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Entrevistas
Professor UA – Rui Neves, Departamento de Educação e Psicologia
Persistência, trabalho, qualidade e fascínio na formação de professores
Rui Neves
Muito empenho profissional e capacidade de adaptação às exigências sem abdicar da “defesa da dignidade de ser professor e seu papel”. Professor de incontáveis gerações de professores, estas serão, provavelmente, as mais valiosas lições que os estudantes levam de Rui Neves. Diretor da Licenciatura em Educação Básica da Universidade de Aveiro (UA), professor na área da Educação há mais de 30 anos, praticante de BTT e de uma boa corrida, é na persistência, fora e dentro das salas de aula, que assenta a vida.

Doutorado em Didática pela UA em 2007, mestre em Ciências do Desporto – Desporto para Crianças e Jovens pela Universidade do Porto em 1995 e licenciado em Educação Física pela Universidade Técnica de Lisboa em 1982, o atual diretor da Licenciatura em Educação Básica chegou à UA em 1986. Começou como como supervisor pedagógico no extinto Centro Integrado de Formação de Professores (CIFOP) na área da formação de professores em Educação Física da Formação em Serviço. Entretanto iniciou a colaboração docente no antigo Departamento de Didática e Tecnologia Educativa (atual Departamento de Educação e Psicologia).

Rui Neves tem também colaborado na docência e orientação de dissertações na Escola Superior de Saúde da UA, com um enfoque nas questões da atividade física enquanto componente da Saúde, qualidade de vida e bem-estar da pessoa idosa.

Qual é o segredo para se ser bom professor?

Um bom professor é alguém comprometido e focado na aprendizagem dos seus alunos. Que mantém uma atitude de desenvolvimento de estratégias de ensino-aprendizagem que promovam a aprendizagem dos alunos independentemente do nível em que se encontram. Ser professor é desejar que os alunos ganhem novas competências, mas que também sejam capazes de reflectir sobre o que aprendem. É fundamental equacionarmos que não há “um segredo para se ser um bom professor”, mas sim o domínio de competências de intervenção cruzadas com uma atitude de superação e vontade de trilhar diferentes percursos de formação pessoal e profissional. No limite, nenhum professor ensina nada a nenhum aluno. Cada aluno é que aprende. Na realidade de cada contexto, cada aluno realiza aprendizagens significantes que não devem ser para “escrever no teste” mas sim para a concretização de um perfil de desenvolvimento de capacidades e definição de competências pessoais e profissionais.

O que mais o fascina no ensino?

O facto de poder contribuir para que cada aluno, de forma pessoal e subjetiva, desenvolva competências e capacidade de reflexão sobre aquilo que faz, sem perder a ligação com o meio que o rodeia. É deveras fascinante acompanhar os progressos e o alcançar de níveis mais elevados de formação por parte dos alunos.

Como qualifica a formação que é dada aos estudantes na Licenciatura em Educação Básica?

A formação é muito boa, como o atestam as mais recentes avaliações da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES). Mas por outro lado, importa não ficarmos satisfeitos e procurarmos fazer sempre melhor com o empenho de todos. A Licenciatura em Educação Básica é um 1º ciclo de Bolonha que tem como objetivo consolidar conhecimentos sobre conteúdos de várias componentes de formação da área da docência (Língua, Portuguesa, Matemática, Ciências Naturais e História e Geografia de Portugal e Expressões), da área educacional geral, das didáticas específicas e da iniciação à prática profissional.

Que grande conselho dá aos alunos?

Desejar ser professor no tempo actual, exige uma atitude de enorme resiliência profissional. O meu conselho seria de paralelamente a uma atitude de empenho profissional serem capazes de se adaptar às diferentes exigências de cada contexto educativo. Isto não abdicando da defesa da dignidade de ser professor e seu papel. Aproveitar todas as oportunidades, para de forma crescente se tornarem cada dia melhores professores.

Houve alguma turma que mais o tivesse marcado? Porquê?

Foi a possibilidade de formação específica na área de Educação Física desenvolvida na anterior licenciatura. Na Licenciatura de Ensino Básico – 1º ciclo (Pré-Bolonha), o facto de ser docente do curso em três unidades curriculares articuladas entre si ao longo dos três primeiros anos, permitia-nos um conhecimento mútuo, um aprofundamento de competências específicas, bem como uma cumplicidade na formação específica na área de Educação Física que fez desta vivência algo com impacto pessoal em nós e nos alunos.

Pode contar-nos um episódio curioso que se tenha passado em contexto de sala de aula ou com estudantes?

Tradicionalmente recebemos estudantes dos programas de mobilidade. Já recebemos alunos checos, polacos, lituanos, austríacos, espanhóis e brasileiros. As experiências têm sido bastante enriquecedoras. Numa das primeiras experiências, dois alunos checos chegaram com uma atitude surpreendente de vontade de aprender, sempre com uma máquina fotográfica a registar tudo numa mão e na outra um dicionário. Foi com enorme satisfação que para além da integração na turma, em novembro estavam a realizar apresentações de trabalhos para a turma em português…

descrição para leitores de ecrã
Doutorado em Didática, mestre em Ciências do Desporto e licenciado em Educação Física, nos tempos livres Rui Neves não dispensa dar uma corrida e fazer BTT.

Traço principal do seu carácter

Persistência

Ocupação preferida nos tempos livres

A prática desportiva (corrida e BTT)

O que não dispensa no dia-a-dia

Ouvir/ler notícias sobre o local e o global.

O desejo que ainda está por realizar

Viajar sem limites ... 

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