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Entrevistas
Antigo aluno UA - Yuri Marchese, mestre em Música
“Toco guitarra e as pessoas me pagam por isso. Não há trabalho melhor!”
Yuri Marchese (foto de Gustavo Rampini)
O som da guitarra de Yuri Marchese conquistou em novembro, no Rio de Janeiro, o Concurso Jovens Músicos - Música no Museu, uma das mais importantes competições de música clássica do Brasil. Mestre em Música pela Universidade de Aveiro (UA), aquele que já é um dos grandes nomes brasileiros da guitarra, entre o amor, as amizades e o estudo, viveu em Aveiro uma época que marcará para sempre a carreira e a vida.

Nascido há 28 anos em Vitória, capital do estado brasileiro de Espírito Santo, Yuri Marchese concluiu em 2016 o Mestrado em Música do Departamento de Comunicação e Arte da UA.  Licenciado em Música pela Universidade Estadual de Londrina, o guitarrista já subiu aos palcos das maiores cidades do Brasil, de Portugal, de Espanha e da República Checa.

Para além do Concurso Jovens Músicos, Yuri Marchese, que para além de intérprete é professor há mais de uma década, tem no currículo a conquista de outros prémios com destaque para o 1º lugar e melhor intérprete de música portuguesa no Concurso Internacional de Leiria (Portugal - 2017), o 1º lugar no VII concurso FITO (Brasil - 2012), o 2º lugar e Melhor Intérprete Capixaba no X Concurso Nacional Villa-Lobos (Brasil - 2013) e o 2º lugar no I Concurso Terras de Santo Estevão (Portugal - 2015).

Entre 2010 e 2014 foi bolseiro do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão. Em Portugal trabalhou no Conservatório Regional de Coimbra, no Conservatório de Música de Coimbra e no Conservatório David de Souza em Figueira da Foz.

Quais os motivos que o levaram a estudar na UA?

Eu tenho um primo, também músico, que fez mestrado e doutoramento na UA. O nome dele é Fernando Chaib. Quando eu me formei na licenciatura, em 2010, ele me incentivou bastante a conhecer o curso e ir estudar em Aveiro. Fui aprovado em 2011 e em setembro daquele ano me mudei para Portugal. Trabalhava num conservatório particular em Coimbra, cidade em que eu morava também. Por conta do início da crise e de atrasos nos salários dos professores eu tive que deixar Portugal somente quatro meses depois do início do mestrado. Muita gente foi contra, mas o meu professor Paulo Vaz de Carvalho foi um dos únicos que compreenderam a situação e disse que as portas estariam abertas caso eu quisesse retornar. Fiz as provas novamente em 2014, fui aprovado e dessa vez pude concluir o mestrado.

O curso correspondeu às suas expectativas? E a UA?

Eu já conhecia o formato do curso, das exigências dos trabalhos académicos e da didática do professor Paulo Vaz de Carvalho, portanto já sabia o que estava para vir.

O que mais o marcou na UA?

Em dois anos de convivência com a Universidade, muitas coisas nos marcam. Infelizmente nem todas são positivas, mas as negativas a gente enterra e segue em frente. Houve uma época marcante que não se deu na UA, mas sem ela não teria acontecido, que foi conhecer minha esposa com pouquíssimo tempo depois do meu retorno a Aveiro, em 2014. Ela é a Taíssa Cunha, também mestre pela UA e pianista acompanhadora da Academia de aveiro, entre 2014 e 2017. Nos casamos em 2016 e agora em novembro nos mudamos para o Brasil.

Outra época muito boa foi, por incrível que pareça, a reta final da escrita da tese de mestrado! O trabalho da escrita eu devo admitir que, mesmo depois da tese entregue, me tirava um pouco o sono, mas foi a época em que eu morava num prédio no Bairro do Liceu e era vizinho de dois grandes amigos que estavam na mesma reta final. Eram eles o Natanael Fonseca, que foi meu professor na licenciatura no Brasil, depois foi meu professor particular de guitarra clássica e virou colega de classe no mestrado em Aveiro. E o Daniel Cavalcante, trompetista, que nos conhecemos na UA e nos tornámos bons amigos. Foi uma época de muito estudo, muita conversa de guitarra e, óbvio, reconhecimento do que há de melhor em vinhos portugueses!

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Recordar a UA: “Foi uma época de muito estudo, muita conversa de guitarra e, óbvio, reconhecimento do que há de melhor em vinhos portugueses!”

Sempre soube a profissão que queria seguir?

Sim. Comecei a tocar guitarra aos 12 anos e desde a primeira aula eu quis me tornar músico.

Como descreve a sua atividade profissional?

Eu sou performer, ou seja, eu toco guitarra e as pessoas me pagam por isso. Não há trabalho melhor! Também sou professor há 15 anos e eventualmente organizo eventos de guitarra clássica. Inclusive essa parte de produção foi feita um pouco em Aveiro. Alguns alunos brasileiros da guitarra, com a ajuda do professor Paulo Vaz de Carvalho, realizaram a série Irmão Violão, que consistia em concertos de música brasileira para guitarra, pelos alunos brasileiros. Eu fui um dos organizadores da última edição, em 2016, que teve quase uma dezena de recitais realizados no Museu Arte Nova.

O que mais o fascina na sua atividade profissional?

A versatilidade da guitarra clássica, principalmente a brasileira, e o mundo de repertório que tenho para tocar até o fim da vida.

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício da sua atual atividade?

Escrever uma tese de mestrado abriu-me a mente definitivamente no que se refere a pensar a performance e em maiores detalhes do som e da preparação de um repertório. O professor Paulo Vaz de Carvalho é um dos maiores professores de guitarra que já conheci e a quem tive a sorte de ter sido aluno. A fixação (palavra que ele vai odiar eu ter dito) dele pela melhor qualidade possível de um som de guitarra (clareza, potência, brilho, etc.) podem parecer um pouco demais na primeira impressão, mas depois que entendemos como esse trabalho dele incrementa nossa maneira de tocar, percebemos o quanto ainda podemos crescer no nosso instrumento. Eu saia das aulas do ‘PVC’ amando mais ainda a guitarra e a música, duas coisas fundamentais para o exercício da minha profissão.

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