolução da doença ao longo do tratamento oncológico e também no seu uso na investigação oncológica clínica e pré-clínica.

É na modalidade pré-clínica do sistema PET que são geradas as sementes para algumas das soluções que têm aparecido e também de muitas outras em estudo, com o objetivo de melhorar a eficiência no combate ao cancro. Embora o seu objetivo seja clínico (i.e. para utilizar em humanos) é necessário passar primeiro por uma investigação pré-clínica para demonstrar e validar as técnicas e fármacos investigados. Na investigação pré-clínica são utilizados pequenos animais (ratos e ratinhos) para estudos das funções fisiológicas e metabólicas. Estes animais apresentam volumes cerca de duas a três ordens de grandeza mais pequenos que os humanos. Esta enorme diferença de escala nas suas dimensões, apresenta-se como um desafio para o desenvolvimento de sistemas PET pré-clínicos, pois deverão possuir resolução em posição muito superior aos sistemas desenhados para humanos, de modo a ser possível analisar imagens em pequenos animais com o mesmo nível de detalhe que nos humanos.

Assim, os sistemas pré-clínicos, apesar de serem mais desafiantes em termos de desenvolvimento do que os sistemas clínicos, apresentam-se como uma das principais ferramentas para o combate ao cancro.

A UA tem vindo a contribuir para este esforço, quer pela investigação que realiza quer pela formação que oferece.

Neste âmbito, está em curso no Departamento de Física da Universidade de Aveiro, no grupo de Deteção da Radiação e Imagiologia Médica da unidade de investigação I3N-Aveiro, investigação e desenvolvimento com o objetivo de disponibilizar um instrumento PET pré-clínico com resolução espacial e contraste únicos, só possível através de um sistema de aquisição inteligente e patenteado. Este conceito, após ter sido validado em laboratório, está presentemente em fase de validação pré-clínica no centro IBILI/ICNAS da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.

O conceito inovador da tecnologia irá permitir para além do seu elevado desempenho, o desenvolvimento de sistemas PET pré-clínicos de baixo custo, permitindo uma democratização no acesso a esta tecnologia por parte dos centros de investigação médica/biomédica da área oncológica. A comercialização da tecnologia ficará a cargo de uma spin-off da Universidade de Aveiro, a RI-TE, Lda.

No campo da formação, nos últimos anos a UA tem oferecido com sucesso formação avançada através do Mestrado em Tecnologias de Imagem Médica, onde temáticas e especificidades das diferentes modalidades e combinações de modalidades de imagem médica são aprofundadas, exploradas e trabalhadas, contribuindo para uma maior qualidade do conhecimento e aptidão por parte dos profissionais envolvidos no uso e análise destas tecnologias. Igualmente, a formação do Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica, recentemente a funcionar na UA, oferece formação nos aspetos tecnológicos e de desenvolvimento associados à engenharia das tecnologias da imagem médica.

 

João Veloso

Departamento de Física

Grupo de Deteção da Radiação e Imagiologia Médica da unidade de investigação I3N-Aveiro

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