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Entrevistas
Pedro Neto, Mestre em Administração e Gestão Pública e doutorando em Políticas Públicas
A trabalhar permanentemente com pessoas, para pessoas
Pedro Neto, Mestre em Gestão e Administração Pública e doutorando em Políticas Públicas
Homem de sonhos e de paixões, Pedro Neto é diretor executivo da Amnistia Internacional – Portugal. Mestre Administração e Gestão Pública, pela UA, encontra-se a desenvolver aqui a sua tese de doutoramento na área das Políticas Públicas e da liderança comunitária, com um estudo sobre a forma como as comunidades rurais da Amazónia brasileira pensam os problemas sociais. Com uma formação profissional bastante eclética, o que mais o fascina é "estar permanentemente a trabalhar com pessoas, para pessoas".

Com 37 anos, Pedro Neto já enfrentou uma variedade de desafios, estimulado pelo sonho de experimentar e de aprender várias coisas. "Sempre fui de muitos sonhos. Quando criança quis ser muitas coisas (…) Os sonhos são mapas para o caminho que temos que fazer. E, por vezes, a fazer o caminho descobrimos outros caminhos, outras direções. Foi o que aconteceu".

Começou por licenciar-se em História, variante de Arqueologia, mas depois decidiu ir por outros trilhos. Fez várias pós-graduações, em áreas tão diversas como Ciências da Educação, Ciências Religiosas e Direitos Humanos. Depois de ter assumido o cargo de diretor adjunto do Centro Universitário Fé e Cultura (CUFC) e de ter sido professor, surgia uma nova paixão: a cooperação e o desenvolvimento.

Com esta nova missão em mãos, participou na fundação da ONGD ORBIS – Cooperação e Desenvolvimento, em Aveiro, onde levou a efeito projetos de desenvolvimento nos PALOP e Brasil, e participou em várias missões de voluntariado no interior de Angola, em Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e Brasil. Em maio de 2016, depois de ter concluído o seu Mestrado Administração e Gestão Pública, na UA, e de ter iniciado também aqui o Doutoramento em Políticas Públicas, assumiu as funções de diretor executivo na Amnistia Internacional – Portugal.

Quando entrou no mercado de trabalho Pedro Neto estava longe de imaginar que um dia estaria a servir o mundo e os Direitos Humanos numa das maiores ONG do mundo, com um trabalho com tanto impacto. A satisfação com este novo desafio é evidente. "Fascina-me a urgência dos direitos humanos. Fascina-me a capacidade de mobilização que temos no nosso trabalho de investigação no terreno. Fascina-me o modo como trabalhamos em concertação e com a rapidez necessária. Normalmente planeio apenas metade do meu tempo pois a outra metade é estar ao serviço das pessoas, na imprevisibilidade das necessidades de cada dia".

Este sentimento altruísta é o que move Pedro Neto. "Um dia posso estar num qualquer bairro a contactar com a riqueza de pessoas que nada têm; no dia seguinte a reunir com representantes governamentais para tratar de direitos humanos em Portugal ou no mundo; e noutro dia a mobilizar pessoas para uma ação de ativismo. É isso que me fascina: estar permanentemente a trabalhar com pessoas, para pessoas".

Aquilo que faço de bem, muito o devo à UA

Quanto à importância da UA no trajeto profissional de Pedro Neto, o doutorando não tem dúvidas. "Aquilo que faço de bem, muito o devo à UA". Tanto o mestrado, cuja dissertação focou os Direitos Humanos e Governação em Angola, como o doutoramento tiveram importância relevante no seu crescimento pessoal e profissional.

"Ajudaram-me a ser mais proativo e empreendedor, a construir soluções para os desafios que encontrava na vida profissional. Capacitaram-me muito para que, em qualquer área da gestão e da administração, sinta e confie que sou uma mais-valia. A abrangência dos planos de estudo ensinou-me a enfrentar os desafios, a saber pensar, planear, implementar, executar, monitorizar e avaliar. Foi na UA que ganhei os fundamentos de políticas públicas que agora aplico aos direitos humanos; que solidifiquei conhecimentos de governança, de democracia e globalização, de administração e regulação, de economia da política, de instituições e partidos políticos, de sociologia e desenvolvimento sustentável".

As competências sociais também não foram esquecidas pelo diretor executivo da Amnistia Internacional, a qualidade de vida propiciada pela cidade de Aveiro, a leveza da estrutura da UA, a componente humana que a compõe, "é um lugar de gente, de pessoas acessíveis, que sabem ouvir, dialogar, questionar, desafiar os alunos a serem mais", e a componente multidisciplinar. "A variedade de áreas que podemos encontrar no campus, a multiplicidade de nacionalidades, de religiões e de culturas civilizacionais abre-nos olhos para o mundo. Andar na UA, escutar as pessoas, enriquece-nos. Com atenção, aprendemos em todos os sítios do campus".

Chegado a Aveiro atraído pelas excelentes condições de estudo aqui oferecidas e pela qualidade dos professores, não viu as suas expetativas defraudadas. Aqui conheceu colegas com desafios profissionais semelhantes aos seus, com que partilhou experiências e conhecimentos e aprofundou o espírito de grupo. Aqui encontrou professores com grande experiência de ensino, com uma grande proximidade aos alunos e com critérios que exigiam a excelência. "Marcou-me muito esta postura, como em nenhuma outra instituição de ensino superior que tenha frequentado, estimulando-me a querer ser também assim. Recordo com um carinho imenso esta forma de estar dos nossos docentes, com especial saudade do meu orientador de doutoramento, o professor Rui Santiago. Era um ser humano fantástico e um exemplo de generosidade, de entusiasmo pelo nosso trabalho".

E quando se fala do futuro, Pedro Neto é perentório. "Vejo-me onde possa ser mais útil na construção de um mundo melhor, seja na Amnistia Internacional, seja noutra organização, desde que acredite nos seus valores e desde que consiga fazer um trabalho com impacto… e possa sempre voltar a casa, à família, aos amigos, aos ares do mar e ao azul da ria... ao nosso Aveiro".

Àqueles que estão agora a iniciar os seus percursos profissionais, Pedro Neto deixa algumas pistas. A diversidade de experiências é um fator importante e, claro, os nossos sonhos, não fosse Pedro Neto um homem de paixões. "O mercado de trabalho em Portugal não é fácil. Nem sempre o mérito é o critério mais importante. É necessário por isso persistência, muito trabalho, um enorme esforço para a cada dia crescer e deixar que o impacto do bom trabalho que se faz fale por nós. Sempre procurei fugir da acomodação. Foi precisamente essa diversidade na minha experiência profissional e académica que me deram ferramentas para conseguir entrar para a Amnistia Internacional. Busquem os vossos sonhos, aquilo que os realiza, sem pensar muito no mercado de trabalho. As oportunidades surgirão".

Nota: este artigo foi publicado na edição número 27 da revista Linhas

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