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Entrevistas
Antiga aluna UA – Patrícia Gonçalves, licenciada em Engenharia do Ambiente
“A Universidade e a cidade de Aveiro estão no meu coração”
Patrícia Gonçalves
Queria ser médica, mas quis o destino que se tornasse engenheira. Se a Medicina ficou a perder, o Ambiente muito agradece. Dona de uma carreira fulgurante no Grupo Monte, aos 40 anos Patrícia de Castro Gonçalves integra não só a comissão executiva desta multinacional como é ainda a responsável da empresa pela área de negócio de Ambiente. Licenciada em Engenharia do Ambiente pela Universidade de Aveiro (UA), é em Portugal e em Angola que Patrícia Gonçalves tem diariamente o que mais lhe dá prazer: “Novos desafios e contacto com várias realidades, sectores, países e culturas diferentes”.

No ano em que terminou a licenciatura no Departamento de Ambiente e Ordenamento (DAO) entrou no Grupo Monte como estagiária numa das empresas para a área de Ambiente. Corria então o ano de 2001 naquela que se viria a tornar uma empresa de referência nas áreas do ambiente, a qual estava ainda a dar os primeiros passos.

Em 2007, Patrícia Gonçalves era já a diretora técnica-comercial da empresa e em 2008 foi convidada a integrar o Conselho de Administração. Atualmente integra a Comissão Executiva do Grupo Monte e é a responsável pela área de negócio de Ambiente do Grupo, onde se insere a Gintegral, uma empresa que é em Portugal líder na gestão de lamas de ETAR. Recentemente, em janeiro de 2017, Patrícia Gonçalves foi convidada para integrar a direção da Associação Nacional de Empresas de Tecnologias Ambientais (ANETA), a entidade angolana que tem por missão promover a análise, o estudo e o desenvolvimento de ações que visem a defesa do ambiente e proporcionar o desenvolvimento das atividades dos associados nesta área.

“Integrar este organismo é também um sinal que nós, portugueses, conseguimos fazer coisas boas e que o nosso trabalho e competências são reconhecidos além-fronteiras”, lembra a antiga estudante da UA e vice-presidente da ANETA.

Quais os motivos que a levaram a estudar na UA?

Trata-se de um tema curioso! Tendo por base que era uma aluna com boas notas, sempre pretendi o curso de Medicina. Apesar de na prova de aferição de Matemática ter sido a segunda melhor a nível nacional, nas restantes os resultados não foram suficientes para entrar neste curso. Tinha incluído várias opções neste âmbito e depois acabei, por recomendação da família e amigos candidatar-me ao curso de Engenharia do Ambiente na UA. Na altura, um dos argumentos era que se tratava de um curso com futuro e que deveria apostar. Também nessa altura, havia em Portugal um debate público para passar a valorizar as questões ambientais, tanto a nível estatal como a nível de infraestruturas de águas, saneamento e resíduos o que me motivou ainda mais para esta candidatura.

O curso correspondeu às suas expectativas?

Numa fase inicial, não!  Considerando que os meus objetivos e expectativas iniciais para entrada na Universidade eram diferentes da realidade que estava a viver, foi um pouco difícil adaptar-me. Adicionalmente foi o meu primeiro contacto com o mundo real fora da família. De qualquer forma, tendo em conta a minha maneira de ser de perante um desafio tentar identificar soluções e contornar o problema, à medida que o tempo foi passando passei a rapidamente integrar-me e a superar as minhas expectativas. À medida que ia avançando no curso as disciplinas cada vez mais iam tendo uma componente mais prática e que me motivou a avançar. À data de hoje, fazendo uma retrospetiva, posso concluir que a Licenciatura me ajudou imenso e superou as minhas expectativas. Consegui com as ferramentas adquiridas e formação posterior, criar as condições necessária para a função que hoje executo.

E a UA?

Quanto à UA posso garantir que esse foi um factor crucial para conseguir integrar-me. O enquadramento do campus, a cidade, as infraestruturas e a expansão contínua do campus superaram qualquer expectativa. Apaixonei-me por Aveiro! Sendo eu de Viana do Castelo muito rapidamente senti-me em casa nesta cidade… O facto de sermos poucos no curso, éramos quase uma família onde todos se conheciam e se davam bem. Havia muitas diversidades de culturas, extractos sociais e um factor interessante era existirem muitos alunos estrangeiros, em particular do continente africano o que me permitiu também criar maiores laços além-fronteiras.

