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Entrevistas
Professora UA – Margarida Coelho, Departamento de Engenharia Mecânica
Ao volante da engenharia mecânica em direção a sistemas energéticos mais sustentáveis
Margarida Coelho
De que forma transportes e energia podem circular de mãos dadas com a sustentabilidade do planeta? A resposta é tão abrangente quanto o trabalho de Margarida Coelho. Especialista, precisamente, na relação entre sistemas de transportes e os seus impactes nos consumos de energia, emissões de poluentes e segurança rodoviária, é nas salas de aula do Departamento de Engenharia Mecânica (DEM) da Universidade de Aveiro (UA) que a Margarida Coelho desafia os estudantes a pensarem no maravilhoso mundo da energia e nas novas tecnologias energéticas.

Margarida Coelho chegou ao DEM para investigar e dar aulas em 2005, precisamente no ano em que se doutorou no Instituto Superior Técnico (IST) numa parceria com o Institute for Transportation Research and Education da North Carolina State University dos EUA.  

Especialista em Engenharia Mecânica -  Energia e Transportes, Margarida Coelho, foi vice-diretora do Mestrado Integrado em Engenharia Mecânica entre 2013 e 2015, e implementou o Programa de Tutoria no DEM. Na UA já orientou quatro teses de doutoramento e mais de 45 dissertações de mestrado.

Impulsionadora da criação do grupo de investigação “Transportation Technology” do Centro de Tecnologia Mecânica e Automação (TEMA), do qual é coordenadora, atualmente concentra os seus interesses de investigação na análise de compromisso entre diferentes impactes do sistema de transportes, em sistemas inteligentes de transportes (“intelligent transportation systems” - ITS), na mobilidade ciclável e na análise de ciclo de vida de vetores energéticos alternativos. Ao longo dos anos foi responsável pela captação de diversos projetos para o TEMA e participa na equipa de coordenação da Plataforma Tecnológica da Bicicleta e Mobilidade Suave. Atualmente Margarida Coelho leciona unidades curriculares na área da térmica/fluidos e dos transportes.

Qual é o segredo para se ser bom professor?

Um bom professor deverá ter a capacidade técnica para lecionar, o domínio dos conceitos, a capacidade para manter a atualização das temáticas que leciona, a capacidade para adequar a lecionação a estudantes provenientes de diferentes formações de base, ir de encontro às diferentes necessidades dos estudantes e capacidade humana para se relacionar com eles. E, já agora, uma dose q.b. de boa disposição e entusiasmo!

O que mais a fascina no ensino?

Enquanto que a componente de investigação é, muitas vezes, solitária, no ensino temos oportunidade de partilhar o conhecimento com os alunos. A criatividade no desenvolvimento de investigação e esta partilha do conhecimento é muito estimulante e é o que mais me fascina no ensino.

Por outro lado, na profissão de docente universitário temos o privilégio de participar em trabalhos distintos. Por vezes, há a ideia (errada) que os docentes universitários só dão aulas, mas estamos envolvidos em várias dimensões, como a supervisão de trabalhos de investigação, a gestão de projetos e cargos de gestão universitária, sendo muito estimulante realizar trabalhos de caráter diversificado.

Como qualifica a formação que é dada aos estudantes DEM?

Especificando no curso principal ao qual o DEM está ligado, o Mestrado Integrado em Engenharia Mecânica, considero que a formação transmitida aos estudantes é de elevadíssima qualidade.  Os docentes do DEM possuem elevada experiência curricular/profissional e conhecimentos profundos e específicos dos diferentes temas abordados. Para além disso, a proximidade ao tecido empresarial da Região é algo que o DEM e os seus docentes valorizam muito. Considero também que, na UA (em geral) e no DEM (em particular), a relação entre professores e alunos possui um caráter muito próximo, isto é, com grande facilidade os alunos dirigem-se aos nossos gabinetes para falar connosco.

Que grande conselho daria aos seus alunos?

Ler muito é essencial, pois ajudará os alunos a organizarem e exprimirem de forma mais clara as suas ideias, não só na vertente escrita, mas também na componente de apresentação em público.

Aconselharia também os alunos a confirmarem de forma rigorosa e com sentido crítico os resultados que obtêm. É isto que distingue um futuro Bom Engenheiro.

Houve alguma turma que mais a tivesse marcado? Porquê?

Todas as turmas são diferentes e, logo, especiais, cada uma à sua maneira. Se tivesse que destacar grupos de alunos mencionaria três casos distintos:

Em primeiro lugar, os estudantes de Mestrado / Doutoramento que, por via do seu trabalho de investigação, têm um acompanhamento mais próximo da minha parte. Já orientei estudantes muitíssimo bons e motivados, e gosto sempre de acompanhar a sua evolução profissional, quando terminam os estudos na UA.

Em segundo lugar, aprecio muito um ambiente multicultural em sala de aula. Todos ganham com a aplicação da internacionalização, tanto os alunos estrangeiros como os portugueses. Nesse âmbito, lembro-me com muito carinho de três alunos que fizeram trabalho em grupo: um originário da Indonésia, outra do Brasil e outra da Venezuela; constituem o exemplo de um trabalho de equipa com sucesso realizado por pessoas com experiências de vida e nacionalidades distintas.

Em terceiro lugar, as aulas a estudantes que já possuem experiência profissional. Intercalar os conceitos que preparo para transmitir em sala de aula com os momentos vividos pelos próprios alunos em ambiente profissional (por eles transmitidos, ao relacionar as temáticas da unidade curricular com as suas próprias vivências) é muito aliciante para todos.

Pode contar-nos um episódio curioso que se tenha passado em contexto de sala de aula ou com estudantes?

Às vezes penso que deveria apontar num caderno esses episódios, para facilitar a memória de cada um deles. Não consigo salientar um episódio particular… acima de tudo, é sempre bom sair da sala de aula com a sensação de que conseguimos fazer chegar a mensagem aos alunos e que a sala de aula constitui um ambiente agradável à aprendizagem.

descrição para leitores de ecrã
Ler é um dos prazeres de Margarida Coelho, um prazer que recomenda aos alunos até para os ajudar a exprimirem de forma mais clara as ideias 

Traço principal do seu carácter

Considero-me responsável e pontual.

Ocupação preferida nos tempos livres

Ler (nas férias, sou mesmo uma leitora compulsiva!) e ouvir música (principalmente, música clássica).

O que não dispensa no dia-a-dia

Ouvir as primeiras notícias do dia enquanto tomo o pequeno almoço.

O desejo que ainda está por realizar

Tantos projetos que gostaria de concretizar!… e ter tempo para todos os livros que-compro-e-que-ainda-não-tive-oportunidade-de-ler.

 

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