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Entrevistas
Professora UA – Maria Assunção Matos, Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro (ESSUA)
Terapia da Fala “é uma formação boa, muito centrada na prática clínica”
Influenciar as práticas das pessoas que ajuda a formar, ajudando, assim, indiretamente todos os que necessitam de uma intervenção de Terapia da Fala. É esta possibilidade, inerente à atividade docente, que mais a fascina no ensino. Depois de 25 anos de experiência como terapeuta da fala no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Maria Assunção Matos dedica-se agora 100% à profissão docente na Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro (ESSUA), onde dá aulas desde 2005.

Terapeuta da fala no Serviço de Medicina Física e de Reabilitação do Polo do Hospital da Universidade de Coimbra durante 25 anos, Maria Assunção Matos, 47 anos, começou a dar aulas na Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Porto (ESTSP), em 1996. Na ESSUA, desde 2005, é regente das Unidades Curriculares (UCs) de “Perturbações da Comunicação II”, “Metodologias de Intervenção II”, e “Sistemas de Suporte à Comunicação”, estando este ano igualmente a dar “Ética e Deontologia Profissional” e “Neurociências” no curso de Terapia da Fala e ainda a colaborar pontualmente com o curso de Enfermagem (Seminário sobre Estratégias de Comunicação). Os seus alunos não lhe poupam elogios. Consideram-na competente, dedicada, humana, motivadora, eticamente correta, entusiástica, amiga e, entre muitas outras caraterísticas, um exemplo a seguir.

Doutorada em Ciências e Tecnologias da Saúde (maio de 2012), Maria Assunção Matos interessa-se essencialmente pelas perturbações da comunicação e da deglutição decorrentes de lesão cerebral no adulto, suas consequências no bem-estar e na qualidade de vida de quem as apresenta, assim como dos seus familiares e cuidadores.

Atualmente está envolvida no Projeto Assisting Better Communication (ABC), com diferentes países da Europa, que tem como objetivo a criação de um Mestrado em Terapia da Fala, na Geórgia, e está também a frequentar uma Pós-Graduação em Disfagia, em Barcelona, ministrada pela primeira vez pela European Society of Swallowing Disorders (ESSD), com colegas de vários países do mundo.

Como qualifica a formação que é dada aos estudantes de Terapia da Fala na Universidade de Aveiro?

É uma formação boa, muito centrada na prática clínica, uma vez que o nosso corpo docente é maioritariamente constituído por professores com grande prática e expertise nas áreas que lecionam. Além disso, o curso tem uma vertente prática grande, com estágios práticos ao longo da sua realização, em que se procura que todos os alunos tenham a oportunidade de, em estágio supervisionado, contactar com as diferentes patologias, nas diferentes faixas etárias, com que irão intervir no seu futuro profissional.

Como define um bom professor?

Para mim, um bom professor é aquele que se preocupa, não apenas em transmitir conhecimento teórico, mas a ensinar os seus alunos a pensar, a fazer raciocínio clínico, a procurar ser sempre melhor e a orientar para outros colegas quando não se sente capaz de dar uma resposta adequada à situação que tem entre mãos. A ser bom do ponto de vista teórico e técnico, mas também a valorizar as questões humanas. O Terapeuta da Fala, como outros profissionais de saúde, tem que estar preparado para lidar com pessoas vulneráveis, fragilizadas pelas doenças e deficiências que apresentam. Uma boa preparação nesse sentido é essencial.

O que mais a fascina no ensino?

Poder influenciar as práticas das pessoas que ajudo a formar, ajudando indiretamente todos os que necessitam de uma intervenção de Terapia da Fala. Ou seja, a minha responsabilidade aumentou quando me dediquei ao ensino a 100%. Não estou apenas a ajudar aqueles com quem trabalho, mas sim todos os que serão acompanhados pelos meus alunos, no futuro. É uma responsabilidade muito grande.   

Que grande conselho daria aos seus alunos?

Não desistam de ser o que querem ser. Sejam empreendedores e lutadores. Sigam os sonhos pois muitos deles poderão tornar-se realidade.

Houve alguma turma, aluno que mais a tivesse marcado?

Cada turma é diferente da outra. Gosto de todas na generalidade pois encontro sempre algo que os identifica ou alguém que se destaca. Há alunos excecionais pelas suas características de personalidade. Apaixonados pela profissão mesmo antes de a desempenhar, curiosos, interessados e empenhados. Obviamente que esses alunos se destacam e são mais difíceis de esquecer…  

Pode contar-nos um episódio curioso que se tenha passado em contexto de sala de aula?

É complicado pensar num só momento. Ao longo de todos estes anos aconteceram tantos… Uma aluna que dizia ter um amigo invisível. Um dia estava a dar frequência à sua turma e a porta da sala abriu, empurrada pelo vento. Olhei para ela… pedi-lhe que dissesse ao amigo para se sentar e fechar a porta. Sorriu… fechou a porta…nunca mais falou no assunto.

 

descrição para leitores de ecrã
Maria Assunção Matos confessa-se exigente, acima de tudo consigo própria

Traço principal do seu carácter

Exigência. Não só com os outros, mas acima de tudo comigo. Associada a alguma organização, teimosia e perseverança, tem permitido a minha evolução como pessoa e como profissional.

Ocupação preferida nos tempos livres

Ver o mar. O mar transmite-me calma e simultaneamente renova-me de energias. Quando não é possível ir ver o mar… estar em casa, “chinelar”, ver séries televisivas ou um filme com o meu filho e marido.

O que não dispensa no dia-a-dia

O sol.

Qual o desejo que ainda está por realizar?

Viajar, viajar mais. Conhecer outros povos, outras culturas.

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