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Entrevistas
Professora UA – Maria João Pires da Rosa, Departamento de Economia, Gestão, Engenharia Industrial e Turismo
Novo curso da UA reforça aposta na Engenharia e Gestão Industrial
Maria João Pires da Rosa
O Mestrado Integrado em Engenharia e Gestão Industrial (MIEGI) é uma das grandes novidades na oferta formativa da Universidade de Aveiro (UA) para o próximo ano letivo. Um curso novo que resulta de três décadas de ensino e de investigação dessas áreas da UA. A diretora da Licenciatura Maria João Pires da Rosa aposta numa sólida formação multidisciplinar alinhada com as necessidades do mercado de trabalho nos mais diversos sectores.

Professora do Departamento de Economia, Gestão, Engenharia Industrial e Turismo (DEGEIT) da UA desde há 14 anos, Maria João Pires da Rosa é licenciada em Engenharia Química pela Universidade de Coimbra e Doutorada em Gestão Industrial pela UA.

Membro do GOVCOPP - Unidade de Investigação em Governança, Competitividade e Políticas Públicas, do Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior, do The European Higher Education Society, do Consortium for Higher Education Researchers e da Associação Portuguesa da Qualidade, a investigadora Maria João Pires da Rosa é especialista nas áreas da gestão da qualidade, com especial enfoque no sector do ensino superior.

O que podem esperar os estudantes do MIEGI?

O MIEGI vai ser oferecido pela primeira vez no ano letivo de 2017/18, mas resulta da evolução natural da formação em Engenharia e Gestão Industrial que tem sido oferecida pela UA desde o ano letivo de 1988/89. Não é, portanto, uma oferta formativa nova no panorama nacional ou no panorama da UA. É um ciclo de estudos com muita tradição na UA, que foi objeto de uma revisão cuidada com o objetivo de melhorar a sua qualidade e que conta com um corpo docente dedicado e com grande experiência nesta área científica, quer ao nível do ensino e aprendizagem, quer da investigação.

Aos nossos estudantes oferecemos uma sólida formação e competências multidisciplinares, ao nível das ciências de base e das ciências aplicadas aos sistemas de engenharia, bem como conhecimentos de economia, gestão e tecnologias de produção. Tudo isto assente numa visão interdisciplinar e integradora, que tem por base a análise, o projeto, a melhoria do desempenho e o controlo de sistemas integrados de pessoas, materiais, equipamentos e energia.

Por outro lado, procuramos cada vez mais desenvolver nos nossos estudantes competências alinhadas com as necessidades do mercado de trabalho, pelo que oferecemos a possibilidade de realizar um estágio curricular no último ano do MIEGI, o qual permite uma imersão no contexto dos problemas e desafios que caracterizam as funções de um profissional de EGI.

Os mestres em Engenharia e Gestão Industrial da UA terão um perfil flexível e polivalente, sendo capazes de trabalhar em diferentes ambientes organizacionais, desempenhando funções na área da gestão das operações em empresas industriais dos mais diversos setores, empresas de serviços ou organismos públicos.

Qual é o segredo para se ser bom professor?

Sendo eu docente de Gestão da Qualidade, diria que um bom professor é alguém interessado em melhorar continuamente o seu desempenho. E isto não só no que se refere aos conteúdos e à forma de ensinar e apoiar os estudantes no seu processo de aprendizagem, mas também relativamente ao relacionamento com os próprios estudantes, escutando as suas opiniões, as suas dificuldades, as suas dúvidas e sucessos. No fundo, diria que o segredo para se ser um bom professor reside em se ser capaz de ser também um bom aluno, reconhecendo que não se sabe tudo e que não só se ensinam estudantes como também se aprende com eles.

O que mais a fascina na profissão docente?

Na profissão docente fascinam-me essencialmente três coisas. Uma é a possibilidade oferecida pela profissão de irmos aprendendo continuamente, quer porque temos que lecionar novas unidades curriculares ou explicar de forma diferente os mesmos conteúdos aos nossos estudantes, quer porque as atividades de investigação que desenvolvemos nos exigem a busca constante por novo conhecimento, ou novas formas de aplicação do conhecimento que já existe. Outra reside na diversidade de atividades que vamos desenvolvendo ao longo de cada dia, cada semana, cada mês e cada ano. Cada dia é um dia de trabalho novo, diferente do anterior, pelo que não existe propriamente uma rotina na nossa profissão. Finalmente, fascina-me nesta profissão a possibilidade de contacto com uma grande diversidade de outras pessoas, sejam elas os nossos estudantes, os nossos colegas docentes, os outros colegas com quem realizamos trabalho de investigação ou os técnicos administrativos e de gestão.

