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Entrevistas
Antigo aluno UA - Fausto Oliveira, licenciado em Engenharia do Ambiente
“Marcou-me a relação e o empenho dos professores na minha formação”
Fausto Oliveira, antigo aluno UA
Foi um dos primeiros estudantes a frequentar Engenharia do Ambiente na Universidade de Aveiro, onde conheceu quem viria a ser sua mulher. Aqui viveu a implementação da Associação de Estudantes e admirou a relação e o empenho dos professores na formação. Fausto Oliveira, que tem hoje duas filhas na UA - a mais nova a tirar também Engenharia do Ambiente; a mais velha a terminar o doutoramento em Psicologia -, concluiu o curso em 1982 e há 20 anos que integra o grupo AQUAPOR, onde é administrador de várias empresas.

Fausto Manuel Melo de Oliveira, 58 anos, iniciou a sua atividade nos SMAS de Albergaria-a-Velha em 1982. Esteve na fase inicial do Gabinete da Ria de Aveiro (GRIA) e ingressou depois na Associação de Municípios do Carvoeiro-Vouga (AMCV), onde acompanhou a implementação do denominado Sistema Regional de Carvoeiro (SRC) de abastecimento de água em alta aos municípios do Baixo-Vouga (Águeda, Albergaria, Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Murtosa, Oliveira do Bairro e Vagos). Em 1996 entrou no grupo AQUAPOR e é administrador das empresas: Águas do Vouga, TRATAVE, Águas da Figueira e Águas de Gondomar. Desde 1989 que é igualmente sócio e gerente da empresa OMS - Tratamento de águas.

Quais os motivos que o levaram a estudar na Universidade de Aveiro?

Na altura da escolha, duas condições: a proximidade do local de residência e o curso inicial - Ciências do Ambiente, que depois deu origem à Engenharia do Ambiente (EA). Nessa altura, via-me no futuro “a trabalhar no campo e na área da biologia”. 

O curso correspondeu às suas expetativas? E a Universidade de Aveiro?

A resposta não é linear porque, na passagem de Ciências do Ambiente para Engenharia do Ambiente, o curso transformou-me num profissional com uma visão mais prática/objetiva - mais de engenharia e não de ciências - afastando-me do meu conceito inicial. Esta alteração foi reforçada no meu percurso profissional. Mas, tomando por base que quando nos foi colocada a opção de alteração do curso optei de imediato pela Engenharia do Ambiente, o curso correspondeu às minhas expetativas.

Quanto à Universidade não tinha expetativas, mas gostei muito de ter estudado na UA. O ano do meu curso foi o segundo do percurso da Engenharia do Ambiente e vivi o arranque da UA e do curso de EA…

O que mais o marcou na Universidade de Aveiro?

Na Universidade de Aveiro vivi o seu inicio, ainda num período de muito envolvimento político e cívico, com o 25 de abril de 1974 recente, participando na implementação da Associação de Estudantes, de atividades como o futebol, o orfeão, o “enterro do ano”, os torneios de futebol de salão entre os cursos, onde a equipa masculina da EA, se chamava “Os Ecotomates”.

Recordo também as RGA’s, as “lutas contra os Serviços Sociais” e os colegas mais interventivos. 

Marcou-me a relação e o empenho dos professores na minha formação, relação que perdura até hoje, e os que tiveram a visão, a arte e o engenho para criar o curso de Engenharia do Ambiente na UA. Não podia de deixar de referir que, aquando da transição do curso, professores houve, nomeadamente da componente das matemáticas, que nos deram aulas aos sábados, para recuperarmos esta componente, uma vez que o curso passou a ser de engenharia. 

Tive o privilégio de ter frequentado a UA numa fase em que todos (alunos, professores, auxiliares, pessoal da secretaria, das oficinas, da biblioteca, do bar, da cantina, motoristas dos “Portaro” e outros, se conheciam. Encontrávamo-nos e falávamos de tudo.

