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Entrevistas
Antigo aluno UA – Paulo Fontes, licenciado em Contabilidade
Missão de vida em prol da causa pública
Paulo Fontes
É hoje um dos motores do Gabinete do Secretário de Estado da Juventude e do Desporto quando o assunto é a cooperação internacional. Licenciado em Contabilidade pelo Instituto Superior de Contabilidade e Administração da Universidade de Aveiro (ISCA-UA), Paulo Fontes foi presidente da Associação Académica da UA (AAUAv) e diretor da Federação Europeia de Associações de Estudantes. Ontem, tal como hoje, a sua luta é pela construção de pontes rumo ao futuro.

Entrou na UA em 1992 pela porta da Licenciatura em Engenharia do Ambiente. Acabaria por mudar para o ISCA-UA e licenciar-se em Contabilidade. Em 1996 iniciou um caminho na AAUAv que lhe haveria de mudar a vida. Começou como vogal da direção com responsabilidades pelo pelouro pedagógico, seguiu-se o pelouro da informação e, em 2000, foi eleito presidente dos estudantes. Em 2001, depois de terminar o mandato, foi ainda eleito presidente da Mesa da Assembleia Geral da AAUAv.

Depois do curso concluído, foi secretário executivo do Fórum Académico para a Informação e Representação Externa e fez parte do Comité do Processo de Bolonha da Federação Europeia de Associações de Estudantes, estrutura que assegurava a representação dos estudantes europeus nas reuniões oficiais do processo.

Em 2006 mudou-se para Bruxelas onde esteve à frente da Federação Europeia de Associações de Estudantes. Regressou a Portugal em 2008 para frequentar a 9ª Edição do Curso de Estudos Avançados em Gestão Pública (CEAGP) do INA tendo ao mesmo tempo trabalhado com a Associação de Desenvolvimento do Instituto Superior Técnico e com a Fundação Calouste Gulbenkian. Seguiu-se a missão no Núcleo de Gestão da Qualidade dos Serviços Centrais do Instituto de Segurança Social, onde se dedicou à análise e gestão de processos, aplicação de ferramentas de avaliação da qualidade e mais recentemente à Gestão do Risco e Fraude.

Convidado em 2016 a integrar o Gabinete do Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Paulo Fontes tem em mãos a missão de lidar com a cooperação internacional ao nível europeu, ibero-americano e na Comunidade de Países de Língua Portuguesa onde integra a secretaria-geral da Conferência de Ministros de Juventude e Desporto. Acompanha ainda as organizações públicas relevantes na área da juventude e do desporto em aspetos orçamentais, de modernização administrativa e de desenvolvimento organizacional.

Quais os motivos que o levaram a estudar na UA?

Tive o privilégio de conhecer a UA ainda enquanto estudante do secundário na área de Quimicotecnia e foi de facto a universidade onde vim fazer as provas específicas. No secundário ainda estive envolvido na criação e atividade de uma associação juvenil de carácter ambientalista pelo que naquela altura a escolha do Curso de Engenharia do Ambiente em Aveiro foi a minha primeira opção de ingresso no ensino superior.

O curso correspondeu às suas expectativas? E a UA?

Acabei por não terminar o curso de Engenharia do Ambiente apesar de ter feito uma parte significativa do currículo, em parte por causa do intenso envolvimento que mantive com a Associação Académica entre 1996 e 2000 e também porque a componente de engenharia acabou por não ser aquilo que procurava em termos de futuro profissional. No final do meu envolvimento com a Associação Académica tive de fazer uma opção: recuperar as bases teóricas, entretanto algo esquecidas, retomar o curso ou então mudar de área. Acabei por optar por reorientar o meu curso para a área da Administração Pública dada a minha experiência a lidar com diversas entidades públicas na Associação Académica. Com esta mudança tive a oportunidade de passar por outras escolas e departamentos da UA (ESTGA, ISCA, Ciências Sociais, Políticas e do Território). Assim, e por culpa minha, não posso dizer que o meu primeiro curso correspondeu às expectativas. Mas posso claramente dizer que o ambiente académico e as experiências que pode vivenciar nos anos que estive na UA excederam as minhas expectativas iniciais e moldaram de forma indelével a pessoa que sou hoje.

