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Antiga aluna UA - Liliana Ferreira, mestre em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações e doutorada em Engenharia Informática
Fraunhofer Portugal: "O desafio constante, a evolução e a aprendizagem"
Liliana Ferreira
É desde setembro diretora da Associação Fraunhofer Portugal AICOS, um centro de investigação criado em 2008, no Porto, pela Fraunhofer-Gesellschaft, a maior organização de investigação aplicada da Europa, e pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã. Mestre em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações e doutorada em Engenharia Informática pela UA, Liliana Ferreira é, aos 37 anos, uma das mais novas diretoras a assumir os destinos de um centro de investigação da organização alemã Fraunhofer.

Chegou em 2002 ao Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática (DETI) da UA para realizar o Mestrado em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações. Para trás ficava a Universidade do Porto onde se licenciou em Matemática Aplicada à Tecnologia. Concluiu o Mestrado em 2005 e em 2007 avançou, também no DETI, para o Doutoramento em Engenharia Informática. Esta última formação, em 2012, valeu-lhe o prémio de "Melhor Tese de Doutoramento em Processamento Computacional da Língua Portuguesa" pela PROPOR, a conferência internacional que premeia as melhores teses em Processamento Computacional.

"Escolhi fazer o estágio final de licenciatura na UA seguindo o conselho de um professor da licenciatura, que me indicou a qualidade do grupo de processamento de voz e robótica da academia de Aveiro e das suas atividades no Instituto de Engenharia Eletrónica e Telemática de Aveiro (IEETA).

O professor merecia todo o meu respeito e confiança, e não me enganou", lembra Liliana Ferreira. A prova disso, sublinha, é que acabou por ficar uma década na UA não só enquanto estudante, mas, igualmente, enquanto investigadora do IEETA.

E é à década de Aveiro que regressa sempre que pode pela memória, mas também de corpo inteiro ou não fosse a cidade dos canais a casa de tantos amigos, a terra onde o filho mais velho nasceu e o local onde conheceu os professores que a orientaram e "ensinaram que é possível ser profissional, ser competente, ser exigente e, ao mesmo tempo, ser correto, compreensivo e acolhedor".

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Nunca teve dúvidas de que queria estudar Matemática e que queria “estar numa empresa, fazer coisas".

Da UA para o mundo

De Aveiro, a investigadora Liliana Ferreira seguiu viagem. Nos últimos cinco anos foi presidente do Conselho Científico da Fraunhofer Portugal, investigadora no Fraunhofer Portugal AICOS e, a partir de 2016, investigadora de Informática para a Cardiologia na Philips Research, em Eindhoven, na Holanda. Atualmente, para além de ser a diretora do Fraunhofer Portugal AICOS, dá também aulas na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Com trabalhos científicos desenvolvidos para diversas organizações, como a IBM Research & Development, em Böblingen, na Alemanha, o Ubiquitous Knowledge Lab da Universidade Técnica de Darmstadt e a Universidade de Tübingen, Liliana Ferreira tem vários artigos publicados em revistas científicas e vários capítulos de livros.

Sempre soube a profissão que queria seguir? "Tendo escolhido uma formação académica inicial em Matemática – sobre a qual nunca tive dúvidas – dizia constantemente que queria estar numa empresa, fazer coisas", explica. "Percebi ao longo do tempo que a investigação de utilidade prática, a inovação com potencial impacto a curto prazo na vida das pessoas, mas que considera também os desafios da introdução no mercado e da utilização em ambientes reais, era o conceito que tentava transmitir", aponta Liliana Ferreira.

Uma missão cheia de desafios

A Fraunhofer Portugal tem como missão promover a investigação aplicada com o intuito de fomentar o desenvolvimento económico e, simultaneamente, dar resposta a um conjunto de necessidades da população. É uma associação sem fins lucrativos, reconhecida pelo Estado Português como pessoa coletiva de utilidade pública. Atualmente tem também um antigo aluno da UA, Pedro Almeida, como diretor executivo. Com sede no Porto, foi criada, em 2008, pela Fraunhofer-Gesellschaft a maior organização de investigação aplicada da Europa, e pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã.

O Fraunhofer Portugal AICOS (Research Center for Assistive Information and Communication Solutions) é o primeiro centro de investigação da Fraunhofer em Portugal e resulta de uma parceria estratégica entre a Fraunhofer-Gesellschaft e a Universidade do Porto.

O centro atua em duas grandes áreas: Ambient Assisted Living e Tecnologias de Informação e Comunicação para o Desenvolvimento. Direcionada para dois grupos de utilizadores prioritários – os idosos e as populações de países em desenvolvimento –, a investigação desenvolvida no Fraunhofer Portugal

AICOS tem como intuito criar soluções tecnológicas inovadoras e intuitivas e facilitar o acesso às Tecnologias de Informação e Comunicação.

"O desafio constante, a evolução e a aprendizagem", que implica estar à frente da Fraunhofer Portugal AICOS é o que, na nova missão profissional, mais fascina Liliana Ferreira. Isso e ter oportunidade de aceitar diferentes desafios que a levam permanentemente a diferentes locais, culturas e formas de trabalhar.

À academia de Aveiro diz que deve "o conhecimento particular nas áreas da informática, do processamento da língua, da representação de conhecimento, juntamente com o contacto próximo com os profissionais de saúde, que permitiu validar frequentemente as premissas em que baseamos o trabalho". Ensinamentos que foram essenciais para o seu percurso profissional. "Todas as experiências vividas durante os anos em que estive na UA permitiram também firmar as outras competências – normalmente denominadas por soft skills, people skills – tão importantes como as anteriores", diz.

Nota: este artigo foi publicado na edição número 28 da revista Linhas

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