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Investigação
Investigação com a participação do biólogo da UA Luís Miguel Rosalino
Texugos escoceses 'alertam' para as alterações ambientais
O investigador Luís Miguel Rosalino
Um novo estudo colaborativo entre as Universidades de Aveiro, Lisboa (cE3c), Uppsala (Suécia) e Oxford (WildCRU, UK) demonstrou que as preferências ambientais dos texugos escoceses dependem do contexto climático. Estes resultados reforçam a necessidade de considerar efeitos sinergísticos na resposta ecológica das espécies a alterações ambientais e antrópicas, aquando do planeamento, gestão e conservação das espécies.

O projeto, que contou com a participação de Luís Miguel Rosalino, investigador do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) e da Unidade de Vida Selvagem do Departamento de Biologia da UA, usou informação referente à deteção do texugo, durante o Outono-Inverno, obtida com recurso a 168 estações de armadilhagem fotográfica, acionadas automaticamente.

Os resultados mostraram que, no norte da Escócia, a presença dos texugos é, no geral, mais provável em áreas com temperaturas mínimas mais quentes (>1.2C°) e a menor altitude (<133m). No entanto, a forma como esta espécie é condicionada a nível local por variáveis de origem antrópica difere consoante o contexto climático. Em áreas mais favoráveis (i.e. temperatura mais elevada e menor altitude) os texugos evitaram áreas com maior perturbação humana, nomeadamente povoações e estradas. Porém, os texugos foram também fotografados em condições ambientais mais desfavoráveis (i.e. temperatura mais baixa, <0.3C°, e maior altitude, >246m), mas a sua presença esteve associada à disponibilidade de agricultura, possivelmente porque esta pode providenciar recursos alimentares adicionais.

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Estudo feito com recurso a 168 estações de armadilhagem fotográfica, acionadas automaticamente à passagem dos animais (fotos: Kerry Kilshaw / WildCRU)

Previsões a ter em conta

Estes resultados são especialmente interessantes tendo em conta as previsões de aumento da temperatura no norte da Escócia até 2050 (+ 1-3C°). Intuitivamente, seria de esperar que o aumento da temperatura favorecesse a presença da espécie. No entanto, esta previsão pode ser demasiado simplista uma vez que o simultâneo aumento de 5 por cento da população até 2037, com o consequente incremento da rede viária, pode contrariar o efeito positivo do aumento de temperatura. A colonização de áreas menos favoráveis ao texugo pode ainda depender da existência de agricultura nessas regiões.

Em suma, os efeitos interativos de diversos fatores ambientais podem tornar irrealistas as predições baseadas apenas na vulnerabilidade das espécies às alterações climáticas.

O estudo encontra-se disponível na revista Diversity and Distributions (Silva, A.P., Curveira-Santos, G., Kilshaw, K., Newman, C., Macdonald, D.W., Simões, L.G., & Rosalino, L.M. (2017). Climate and anthropogenic factors determine site occupancy in Scotland''s Northern-range badger population: implications of context-dependent responses under environmental change. Diversity and Distributions, n/a-n/a).

 

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