Saliento ainda o excelente ambiente que existia, incluindo o noturno, em que os lugares de encontro ainda eram reduzidos, tudo era perto e de fácil acesso. O facto de a cidade ser plana e segura permitia que muitos colegas e amigos de outros cursos se encontrassem em vários pontos da cidade. Para além da formação que tive na Universidade, ter passado por Aveiro fez-me também evoluir como pessoa.

O que mais a marcou na UA?

Os amigos que fiz e que ficaram para sempre, com os quais ainda mantenho contacto, bem como o facto de já no meu 4.º ano ter conhecido o meu marido que apesar de nessa altura já não estudar na UA, também efetuou a sua Licenciatura nesta Universidade. Neste sentido, a Universidade e a cidade de Aveiro estão no meu coração. Sempre que vou a Aveiro sinto-me bem!

Como professores, recordo o Eng. Carlos Borrego pelo seu bom humor e o modo como atuava para chamar atenção dos alunos mais distraídos! Tenho também um episódio divertido com o Professor Figueiredo: sendo minhota e porque me falava às vezes que gostava de Lampreia, num dos relatórios que entreguei, incluí em anexo a receita do arroz de Lampreia! Foi divertido! Não terá sido por isso como é óbvio, mas tanto eu como o meu grupo conseguimos uma excelente nota nesse projeto!

Sempre soube a profissão que queria seguir?

Desde criança tinha o sonho de ser médica. Cheguei a fazer algumas formações relacionadas com fisioterapia, primeiros socorros e assinava uma enciclopédia médica… Lia muito sobre doenças e gostava de ajudar os outros…

Quando fui para a Universidade e depois de ingressar na vida profissional, passei a adorar o que faço e em particular colocar em prática o espírito empreendedor e aventureiro que sempre me foi passado pelo meu pai ao longo dos anos. Gosto de estar ligada ao mundo empresarial e ao desenvolvimento de negócios, o que me permite ter acesso a muita informação e várias culturas. Gosto de conhecer pessoas e ter amigos em vários pontos do globo.

Como descreve a sua atividade profissional?

Desafiante! Estar em cargos de gestão é desafiante e exige muito foco. Estou rodeada por uma equipa fantástica o que também nos permite crescer ainda mais e fazer coisas espetaculares! O mundo empresarial é muito exigente e obriga-nos a estar atentos e em constante evolução. Não existem rotinas e é bom chegar ao final do dia e concluirmos que o dia foi produtivo, conseguimos avançar com os temas em curso e que conseguimos evoluir rumo aos objetivos que definimos.

O que mais a fascina na sua atividade profissional?

Gosto de novos desafios e do contacto com várias realidades, sectores, países e culturas diferentes. Atualmente a minha atividade profissional divide-se muito entre Portugal e Angola. Trabalho com excelentes profissionais nos dois países e tenho muitos e bons amigos. Fascina-me ter a noção real que para além da vida profissional, na qual coloco à disposição as minhas competências, existe uma outra vertente humana e de profunda amizade que nos acompanha ao longo da vida. É bom e confortante saber que somos reconhecidos como profissionais e como pessoas e em alguns casos sermos tratados quase como família.

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício da sua atual atividade?

Por vezes ouvimos que uma licenciatura “é uma licença” para trabalhar e assim foi… Quando terminei o curso, tinha uma sensação de apreensão sobre como enfrentar o mundo do trabalho efetivo. A verdade é que apesar dos desafios e da competitividade empresarial, o facto de conseguido esta “licença”, permitiu uma enorme polivalência que se reflete na minha carreira profissional.

A componente prática dos vários projectos e trabalhos laboratoriais realizados permitiram desenvolver técnicas de estudo e capacidade de análise que nos preparam para a vida profissional. A capacidade de encontrar soluções para os problemas ou exercícios que nos colocam são sem dúvida uma excelente base de preparação para a vida profissional. Não podemos bloquear perante um desafio ou problema. Tive também a sorte de na altura desenvolver um projeto inovador para época relacionado com a reciclagem de computadores.

Em resumo, o facto de ter abordado todas as componentes ambientais durante o curso e apesar de hoje ter uma função mais ligada à gestão e liderança, é relevante o conhecimento que adquiri. Sinto que estou preparada e se necessário, com algum estudo adicional, consigo estar por dentro de todos as componentes ambientais nos mais variados setores.

Ao nível da vertente social e interpessoal posso afirmar que a UA também foi muito importante. Ao conhecer muitas pessoas dentro e fora do curso pelas características que UA potencia, permitiu também evoluir como pessoa e fazer com que encare o mundo profissional de forma diferente, mais descontraída e com melhores resultados.

 

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