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Entrevistas
Professora UA – Raquel Silva, Departamento de Ciências Médicas
“Aproveitem as oportunidades do ambiente multidisciplinar e multicultural da UA”
Raquel Silva
É bióloga, investigadora em genética e especialista em análise bioinformática de mutações. Diz ser persistente e criativa, traços que considera fundamentais para ensinar e fazer ciência. Chama-se Raquel Silva, é professora do Departamento de Ciências Médicas (DCM) da Universidade de Aveiro (UA) e lembra que foi graças à sua primeira professora, que tem como exemplo, que estendeu os seus limites e saiu há muito da sua zona de conforto. E é mesmo por aí, pela vontade de fazer mais e melhor, que quer ver os seus alunos.

Licenciada e doutorada em Biologia pelo Departamento de Biologia da UA, foi investigadora no grupo de Genética Populacional do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP), entre 2008 e 2013. Em 2013 regressou à UA como investigadora no grupo de Bioinformática do Instituto de Engenharia Eletrónica e Informática de Aveiro (IEETA). Desde 2015 é investigadora do Instituto de Biomedicina (iBiMED) da UA e professora no DCM onde, durante este ano letivo, leciona várias disciplinas da Licenciatura em Ciências Biomédicas e do Mestrado em Biomedicina Molecular.

Quase sempre integrada em equipas multidisciplinares, os interesses de investigação de Raquel Silva refletem, em parte, esse percurso diversificado. A investigadora lembra, por exemplo, o seu interesse pelo estudo do papel do metabolismo da coenzima dinucleótido de nicotinamida e adenina na saúde e na doença, em particular como alvo de novas terapias anti-tumorais, e o trabalho que tem realizado no desenvolvimento de ferramentas computacionais para o estudo de genomas, no sentido de perceber o efeito de determinadas mutações ou para a identificação de agentes patogénicos.

Qual é o segredo para se ser bom professor?  

Penso que um bom professor é entusiasta e desperta nos outros a vontade de saber mais e fazer melhor. Tal como a minha primeira professora, deve procurar estender os limites dos seus alunos, para fora da sua zona de conforto, para que possam verdadeiramente descobrir algo novo em cada aula e procurar sempre ir mais além.

O que mais a fascina no ensino?

O conhecimento não deve ser estanque e é a possibilidade de transmitir esse conhecimento para que outros o possam aplicar, que me motiva enquanto docente e enquanto investigadora. É na interface entre a biologia, a saúde e a informática que mais gosto de trabalhar e ensinar, até porque vivemos na era digital em que o conhecimento está à distância de um clique e há cada vez mais dados disponíveis que necessitam de integração. É, por isso, importante saber usar e bem a informação em qualquer área e em especial na biomedicina, pelo que espero poder contribuir para treinar a próxima geração de profissionais na área das ciências biomédicas.

Como qualifica a formação que é dada aos estudantes no Departamento de Ciências Médicas?

Penso que a formação no Departamento de Ciências Médicas é bastante completa, talvez pela aplicação de métodos de PBL (problem-based learning, ou aprendizagem baseada em problemas). É por isso inovadora, mas também um desafio quer para alunos quer para docentes. O PBL prepara os alunos para um mercado de trabalho exigente e global, uma vez que ajuda a desenvolver qualidades fundamentais de trabalho em equipa, assertividade e liderança.

Que grande conselho daria aos seus alunos?

Aproveitem as oportunidades que o ambiente multidisciplinar e multicultural da UA proporciona, por exemplo frequentando unidades curriculares opcionais, cursos livres de línguas, ou assistindo a seminários de diferentes áreas e em diferentes departamentos. Esta diversidade de experiências irá contribuir para vos definir e distinguir profissionalmente no futuro.

Houve alguma turma que mais a tivesse marcado? Porquê?

Talvez a minha primeira turma de PBL, fiquei genuinamente impressionada com a sua capacidade de trabalho. Foi um grupo em que os elementos mais fortes ajudaram os outros a melhorar as suas qualidades, num verdadeiro trabalho de equipa. 

Pode contar-nos um episódio curioso que se tenha passado em contexto de sala de aula ou com estudantes?

Não tenho nenhum episódio particular a salientar, mas lembro-me de uma das primeiras aulas que dei na UA. No final, uma aluna veio ter comigo não para tirar dúvidas como habitual, mas para dizer que estava fascinada com aquele tema e até queria testar algumas ideias no laboratório. Penso que é este entusiasmo que faz valer a pena o nosso trabalho.

descrição para leitores de ecrã
Licenciada e doutorada em Biologia pela Universidade de Aveiro, Raquel Silva aguarda pela oportunidade de um dia escrever um romance

Traço principal do seu carácter

Sou persistente e criativa, traços que considero importantes tanto para a carreira científica como para a docência.

Ocupação preferida nos tempos livres

Sempre gostei muito de ler, apesar de ter cada vez menos tempo para o fazer. E, claro, brincar (e aprender!) com o meu filho.

O que não dispensa no dia-a-dia

Aprender algo novo, seja uma notícia do mundo científico ou uma receita para a sobremesa.

O desejo que ainda está por realizar

Escrever um livro. Talvez um romance, com algo científico à mistura.

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