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Entrevistas
Professora UA – Ana Isabel Miranda, Departamento de Ambiente e Ordenamento
A investigação e o ensino de mãos dadas por mais e melhor Ambiente
Ana Isabel Miranda
Cientista apaixonada desde sempre pelo Ambiente, especialista na qualidade do ar e nas alterações climáticas, Ana Isabel Miranda está há duas décadas ao serviço da investigação e do ensino no Departamento de Ambiente e Ordenamento (DAO) da Universidade de Aveiro (UA). Pioneiro no estudo e ensino do Ambiente em Portugal, a professora que adora passear à beira-mar garante que o DAO “continua a dar formação de excelência, num esforço constante de atualização e de antecipação de necessidade”.

Licenciada em Engenharia do Ambiente (atual Mestrado Integrado em Engenharia do Ambiente) e doutorada em Ciências Aplicadas ao Ambiente, formações que realizou na sua casa de sempre enquanto aluna e professora, o DAO, Ana Isabel Miranda é responsável por várias unidade curriculares do Mestrado Integrado em Engenharia do Ambiente e do Mestrado em Estudos Ambientais/Joint European Master in Environmental Studies (JEMES).

Professora Catedrática, vice-diretora do DAO e diretora do Programa Doutoral em Ciências e Engenharia do Ambiente, tem incidido a sua atividade de investigação na área da qualidade do ar e das alterações climáticas, sendo coordenadora do grupo de investigação “Processos atmosféricos e modelação” do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da UA.

O trabalho científico de Ana Isabel Miranda decorreu sempre em paralelo com a atividade docente e com a prestação de serviços. As várias unidades curriculares lecionadas, recorda, “contribuíram para um conhecimento mais firme e fundamentado, essencial à atividade científica e, por sua vez, esta permitiu atualizar constantemente os conteúdos das unidades curriculares, bem como uma visão mais abrangente e próxima das necessidades das comunidades científica e profissional”.

Como define um bom professor?  

Não é fácil definir um bom professor, mas acredito que um bom professor, para além da sua competência técnico-científica, é aquele que compreende os alunos que tem e adapta a sua metodologia de ensino e de interação a cada desafio particular. Um bom professor tem de estar sempre atento à dinâmica da sala de aula e deve conseguir manter os alunos motivados e interessados, o que implica o domínio de algumas técnicas de comunicação que facilitem o envolvimento, a reflexão e o espírito crítico. Um bom professor deve também ter a preocupação de se manter atualizado no que se refere à área de conhecimento que leciona, quer na vertente investigação, quer na vertente aplicação do conhecimento na sociedade. Ter uma boa ligação e cooperação com a sociedade ajuda a trabalhar melhor com os alunos, através de exemplos concretos de aplicação do conhecimento

O segredo para ser bom professor assenta essencialmente em gostar de ensinar, em gostar de transmitir e trabalhar conhecimento. Se assim for, tudo o mais se concretizará.

O que mais a fascina no ensino?

A possibilidade de partilhar conhecimento com futuros profissionais e de ajudar os estudantes a crescer é fascinante. O facto de cada turma ser diferente e de cada estudante ser diferente é também fascinante, pelo desafio e pela necessidade constante de me adaptar e de melhorar.  

Como qualifica a formação que é dada aos estudantes no(s) curso(s) a que está (esteve) ligado?

Após quase 40 anos a formar pessoas na área do ambiente, o Departamento de Ambiente e Ordenamento, onde leciono, continua a dar formação de excelência, num esforço constante de atualização e de antecipação de necessidade. Constatar que os graduados em engenharia do ambiente da UA são profissionais reconhecidos e que alguns estão mesmo em cargos de grande relevância, leva-me a afirmar com toda a convicção que a qualidade da formação dos cursos do Departamento de Ambiente e Ordenamento é excelente.

E concretamente em relação à formação dada no Mestrado Integrado em Engenharia do Ambiente e no Mestrado em Estudos Ambientais/Joint European Master in Environmental Studies (JEMES), cursos onde leciona várias unidades curriculares?

A formação dada aos estudantes, em ambos, é excelente. No caso do MIEA houve a reformulação do curso de forma a melhor responder às necessidades atuais e futuras da sociedade, através do enriquecimento da dimensão projetual e de uma maior compreensão integrada dos fenómenos e problemas ambientais, mantendo a aposta na forte formação de base de engenharia e especialização tecnológica. A reformulação do MIEA foi acompanhada da formação dos seus docentes em metodologias atuais de ensino-aprendizagem e é com muita satisfação que constato que vários colegas estão a aplicar e desenvolver novas práticas, com sucesso. Com o objetivo de melhor preparar os estudantes para a sua futura atividade profissional, os dois últimos anos do MIEA são lecionados em inglês. Os estudantes desenvolvem o inglês técnico, tão necessário aos engenheiros atuais. Saliento que os docentes do MIEA tiveram também formação específica em inglês para melhor responderem ao desafio de lecionarem em inglês.

Quanto ao JEMES, em consórcio com mais três universidades europeias, completamente lecionado em inglês, e que celebra no corrente ano letivo 10 anos de funcionamento, o selo ERASMUS MUNDUS atesta per si a sua qualidade, mas esta é reforçada pelos estudantes que o frequentam, provenientes de todo o mundo e com backgrounds diferentes.  

Que grande conselho dá aos alunos?

Não se acomodem, procurem sempre saber mais e tentem sempre dar o vosso melhor.

Houve algum grupo de alunos que mais a tivesse marcado? Porquê?

Todos os anos há alunos que me marcam, por motivos diferentes, quer seja pela curiosidade e espírito crítico que me levam a ser melhor docente, quer pelas qualidades humanas e de relacionamento com os colegas, que também me levam a refletir e a ser melhor docente.

No entanto, gostaria de referir em particular a primeira turma JEMES a que lecionei. O facto de estar com um grupo de cerca de 12 estudantes, todos internacionais, alguns da América do Norte e da América do Sul, outros de África e da Ásia e ainda europeus, com formações de base diferentes, foi marcante pela necessidade constante de me adaptar às suas necessidades e de alterar profundamente o tipo de aulas que costumava lecionar. Aprendi imenso com essa primeira turma JEMES e gosto de pensar que também eles aprenderam comigo e que quando lidam com questões de poluição atmosférica e/ou alterações climáticas se lembram da Prof. Ana Miranda.

Pode contar-nos um episódio curioso que se tenha passado em contexto de sala de aula ou com estudantes?

Provavelmente é comum acontecer e não é nada de especial, mas no meu caso não é assim, e a primeira vez que sucedeu surpreendeu-me e tocou-me muito (quase me emocionou). Os estudantes souberam que a aula era no dia do meu aniversário e cantaram-me os Parabéns. Senti verdadeira alegria naquele momento e senti que gostavam da Professora.

descrição para leitores de ecrã
Perseverante, adora chocolates, ler e de passeios na praia junto ao oceano. Um dia gostava de ser avó.

Traço principal do seu carácter

Perseverança.

Ocupação preferida nos tempos livres

Passear a pé, de preferência perto do mar. Como nem sempre é possível, ler.

O que não dispensa no dia-a-dia

Comer chocolate.

O desejo que ainda está por realizar

Ser avó.

 

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