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Investigação
Investigadores da UA participam em mais um censo de cetáceos na Europa
Primeiros resultados do censo SCANS III mostram diminuição de Boto na Península
Investigadores do DECivil participam em censo europeu de cetáceos
O Boto, uma espécie de golfinho, não foi observado em dois terços da área amostrada na Península Ibérica no âmbito do censo de cetáceos SCANS-III, coordenado e implementado (na área da Península) pela Sociedade Portuguesa de Vida Selvagem e pelo ECOMARE - Universidade de Aveiro, que inclui investigadores do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) e do Departamento de Biologia. Os primeiros resultados do censo mostram, assim, uma diminuição da população de Boto nesta área em relação aos dados de estudos anteriores.

As espécies mais abundantes em toda a área analisada - desde o Estreito de Gibraltar, no sul, até Vestfjorden, na Noruega - foram o Golfinho-comum (468 000 indivíduos), o Boto (467 000 indivíduos) e o Golfinho-riscado (372 000 indivíduos), sendo que 158 000 indivíduos foram contabilizados em grupos conjuntos de Golfinho-comum e Golfinho-riscado. Em relação às restantes espécies, foi possível estimar 28 000 Roazes, 36 000 Golfinhos-de-bico-branco e 16 000 Golfinhos-de-laterais-brancas-do-atlântico.

Em relação às espécies de mergulho profundo, que se alimentam principalmente de cefalópodes, foi possível estimar 26 000 Baleias-piloto, 14 000 Cachalotes e 11 000 indivíduos de várias espécies de Baleias de Bico. Em relação às baleias com barbas, foram estimadas 15 000 Baleias-anãs e 18 000 Baleias-comuns.

Os resultados indicam que a alteração na distribuição do Boto no Mar do Norte, desde a região noroeste em 1994 para a região sul em 2005, foi mantida em 2016 com as densidades mais altas encontradas no sudoeste do Mar do Norte e no norte e leste da Dinamarca. Para o Boto, o Golfinho-de-bico-branco e a Baleia-anã (exclusivamente para o Mar do Norte), a série de estimativas de abundância mostra que não houve alterações, indicando uma tendência estável na abundância ao longo dos 22 anos abrangidos pelos diferentes censos.

Capturas acidentais contribuem para o decréscimo da população de Boto

A diminuição das observações de Boto na área observada correspondente à Península Ibérica, poderá estar relacionada com a “mortalidade por captura acidental em algumas artes de pesca usadas no litoral centro”, explicam os investigadores Catarina Eira e José Vítor Vingada, do Centro de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos (CPRAM), unidade do ECOMARE – Universidade de Aveiro, que, entre outras vertentes, se dedica à ecologia de populações marinhas.

Em julho e agosto de 2016, três navios e sete aeronaves monitorizaram, durante seis semanas, uma área de 1,8 milhões de quilómetros quadrados desde o Estreito de Gibraltar, no sul, até Vestfjorden, na Noruega. As equipas de observadores percorreram ± 60.000 km de transectos pré-definidos, registando milhares de grupos de cetáceos pertencentes a 19 espécies. Os censos do SCANS-III correspondem ao terceiro esforço de monitorização de uma série que começou em 1994 (SCANS) e continuou em 2005 (SCANS-II).

Os dados foram recolhidos usando métodos de amostragem de Distance Sampling projetados para permitir considerar os animais não detetados na linha de transectos, sem os quais as estimativas de abundância seriam enviesadas. Para isso, usaram-se duas equipas semi-independentes de observadores nos navios enquanto que nas aeronaves foi usado o método "Circle-back", no qual a aeronave voa de maneira a reamostrar o mesmo pedaço de transecto onde foi efetuada uma observação de cetáceo.

As novas estimativas de abundância integrarão as avaliações de cetáceos levadas a cabo no âmbito do relatório sobre o estado da qualidade do meio marinho da Convenção para a Proteção do Meio Marinho do Atlântico Nordeste (OSPAR) e da avaliação da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha da UE.

Para algumas das espécies de cetáceos que ocorrem no Atlântico Europeu será necessária pelo menos mais uma campanha para que o estado de conservação global possa ser avaliado, salientam os investigadores.

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