O que mais o marcou na UA?

Como já disse, vivi de forma muito intensa a academia, pelo que são inúmeros os momentos e as pessoas marcantes. Sob pena de me esquecer de algum fundamental gostaria de referir alguns professores que me ficam na memória como o professor Marques da Silva (Departamento de Geociência), o professor António Luís (Departamento de Biologia), os professores Marco Pimpão e Ana Melo (ESTGA) e depois outros dos quais não fui aluno, mas com quem pude privar de forma franca no exercício das diversas funções de representação como os Reitores Júlio Pedrosa, Isabel Alarcão, Renato Araújo, Helena Nazaré, os professores Carlos Borrego, Artur da Rosa Pires, Fernando Nogueira, David Vieira, Jorge Arroteia, Teresa Andresen, entre tantos outros. Não poderia também deixar de mencionar o Mestre Hélder Castanheira nas suas funções de Administrador dos Serviços da Ação Social da UA, um apoio fundamental no trabalho que na altura se fazia na Associação Académica.

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Todas as soft skills desenvolvidas com a intensa atividade extracurricular na UA ajudam hoje Paulo Fontes a ser um “resolvedor de problemas todo-o-terreno”

Sempre soube a profissão que queria seguir?

Não, ainda hoje não sei.

Como descreve a sua atividade profissional?

Não são palavras minhas, mas alguém me descreveu recentemente como um resolvedor de problemas todo-o-terreno, aparentemente pela minha facilidade de me apropriar da informação de campos de conhecimento diferentes e da capacidade de construir compromissos com os envolvidos. Assim, de uma forma simplificada, é isso que tenho vindo a fazer na Segurança Social e continuo a fazer nas funções necessariamente temporárias de apoio ao Gabinete do Secretário de Estado da Juventude e Desporto. Acaba por ser o meu passado associativo, quer ao nível das associações de estudantes, quer ao nível das organizações desportivas, associado às ferramentas que fui adquirindo no meu percurso académico, que me permitem dar um contributo que espero seja avaliado como positivo.

O que mais o fascina na sua atividade profissional?

Na realidade, o que me motiva no trabalho que faço é a possibilidade de melhorar pequenas peças nas engrenagens organizacionais e através dessas mudanças graduais melhorar a forma como todos vivenciamos a nossa relação com o Estado e com a Administração Pública. Nas funções atuais foi-me também permitido retomar a vivência internacional que experienciei no início da minha carreira profissional e essa é, também, uma atividade muito motivadora e inspiradora.

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício da sua atual atividade?

Claramente competências académicas importantes no domínio do Direito Administrativo, da gestão orçamental e da modernização administrativa, entre outras, que pude apreender na segunda fase da minha formação académica, não esquecendo alguma da formação nas ciências naturais da primeira parte. Tão ou mais importantes também, todas as chamadas soft skills que vieram com a intensa atividade extracurricular que me permitiu, num espaço seguro, tentar e falhar as vezes necessárias para que essas experiências se tornassem aprendizagens e competências fundamentais.

De que forma o associativismo marcou o seu percurso de vida/profissional?

Penso que já deixei algumas pistas para quão marcante foi o meu percurso associativo na pessoa que sou hoje. Reconheço que foi um percurso pouco canónico e que só foi possível graças à compreensão de familiares e amigos.

Que memórias destaca desse período?

As intermináveis e intensas segundas-feiras das reuniões de direção, a forma intensa como todos os envolvidos vivemos esses anos e nos influenciámos mutuamente no nosso crescimento e na nossa transição para a vida adulta. Amizades que ainda hoje perduram e justificam uma almoçarada anual no bar dos funcionários no fim-de-semana seguinte ao dia de aniversário da AAUAv. Os primeiros anos do Jornal Univercidade, a mudança de paradigma na receção aos novos alunos, a construção da nova sede, a descida cultural do Vouga, a introdução das ACD's desportivas e culturais, o lançamento dos núcleos de curso, o iniciar da internacionalização do movimento associativo estudantil. Tudo coisas para as quais pude de alguma forma contribuir, mas de forma nenhuma seriam possíveis sem um trabalho de equipa exemplar.

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