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Distinções
Devido a projeto de educação científica implementado em escolas portuguesas
Professora Isabel P. Martins distinguida com Prémio Ciência Viva Montepio Educação 2017
Isabel P. Martins
Pelo papel fundamental que tem tido na mudança de paradigma do ensino das ciências em Portugal, Isabel P. Martins, professora aposentada da UA, é distinguida no dia 24 de novembro com o Prémio Ciência Viva Montepio Educação 2017.

Os Prémios Ciência Viva Montepio 2017 foram instituídos em 2012, pela Agência Ciência Viva e pelo Montepio Geral, com o objetivo de reconhecer o papel central da cultura científica e tecnológica na sociedade portuguesa e de esforços individuais e coletivos na sua promoção.

A atribuição do Prémio Ciência Viva Montepio Educação 2017 a Isabel Martins é o reconhecimento público do papel fundamental que esta professora aposentada da UA tem tido “na mudança de paradigma do ensino das ciências em Portugal, com o reconhecimento da necessidade de incluir práticas laboratoriais e investigativas em todo o percurso educativo das crianças”. O galardão põe em evidência toda a sua “carreira como investigadora e professora na área das ciências da educação, tendo produzido conhecimento, recursos educativos e formado equipas que permitiram essa mudança”, salientando o grande esforço que Isabel Martins tem realizado no sentido de “fundamentar essa mudança”, apesar do “longo caminho que ainda há a percorrer para que todas as crianças possam ter acesso a uma educação em ciências de qualidade”.

Professora catedrática aposentada do Departamento de Educação e Psicologia da UA, Isabel P. Martins é licenciada em Química na Universidade de Coimbra, com estágio pedagógico na Escola José Falcão (Coimbra), doutora em Ciências da Educação/ Didática das Ciências pela UA, onde ingressou em 1981 e onde desenvolveu e coordenou projetos de investigação na área da didática das ciências e da formação de professores e compreensão pública da ciência.

Durante a sua carreira assumiu responsabilidades ao nível da direção de curso, da coordenação de alguns graus de ensino, da comissão científica e da direção pedagógica de curso, da assessoria pedagógica da direção do Departamento, entre outros. É autora de várias publicações e revistas científicas, manuais escolares e comunicações apresentadas em congressos nacionais e internacionais, tendo sido coordenadora de reuniões científicas internacionais.

Foi vice-reitora para a Pós-Graduação e Assuntos Científicos da UA entre 2004 e 2010, tendo acompanhado a implementação da Declaração de Bolonha na UA. Teve uma forte intervenção como investigadora e docente na implementação em Portugal da formação específica para a docência no ensino secundário e na implantação da formação pós-graduada nesta área que incluiu também a Educação em Ciências para professores do 1º ciclo. Isabel Martins foi uma presença regular nos concursos Ciência Viva para a melhoria de ensino experimental das ciências, aliando a investigação à ação nas escolas do 1º ciclo de Aveiro. Entre 1996 e 2001 sucessivos projetos permitiram levar práticas de ensino experimental das ciências a todas as crianças da cidade de Aveiro e concelhos limítrofes. Em paralelo, a introdução das ciências na formação inicial e contínua de professores do 1º ciclo e de educadores de infância, a criação de espaços laboratoriais para que esse ensino pudesse ter qualidade e a criação de recursos educativos para apoiar a prática letiva dos professores nas escolas foram marcos importantes para que se começasse a esboçar uma mudança de paradigma relativamente ao ensino das ciências nos primeiros anos da escolaridade.

Em 2006, Isabel P. Martins foi convidada pela Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, a desenhar e acompanhar um Programa de Formação de Professores para o Ensino Experimental das Ciências no 1.º Ciclo. Este programa, que decorreu entre 2006 e 2010, foi desenvolvido com quatro universidades e 14 politécnicos para desenvolver a formação inicial de professores, qualificando-os para despertar o gosto pela aprendizagem das ciências e para melhor ensinarem ciência ligada aos contextos sociais e quotidianos. Foi com este espírito que esteve à frente de outros projetos, como a elaboração dos currículos de Química para o ensino secundário, também a convite do ministério da Educação, em vigor entre 2002 e 2004; a organização dos seminários ibéricos de Ciência Tecnologia e Sociedade (CTS); e a constituição da Associação Ibero-Americana CTS de Educação em Ciências, de que foi presidente.

Nos anos mais recentes coordenou uma equipa multidisciplinar de professores e investigadores da UA e de outras universidades e professores do ensino secundário na elaboração dos programas de 14 disciplinas do 10º, 11º e 12º anos de escolaridade, respetivos manuais para alunos e guias de professor, no âmbito da “Reestruturação Curricular do Ensino Secundário Geral em Timor-Leste”.

Em 2014, Isabel P. Martins foi homenageada pela Universidade de Aveiro pela sua contribuição para a Educação em Ciências.

 

A atribuição do prémio tem lugar no Dia Nacional da Cultura Científica, 24 de novembro, às 16h00, na Galeria da Biodiversidade - Centro Ciência Viva, no Porto. No mesmo dia é entregue o Grande Prémio Ciência Viva Montepio a Carlos Fiolhais, por causa da sua intervenção de mérito na divulgação científica e tecnológica em Portugal, e o Prémio Ciência Viva Montepio Media às jornalistas Filomena Naves e Teresa Firmino, distinguindo o seu trabalho de mérito excecional na divulgação da ciência e da tecnologia em órgãos de comunicação social portugueses.

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