Que grande conselho daria aos alunos?

Antes de qualquer outro, dir-lhes-ia para procurarem sempre ser felizes. A felicidade traz consigo as outras coisas boas da vida, bem como a resiliência necessária para ultrapassar os diferentes obstáculos que vão surgindo.

Numa ótica mais ligada à sua formação académica, dir-lhes-ia para procurarem ir aprendendo sempre, com os docentes, com os outros colegas e com todas as pessoas com quem se forem cruzando ao longo da sua vida. Dir-lhes-ia igualmente para procurarem ser criativos, pensarem de forma diferente do habitual, trabalharem em equipa, experimentarem soluções inovadoras, não terem medo de partilhar as suas ideias sobre os mais variados assuntos, nem de as discutirem com outros. Finalmente, dir-lhes-ia para terem a humildade de admitir que não se sabe sempre tudo e que quando obtemos um determinado grau académico isso não significa que somos melhores ou sabemos mais do que os outros. E para serem trabalhadores, empenhados, honestos e leais.

Houve alguma turma que mais a tivesse marcado? Porquê?

Todos os meus estudantes de dissertação ou tese me marcaram muito, porque o contacto é necessariamente maior, mais próximo e porque trabalhamos em conjunto para que o resultado final seja o melhor possível. Depois, todas as minhas turmas de Gestão da Qualidade me têm deixado boas memórias. São genericamente estudantes de 3º e 4º anos, logo mais dedicados, mais focados e genericamente com vontade de ter um bom desempenho. Claro que há sempre alguns que acabam por nos ficar mais na memória, porque são mais conversadores, mais simpáticos, colocam mais dúvidas e tornam o ensino mais motivador e desafiante. Finalmente, há ainda aqueles que nos surpreendem, quando um dia, anos depois de terem sido nossos alunos, nos escrevem um email a dizer o quanto gostaram de nos ter tido como professoras e o quanto os marcámos durante o seu percurso académico. Receber mensagens destas foi das coisas mais gratificantes que já me aconteceram na vida.

Pode contar-nos um episódio curioso que se tenha passado em contexto de sala de aula ou com estudantes?

Dois episódios, que costumo contar a colegas e estudantes. Um é o caso de um estudante que veio ver o exame porque queria saber o que tinha errado; pensava que tinha acertado praticamente tudo e afinal só tinha tido 14. Lá fui buscar o exame, lá fui dizendo que 14 até era uma boa nota, que ele podia sempre vir melhorá-la… até que vemos o exame e afinal a nota era 19 – simplesmente eu não tinha contabilizado um dos grupos, que estava todo certo (5 valores). A partir daí insisto sempre como todos os estudantes para irem consultar as suas provas, não vá haver algum engano da minha parte… porque a verdade é que embora não devesse haver, às vezes o número de exames é tão grande, que estas coisas podem acontecer.

Outro passou-se também no meu gabinete, quando estava a tentar explicar a resolução de um exercício de estatística a um grupo de estudantes. Tentei várias abordagens, mas havia uma estudante que continuava sem perceber. E foi quando um dos outros lhe explicou como se resolvia o exercício de uma maneira totalmente diferente das minhas, mas muito mais bem conseguida. Nesse dia aprendi que com os estudantes podemos, de facto, aprender a ser melhores professores.

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Maria João Pires da Rosa garante: “Com os estudantes podemos, de facto, aprender a ser melhores professores”.

Traço principal do seu carácter

Boa disposição, otimismo, alguma “insustentável leveza do ser”

Ocupação preferida nos tempos livres

Ler, partilhar momento com amigos e família, dançar, viajar.

O que não dispensa no dia-a-dia

Uma gargalhada, conversar com as minhas filhas, um beijo…

O desejo que ainda está por realizar

Progredir na carreira académica. Viajar mais, comer melhor, ser mais amiga, …

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