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UA atribuiu a mais alta distinção honorífica a “um construtor dos tempos que vão à nossa frente”
Arsélio Pato de Carvalho é o novo Doutor Honoris Causa da UA
Doutor
Foi entre familiares e amigos próximos, académicos e um conjunto de convidados que o Professor Arsélio Pato de Carvalho recebeu esta quarta-feira, 19 de abril, a mais alta distinção honorífica que uma Universidade pode conceder. Após a intervenção do Reitor, o elogio do padrinho, a imposição das insígnias e a oração de agradecimento, o novo Honoris Causa e restantes convidados assistiram ao descerramento da fotografia na Galeria Doutores Honoris Causa da UA.

A sessão teve início mal os doutores trajados, que formaram o cortejo académico, se acomodaram nos lugares que lhes estavam reservados no auditório da Reitoria. Terminado o hino académico internacional Gaudeamus Igitur, interpretado pelos alunos de Música da UA, Beatriz Maia (soprano) e Gustavo Afonso (piano), o Reitor Manuel António Assunção abriu a sessão dizendo que não lhe competia proceder ao laudatório devido e justo do laureado.

Em todo o caso, revelou o Reitor: "um Doutoramento Honoris Causa representa, em primeiro lugar e acima de tudo, a consagração do mérito absoluto do homenageado; de alguém que, por virtudes próprias e raras, do seu percurso de vida, sobressai, sobremaneira, entre os demais.”, adiantando que tal percurso não deixa de refletir exemplos que são caros à instituição que outorga o grau.

Na verdade, a partilha da visão alargada e diversa da missão da Universidade, a preocupação pela comunicação de ciência, o cuidado pela inter e pela pluridisciplinaridade sempre demonstrado, a preocupação pela complementaridade na formação do estudante, são alguns aspetos comuns e muito caros à UA, destacou o Reitor, lembrando que este doutoramento, no quadro das celebrações dos 40 anos do Departamento de Biologia da UA, e por isso apadrinhado pelo Diretor deste Departamento, Professor Amadeu Soares, oferecia garantias de o novo Doutor estar em boas mãos.

O Reitor terminou a sua intervenção citando o argumento do filósofo espanhol Daniel Inneraraty: “o futuro tem maus advogados no presente” para sublinhar que tal expressão jamais poderia aplicar-se a quem, como o Professor Arsélio Pato de Carvalho “sempre foi e continua a ser um construtor dos tempos que vão à nossa frente!”

 

Intervenção do Professor Amadeu Soares enquanto padrinho do Doutor Honoris Causa”

Na sua intervenção, enquanto padrinho do novo Doutor Honoris Causa, o professor Amadeu Soares destacou a faceta corajosa e visionária de Arsélio Pato de Carvalho e realçou toda a sua atividade pujante que ainda hoje, aos 82 anos, continua a ter nos três pilares estruturantes da missão de uma Universidade: ensino, investigação e cooperação com a sociedade.

Para a outorga do grau de Doutor Honoris Causa pela UA não havia melhor, afirmou o padrinho: “Biólogo, Fisiologista, Bioquímico e Neurocientista; pioneiro da introdução da Biologia Moderna em Portugal; cidadão humilde, preocupado em devolver à sociedade e à sua terra natal aquilo que ela lhe proporcionou; personalidade académica e científica. (…) Muito obrigado, Professor Doutor Arsélio Pato de Carvalho, pelo seu exemplo e por aceitar fazer parte da nossa comunidade UA. Que o seu percurso continue a ser fonte de inspiração aos vindouros!” concluiu.

Intervenção do Doutor Honoris Causa, Professor Arsélio Pato de Carvalho”

Já Doutor Honoris Causa, Arsélio Pato de Carvalho confessou não saber agradecer a tão alta distinção que acabara de receber. “A partir de hoje pertenço ao corpo de doutores da Universidade de Aveiro. Isso é para mim uma grande honra (…) a partir de hoje tenho responsabilidades acrescidas para com a Universidade de Aveiro e para com a sociedade.”, afirmou.

No decorrer da sua intervenção, que intitulou “Elogio e Desafio à Universidade Portuguesa”, o novo Doutor Honoris Causa da UA referiu-se aos dois grandes desafios que enfrentam atualmente as universidades: saberem aproveitar os jovens talentos formados nos últimos anos e saberem preparar a próxima geração para um futuro que será muito diferente do presente.

Sobre o primeiro desafio, Arsélio Pato de Carvalho aconselhou: “Será necessário uma nova visão nas universidades para que esta geração de cientistas possa ser mais influente na construção das universidades do futuro, como ‘research universities’. (…) Devemos fazer as universidades mais atrativas para atrair os melhores, portugueses e estrangeiros. (…) Cada universidade deve lançar o seu projeto de renovação do seu corpo de investigação e docente”.

No que toca ao desafio de preparar os jovens para um futuro incerto, Arsélio Pato de Carvalho advertiu para a necessidade de os jovens desenvolverem novas competências e de estas estarem dependentes de novos currículos. “Eu diria mesmo que muitos dos projetos de licenciatura, e alguns de mestrado, devem ser reinventados” e acrescentou: “Só por um processo de envolvimento dos alunos na programação do seu currículo podemos esperar entusiasmá-los e a aspirar a uma vida de contínua aprendizagem que lhes permitirá adaptarem-se às mudanças ditadas por um mundo em constante mudança”.

Referindo-se ainda a alguns dos desafios mais imediatos que se colocam à Universidade, o novo Doutor Honoris Causa avançou que deve refletir-se sobre novos currículos para a formação de uma nova geração de professores, no caso das ciências, a partir de jovens cientistas; formar jornalistas especializados em divulgação da ciência; e criar novas instituições de interface entre os centros de investigação e as escolas, lembrando ainda, a exemplo da Carl Sagan, a necessidade de os cientistas e outras figuras mediáticas assumirem uma maior intervenção pública.

Por fim reforçou a ideia de que as universidades como instituições extraordinárias e imperfeitas, são as mais capazes de lidar com o futuro imprevisível, pelo que devem “aperfeiçoar a sua capacidade de aprender para estabelecerem uma cultura de mudança ágil, de adaptação às exigências da sociedade moderna”.

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Descerramento da fotografia na Galeria “Doutores Honoris Causa da UA”

No final do seu discurso ouviu-se a sonata op. 10, n.º 2 em Fá Maior, de Beethoven, pela pianista Leonor Mendes. A cerimónia prosseguiu com o descerramento da fotografia e terminou com um Aveiro d’Honra.

Veja aqui as fotos do dia.

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