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Investigação
Projeto de Rute Costa do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da UA
Anilhas de cor em gaivotas atestam sucesso da reabilitação das aves
A investigadora Rute Costa
É um dos projetos de monitorização de aves marinhas reabilitadas de maior longevidade do país. Desde 2013 mais de 130 gaivotas feridas que deram entrada no Centro de Reabilitação Animais Marinhos (CRAM) de Quiaios ou do ECOMARE foram marcadas com anilhas de cor, uma técnica de anilhagem que permite identificar os animais por avistamento, sem necessidade de recaptura. O projeto, que se tem revelado um sucesso, tem a assinatura de Rute Costa, bióloga do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da Universidade de Aveiro (UA) e já permitiu seguir gaivotas desde Marrocos ao norte da Europa.

Com o objetivo de avaliar o sucesso da reabilitação das aves marinhas que dão entrada no CRAM – grande parte com sintomas de intoxicação por biotoxinas - todas as aves libertadas são marcadas com anilhas de metal e, desde 2013, todas as gaivotas libertadas são também marcadas com anilhas de cor.

“Com estas anilhas de cor facilmente podemos fazer avistamentos e identificar as aves sem ter de as recapturar”, explica Rute Costa, a bióloga da UA que levou para o CRAM um esquema de identificação de aves autorizada pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas e oficialmente registada na EURING, a organização internacional responsável pela anilhagem científica na Europa.

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Gaivota com anilha M:047 anilhada dia 29 de julho de 2015, em Quiaios, e fotografada dia 21 de março de 2017 no ECOMARE

O esquema é simples e eficaz. “Usamos uma anilha de cor azul que mostra um código branco que é individual e sequencial. A primeira anilha que colocámos numa gaivota tinha o código M:00 e última anilha, aplicada em 2016, tinha o código M:134”, explica Rute Costa.

Até final de 2016 foram libertadas 134 gaivotas com anilha de cor, conseguindo a equipa recolher informações de 162 avistamentos relativos a 60 aves, nove delas em países como Inglaterra, Holanda e Marrocos. Paralelamente, foi criado um formulário on-line para que os observadores de aves marinhas possam comunicar a leitura da anilhas observadas.

Para além das gaivotas marcadas com estas anilhas, também foram reabilitadas outras aves já anilhadas por outros projetos. “Neste ponto já conseguimos identificar 6 gaivotas com uma longevidade superior a 10 anos. Uma ave com 11 anos anilhada em Alderney (Inglaterra), duas com 12 anos anilhadas nas Berlengas (Portugal) e em Cardiff (País de Gales), uma com 13 anos anilhada em Bristol (Inglaterra), uma com 15 anos anilhada nas Berlengas (Portugal), e a mais recente com 17 anos anilhada em Gugh (Inglaterra)”, congratula-se Rute Costa.

Estes dados tornam-se importantes não só para avaliar o sucesso da reabilitação, mas também para aumentar o conhecimento sobre distribuição geográfica, longevidade das espécies ou taxa de mortalidade, fundamentais para tomadas de decisão como a elaboração de políticas de conservação ou como a avaliação do impacto das actividades humanas e das alterações climáticas nas populações.

As gaivotas podem percorrer todo o hemisfério e são bastante resilientes no caso de condições adversas. Estas aves marinhas, explica a bióloga, “funcionam como biomonitores de poluição de origem Humana, como os derrames de derivados de petróleo, mas também de origem natural, como o aumento de biotoxinas no ambiente marinho”.  A monitorização do sucesso da sua recuperação e do tipo de deslocações que estes animais podem fazer, permite aos biólogos conhecer melhor os potenciais efeitos da contaminação ambiental no oceano.

 

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