conteúdos
links
tags
Cultura
Concerto na Sé de Aveiro e outros articulados com o evento Electroacoustic Winds
Barroco e contemporâneo nos Festivais de Outono da UA
Festivais de Outono 2017 dão a ouvir órgão da Sé e ventos eletroacústicos
Eventos em parceria com a Conferência Internacional Electroacoustic Winds (EAW) marcam os concertos desta semana nos Festivais de Outono 2017 (FO2017). No dia 14, às 18h00, os FO propõe um concerto de Lori Freedman, em articulação com o EAW. Dia 15, às 18h00, volta a parceria com o EAW, através de “Itinerário do Sal”, de Miguel Azguime. Ainda no dia 14, há um outro concerto com compositores do período barroco, com o Ludovice Ensemble e a soprano Eugénie Warnier, na Sé de Aveiro, às 21h30. Ou seja, os próximos dias são de barroco e contemporâneo nos Festivais de Outono da UA.

Em parceria com a Conferência Internacional Electroacoustic Winds (http://eaw.web.ua.pt/), que decorre de 13 a 17 de novembro, na UA, a compositora e clarinetista canadiana Lori Freedman e Pierre Hébert (multimédia) interpretam “Bridging” no dia 14, a partir das 18h00, no auditório do Departamento de Comunicação e Arte (DeCA) da UA.

Para além de encomendas e convites de diversas instituições, agrupamentos musicais e festivais, Lori Freedman em tocado ao vivo em muitos locais do globo. Ainda este ano, foi eleita fellow da Royal Society do Canadá, passados 20 anos de ter sido galardoada com o Prémio Freddie Stone pelas “demonstrações de liderança extraordinária, integridade e excelência na área da música contemporânea e jazz”. Tocou com nomes sonantes da música contemporânea, improvisada e jazz, tais como: Joëlle Léandre, Mauricio Kagel, Rohan de Saram, Frances-Marie Uitti, Philippe Leroux, Jack Quartet, George Lewis, Helmut Lachenmann e Richard Barrett.

Pierre Hébert trabalhou para o National Film Board do Canadá, entre 1965 e 1999, onde realizou mais de 20 curtas metragens e uma reportagem (La Plante humaine, Melhor Reportagem do Quebec, 1996). Atualmente, é um artista e realizador independente e o seu projeto principal é a série de filmes “Places and Monuments”, pela qual recebeu, em 2012, o Prémio de Careira em Cinema atribuído pelo Conselho das Artes e Letras do Québec.

Ainda no âmbito da parceria entre os Festivais de Outono e a EAW, dia 15 de novembro, às 18h00, no auditório do DeCA, o percussionista, poeta e compositor Miguel Azguime interpreta a ópera eletroacústica “Itinerário do Sal”. “Itinerário do Sal” é um paradigma da aliança entre criatividade, tecnologia e inovação nas artes performativas, aliando de forma singular tradição e contemporaneidade, teatro, música e imagem. Esta composição é a concretização de um trabalho de criação sobre a escrita: sobre a escrita musical, sobre a escrita poética, sobre a escrita gestual do músico/ator e da sua própria imagem, onde a voz é o prolongamento do corpo e do pensamento do poeta. Eis, portanto, a simbiose entre a essência da palavra e a evolução do Ser, apresentada na forma de uma nova dramaturgia designada por Ópera Eletroacústica.

Barroco

Ainda no dia 14 de novembro, a partir das 21h30, na Sé de Aveiro, o Ludovice Ensemble e Eugenie-Warnier interpretam Tenebræ, do compositor francês Michel-Richard De Lalande, do período barroco, para além de outros compositores.

