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UA assinala 44 anos com elogios de Marcelo e com 'Honoris Causa' para corpo/vida/obra de Olga Roriz
“Continuar a ser um Campus que Pensa, sem deixar nunca de ser um Campus que Sente”
A atribuição do
“Razão, dimensão social, emoção são facetas indispensáveis na vida de cada indivíduo. Por isso, decidimos que o 44.° aniversário enfatizasse essa componente da emoção”, justificou o Reitor da Universidade de Aveiro (UA), durante a sessão de aniversário da instituição. Essa dimensão dominou a sessão, quer através do Doutoramento Honoris Causa atribuído à bailarina e coreógrafa Olga Roriz, quer através da presença do Presidente da República.

“Quarenta e quatro anos volvidos, o tempo atesta a riqueza dos caboucos, a imaginação do sonho sonhado e realizado, a juventude da visão de futuro.”, afirmou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no final da sessão que assinalou 44 anos da Universidade de Aveiro (UA). “Vir a Aveiro é vir entender razões de portugalidade serena, operosa e vencedora. Vir a esta Universidade, mais ainda do que evocar, saudoso, uma razão de viver a menos de um ano da jubilação, é vir à antevisão de mais ciência, mais arte, mais cultura, mais riqueza, mais justiça, mais vontade indómita de refazer Portugal. Por tudo isso, que é o vosso notável quotidiano de serviço à comunidade, Portugal vos agradece.”, rematou Marcelo Rebelo de Sousa.

Ao fazer o balanço do ano, o Reitor considerou como “o mais importante que se fez acontecer” o “retomar uma política de recursos humanos que as regras de gestão orçamental, anteriormente, inibiam”. Manuel António Assunção sublinhou 2017 como “um ano muito fértil” nas frentes de investigação e cooperação: “Tendo presente a realidade Parque de Ciência e Inovação, num extremo, e o Centro Académico Clínico que deverá resultar da ação conjunta com o Centro Hospitalar do Baixo Vouga e a Câmara Municipal, no outro extremo, vamos dispor, num futuro próximo, de um contínuo de áreas adjacentes que ultrapassam 150 hectares e que configuram um autêntico campus de inovação, tendo a UA no centro.” Salientou ainda as notáveis evoluções, no desporto, no ensino, “com os alunos de mérito excecional a atingirem o patamar dos 100 pela primeira vez” e o “constante crescimento do número de estudantes estrangeiros”, “em representação de – outra marca histórica – 88 países”. 

Pelo meio, o Reitor lamentou: “Mudam-se as políticas, de um governo para outro, em sucessivos ‘stop and go’, com elevadíssimos custos de contexto. Alteram-se regras, os prazos não se repetem, as tipologias estão em constante mutação, como é o caso da FCT. O Estatuto Fundacional avança, depois trava, agora talvez avance outra vez. Explicita-se uma legítima preocupação pelo emprego científico, porém retiram-se condições às universidades para acolherem mais investigadores e terem mais atividade de pesquisa.” Manuel António Assunção não deixou de criticar ainda a “embrulhada – ou equívoco, se preferirem assim” que “levou a não ter sido ainda transferido para as instituições, o que em razão de compromisso, assumido ao mais alto nível, lhes é devido encerra muito desta duplicidade de comportamentos”.

Pelo mesmo diapasão alinhou o presidente da Associação Académica da UA. “Devemos continuar a trilhar o nosso caminho e alertar as lideranças que o êxito do futuro, apenas será garantido, caso não continuemos sistematicamente a assistir aos erros do passado”. “O Relatório ‘Estado da Educação 2016’ permite constatar que estamos perante o valor mais baixo desde 2012. E esta visão representa políticas que poderão originar um desequilíbrio no desenvolvimento de Portugal a médio-longo prazo.” Xavier Vieira fez questão de sublinhar: “Estes 44 anos da UA, revelam um passado de sucesso, que deverá servir de referência para o contínuo investimento na Educação das próximas gerações de Portugal.”

A sessão comemorativa dos 44 anos da UA incluiu, para além de um balanço do ano e da evocação do aniversário, marcante nos discursos do Reitor, Manuel António Assunção, e do Presidente da República, a atribuição do Doutoramento Honoris Causa à bailarina e coreógrafa Olga Roriz. Da sessão, constou ainda a apresentação do livro “Universidade de Aveiro – causa Honoris”, de Idália Sá-Chaves e Jorge Carvalho Arroteia, a formalização da entrega do Prémio Literário Aldónio Gomes a Manuel Córrego e a atribuição de prémios aos melhores alunos da UA.

Razão, dimensão social, emoção

Um tema dominou a sessão. “Razão, dimensão social, emoção são facetas indispensáveis na vida de cada indivíduo. Por isso, decidimos que o 44.° aniversário enfatizasse essa componente da emoção; e daí advém o mote para um Campus que Sente que é o pano de fundo desta sessão comemorativa.”, destacou o Reitor. Assim, explicou, “o doutoramento Honoris Causa de Olga Roriz sublinha essa atenção para com as emoções e para com o sentir, que importa não descurar. A Arte é uma fonte emocional por excelência.”

Ao pedir a atribuição do Doutoramento Honoris Causa a Olga Roriz, a madrinha da doutoranda, Otília Martins, professora do Departamento de Línguas e Culturas, afirmou: “Olga Roriz é, hoje, e desde há muito, um nome cimeiro do espaço cultural e artístico português, situando-se, indubitavelmente, entre os maiores intérpretes da nossa contemporaneidade. A dança é, segundo palavras da própria, ‘a [sua] forma de estar, de [se] recriar e de viver. Sempre foi assim, cada vez mais intensamente e está à frente de tudo. Não há dúvidas. É o [seu] modo de vida.’”

À enorme honra que disse sentir pela distinção da UA, Olga Roriz associou “responsabilidade, disciplina e esforço acrescidos”: “Assim, espero não dececionar esta Universidade com o meu desempenho futuro”.

No momento de olhar para trás, a nova Doutora Honoris Causa lembrou: “Estou aqui porque estive em todo o lado, seja física, ou mentalmente. Estou aqui porque me acompanharam os melhores artistas, sejam os que estão sob as luzes quentes dos projetores ou os que, na sombra, projetaram cada detalhe. Estou aqui porque, algures há muito tempo atrás, um pai e uma mãe, loucos de tanto querer, acreditaram naquela criança destinada à dança para sempre”.

No final do seu discurso, o Reitor assinou o que poderá ser lido como uma mensagem para os tempos futuros: “Teremos que continuar a ser um Campus que Pensa. Contudo, não deveremos olvidar que fomos sempre e não poderemos deixar nunca de ser um Campus que Sente.”

As fotografias da sessão estão disponíveis através do hyperlink https://photos.app.goo.gl/6DtGU2fFs9dMUBRh1

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