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Investigação
Investigação de Irina Gorodetskaya do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar e do Departamento de Física
À descoberta dos rios atmosféricos da Antártida
A investigadora Irina Gorodetskaya na terra de
Chegou há poucos dias da Antártida, uma imensa terra de um branco misterioso que, por mais que visite, nunca deixa de a comover. Investigadora do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) e do Departamento de Física da Universidade de Aveiro (UA), Irina Gorodetskaya tem dedicado os últimos anos da sua vida ao estudo do clima e do ciclo da água no ponto mais a sul do planeta e, em especial, ao papel dos rios atmosféricos na precipitação antártica. Entre os dados que recolheu, trouxe também no olhar a beleza de uma terra estonteante.

A 15 de fevereiro, as palavras que escreveu no blog de viagem desvendam um pouco do cenário que viveu no extremo sul do planeta: “estou em frente da ilha Peter I que é de uma beleza severamente encantadora. Estamos rodeados de imensos icebergs e pedaços de gelo que flutuam no oceano. Os glaciares tocam o oceano. Nuvens de azul negro envolvem a ilha. No horizonte avistam-se cortinas de nuvens virgas com queda de neve espalhada pelo vento intenso. Vejo e sinto a vastidão e a pureza da Antártida”.

A viajar a bordo da Expedição Internacional de Circunavegação à Antártica, a investigadora esteve integrada no "Quantifying precipitation and its contribution to surface freshening in the Southern Ocean", um projeto coordenado por Katherine Leonard, da Suíça, e que envolve uma equipa internacional de investigadores que estudam os processos do oceano e da atmosfera. Na bagagem, Irina Gorodetskaya levou também o seu próprio projeto de investigação acerca do papel dos rios atmosféricos na precipitação antártica, um projecto que estabelece uma colaboração entre o CESAM e a Scripps Institution of Oceanography da Universidade da Califórnia em San Diego e apoiado pelo Programa Polar Português (PROPOLAR).

“Um dos objetivos do meu trabalho no CESAM é estudar os eventos de precipitação extrema nesta região Polar associados aos rios atmosféricos, que trazem neve e acrescentam massa à Antártida”, explica a investigadora.

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Irina Gorodetskaya a lançar uma radiossonda do navio da expedição, o Akademik Tryoshnikov, em frente à ilha Peter I

“Durante a etapa da ACE de Hobart (Tasmânia) a Punta Arenas (Chile) fizemos medições de queda de neve, perfis verticais da atmosfera com radiossondas e recolha de amostras de água das camadas superficial e profunda para análise de salinidade e de isótopos pesados de oxigênio (d180)”, conta. E em conjunto com a investigadora em pós-doutoramento do CESAM, Annick Terpstra, “estivemos continuamente a monitorizar, a analisar e a fazer a previsão de rios atmosféricos que chegaram à Antártida durante a expedição”.

De olho nos perfis atmosféricos associados a diferentes regimes climáticos – com os dados a serem obtidos através de radiossondas – Irina Gorodetskaya conta que várias vezes observou intrusões de ar quente e húmido a 1 ou 2 quilómetros acima do nível do mar. “Estas intrusões indicam o transporte da humidade para a Antártida, que posteriormente é transformada em neve”, explica a investigadora.

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Os dados recolhidos pela investigadora do CESAM serão usados para estudar o clima em Portugal porque, afinal, o planeta é um só

“Foram obtidos resultados muito interessantes a partir da observação de dois rios atmosféricos - um que chega à região do glaciar Mertz e outro que se dirige para a Terra Marie Byrd, regiões que têm perdido muito gelo durante os últimos anos”, conta.

De regresso à UA, a hora é agora de estudar a fundo os dados recolhidos – Tiago Silva, estudante da UA vai ajudar a analisar os dados obtidos pela radiossonda - e recordar: “Cada vez que volto à Antártida os meus olhos abrem-se para a beleza infinita do nosso planeta e dos seus mistérios. Tudo pertence ao mesmo planeta... um melhor conhecimento das regiões polares ajuda a compreender melhor o clima de Portugal, um país que também é costeiro e que depende muito das precipitações extremas ligadas aos rios atmosféricos”. A influência destes rios atmosféricos em Portugal é mesmo o tema que Irina Gorodetskaya está a investigar na UA.

 

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