Michel-Richard de Lalande é um dos maiores compositores franceses de todos os tempos. Foi Maître de Musique de La chapelle e Surintendant de la musique de la Chambre da corte de Louis XIV e de Louis XV, para além de ser um eminente cravista e organista. Distinguiu-se sobretudo na composição de Grands Motets para a Capela Real, mas escreveu também abundante música profana, vocal e instrumental, como as célebres Symphonies pour les Soupeurs du Roy. As três Leçons de Ténèbres de Michel-Richard de Lalande faziam inicialmente parte de um conjunto de nove obras, escritas para os Ofícios das Trevas da Semana Santa: Quinta-Feira, Sexta-Feira e Sábado. Apenas a terceira lição para cada dia sobreviveu. Escritas cerca de 1711 para o Convento das Dames de l'Assomption - um convento onde se recolhiam damas da mais alta nobreza - foram interpretadas pelas filhas de De Lalande, tragicamente falecidas nesse mesmo ano.

Como, infelizmente, nenhuma obra de De Lalande para órgão sobreviveu, completa-se o programa com obras de três grandes organistas franceses seus contemporâneos: Marchand, Raison e Du Mage.

Programa - Bridging, com Lori Freedman e Pierre Hébert

14 de novembro, terça-feira, 18h00, Auditório do Departamento de Comunicação e Arte – Universidade de Aveiro

Lori Freedman (clarinetes/electronics)

Pierre Hébert (multimédia)

Lori Freedman - To the Bridge

Salvatore Sciarrino - Let me die before I wake

Monique Jean - low memory #3

Raphaël Cendo - Décombres

Lori Freedman e Pierre Hébert – Scratch

 

Programa  - Michel-Richard De Lalande: Tenebræ, por Ludovice Ensemble e Eugenie-Warnier

14 de novembro, terça-feira, 21h30, Sé de Aveiro

Eugénie Warnier, (soprano)

Sofia Diniz, (viola de gamba)

Miguel Henry, (teorba)

Fernando Miguel Jalôto, (órgão)

André Raison (ca.1640-1719) Gravement au Grand Plein Jeu (1er Kyrie de la 3ème Messe)Livre d'Orgue contenant Cinq Messes [...] à Paris. 1688

Michel-Richard de Lalande (1657-1726) Troisième Leçon du Mercredi S.118 Les III Leçons de Ténèbres et le Miserere a voix seule du Feu Mr. De Lalande [...] à Paris. 1730

Louis Marchand (1669-1732) Plein Jeu - Fugue - Plein Jeu  Pièces d'orgue du Grand Marchand [...] 2ème Livre [5ème Livre] [ca. 1729]

Michel-Richard de Lalande  Troisième Leçon du Jeudi S.121  Les III Leçons de Ténèbres et le Miserere a voix seule du Feu Mr. De Lalande [...] à Paris. 1730 

Pierre Du Mage (1674-1751)  Plein Jeu - Récit - Grand Jeu 1er Livre d'Orgue contenant une Suite du premier Ton [...] à Paris. 1708 

Michel-Richard de Lalande  Troisième Leçon du Vendredi S.124  Les III Leçons de Ténèbres et le Miserere a voix seule du Feu Mr. De Lalande [...] à Paris. 1730

 

Programa - Itinerário do Sal - ópera eletroacústica

15 de novembro, às 18h00, no auditório do Departamento de Comunicação e Arte (DeCA) da UA

A primeira parte, aborda a questão da ausência do autor enquanto desdobramento e deslocação da sua personalidade criadora e põe em cena a própria cena.  A segunda parte é dominada pela pesquisa do gesto da escrita interpretado como gesto instrumental e portanto musical. A terceira parte dá corpo à palavra e dá-lhe imagem. A partitura do poema compõe o tempo. A criação toma conta do criador e volta a questão da loucura... dos seus limites, da cegueira causada pelo excesso de lucidez, pelo excesso de Ver.  No palco, o compositor e o poeta, juntos, um só que conduz através do seu mundo interior, do seu itinerário pessoal a que chama de Sal - o mesmo Sal que representa a sua resistência, a sua vontade, a sua essência e a sua multiplicidade. O Sal (substância fundamental) que nos surge também como manifestação de conhecimento e de sabor; o itinerário que é decerto o do criador, mas que é também e simultaneamente a imagem e à imagem de tantos outros itinerários, caminhos, trocas, inspirações, demandas.

Mais informações sobre os Festivais de Outono 2017:

http://www.ua.pt/festivaisdeoutono/2017/entrada

imprimir
tags
evento relacionado
 
outras notícias