Sem querer transformar a UA em “casamenteira” - “a ter havido mão” foi de outro ícone de Aveiro, o S. Gonçalinho, - foi também na UA que encontrei - e namorei - a minha mulher.

Finalmente quero referir a visão complementar que os professores convidados que vinham das empresas e do não do meio académico, me deram.

Para memória, não por ser muito importante, mas refletir o espírito que se vivia, recordo que num determinado dia, à hora do almoço, estava à porta dos chamados “galinheiros” (o primeiro edifício pré-fabricado no campus), quando de repente se veem muitas pessoas a fugir da cantina em corrida desalmada. Na altura, a cantina era em frente à entrada principal do pré-fabricado. Um dos colegas que estava comigo, ao ver aquela gente toda a fugir da cantina, comenta: “Olhem para aquela correria. Será que a comida hoje está muito pior que o habitual?” Não era a comida. Fugiam, porque uma das funcionárias tinha começado a gritar para fugirem, porque havia uma fuga de gás…

 

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Fausto Oliveira é administrador de um conjunto de empresas que pertencem ao grupo AQUAPOR e sócio e gerente de uma empresa de engenharia

“Nunca me tinha imaginado um Engenheiro do Ambiente”

Sempre soube a profissão que queria seguir?

Não. Como já referi, nunca me tinha imaginado um Engenheiro do Ambiente, até porque naquela altura pouco se falava das questões ambientais. Fui admitido em Enfermagem na Escola de Enfermagem do Hospital de S. João, no Porto. Mas no fim de semana antes de ir, quando o meu pai resolveu matar um leitão e assá-lo para festejar a minha entrada, desisti. O leitão, só o comi. Ajudar a matá-lo não consegui. Fiz depois o exame de aptidão e entrei na UA.

E entrar no mercado de trabalho. Foi fácil?

Foi. Iniciei a minha atividade nos Serviços Municipalizados de Albergaria-a-Velha, responsáveis pelo abastecimento de água e drenagem e tratamento das águas residuais do concelho de Albergaria.  Apanhei a fase do despontar do início das questões ambientais e a transição da passagem do serviço de distribuição de energia, que era da responsabilidade das autarquias, para a EDP. No município de Albergaria, foi necessário manter operacional o serviço de água e saneamento.

O plano curricular do curso, nomeadamente a sua interdisciplinaridade, foi uma das razões para a minha admissão. A maior luta foi ver reconhecida a Engenharia do Ambiente, como uma Engenharia. Tempos houve em que, depreciativamente, eramos conhecidos como os engenheiros dos passarinhos…

Que funções desempenha exatamente e como descreve o seu dia-a-dia profissional?

A minha carreira profissional esteve sempre ligada ao chamado setor “das águas”.

Atualmente sou administrador de um conjunto de empresas que pertencem ao grupo AQUAPOR que opera no setor das “utilities da água e saneamento”, em regime, nomeadamente, de concessão ou prestação de serviços.

Sou também sócio e gerente de uma empresa de engenharia: a OMS- Tratamento de Águas que opera na conceção e execução de Estações de Tratamento de Águas (ETA’s) e Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR’s).

O que mais o fascina na sua atividade profissional?

A busca de soluções para os problemas e questões de todo o âmbito: técnicas, económicas, contratuais, gestão e relacionamento com os pares, que surgem no dia a dia neste setor e tipo de negócio. A busca contínua das melhores soluções operacionais e a antecipação dos problemas.

Há algumas competências adquiridas na UA que entenda terem sido fundamentais para o exercício da sua atual atividade?

A multidisciplinaridade, a abertura mental e as competências técnicas transmitidas e adquiridas. Acresce o apoio e disponibilidade dos meus professores.  

Onde se vê daqui a 10 anos?

A exercer a arte da Engenharia do Ambiente, com a mesma capacidade e disponibilidade atuais, mas a não tirar o lugar aos mais novos - até porque tenho uma filha a concluir EA na UA - e a festejar os 50 anos da Engenharia do Ambiente da Universidade de Aveiro.

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