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Cultura
Em exposição na sala Hélène de Beauvoir da Biblioteca da Universidade de Aveiro até 15 de janeiro de 2018
Últimos dias da exposição "António de Cértima. O Perfil do Homem e do Escritor"
Exposição
“Um convite a descobrir um homem, uma obra, uma época” é como Nuno Rosmaninho descreve a exposição patente até 15 de janeiro na Biblioteca da UA sobre o escritor António de Cértima. A UA é detentora de parte do seu espólio pessoal e profissional que temporariamente se dá a conhecer ao público numa primeira exposição.

Nesta exposição levanta-se o véu de variadas vertentes do perfil pessoal e profissional de António de Cértima, tendo como base o acervo doado aos Serviços de Biblioteca, Informação Documental e Museologia (SBIDM) da Universidade de Aveiro pelo escritor e jornalista Arsénio Mota. Na inauguração da exposição, a 11 de dezembro, Nuno Rosmaninho, docente do Departamento de Línguas e Culturas da UA evidenciou alguns aspetos da personalidade, atualmente pouco conhecida, de António de Cértima. “Observada à distância, a biografia dos escritores parece em geral sublimada pela literatura. O homem que fez a guerra e sobre ela escreveu, que escolheu compromissos políticos e deles beneficiou, também se deu como apaixonado e dos sentimentos extraiu quadros poéticos e romanescos. António de Cértima viveu os anos de intransigência que levaram ao nacionalismo absoluto, às ditaduras e à Segunda Guerra Mundial. Não resistiu a essa avalanche. Tudo indica que fez parte dela.” Nuno Rosmaninho acrescenta ainda “A exposição é equivalente a uma apresentação pessoal, em que se declara «prazer em conhecer». O conhecimento verdadeiro vem depois, com a conversa e a convivência. Sem isso, recebemos apenas uma ilusão de conhecimento, que é o que nos ficará de António de Cértima se, a seguir, à visita, não lermos a sua obra.” (texto integral da intervenção inaugural em anexo)

descrição para leitores de ecrã
Inauguração da exposição, a 11 de dezembro

No acervo da UA encontra-se a vasta obra literária publicada, constituída por 30 títulos, várias obras inéditas que não chegaram à estampa e até poemas musicados. A inúmera correspondência tanto de cariz pessoal como profissional e político que está à guarda dos SBIDM são muito reveladoras da ambiência, da caraterização e do panorama politico e social da época e dos contextos em que António de Cértima viveu (1894-1983) a nível nacional, mas também internacional. Nado em Giesta, Oliveira do Bairro, fez os primeiros estudos ainda em Aveiro, assim como as primeiras colaborações com jornais locais, convivendo com nomes grandes do meio como Alberto Souto, Lourenço Peixinho, Homem Christo, Mário Duarte, entre outros, passando rapidamente a sua intervenção também para o meio portuense e lisboeta. Iniciou a carreira diplomática em 1926 como vice-cônsul no Suez, Egito, transferindo-se de pois como cônsul para Dacar, no Senegal. Em 1932 transitou para o Consulado de Sevilha onde testemunhou os difíceis anos da Guerra Civil Espanhola e da Segunda Grande Guerra.

O acervo que a UA detém é potenciador de abordagens e estudos tanto em termos da obra literária, como do percurso diplomático e jornalístico de António Cértima e da sua intervenção no contexto nacional da época.

Esta exposição está patente na sala de exposição Hélène de Beauvoir até 15 de janeiro de 2018, de segunda a sexta entre as 09h00 e as 20h00, encerrando às 18h00 aos sábados.

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