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Investigação
Investigação de José Carlos Almeida do Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica
UA desenvolve material híbrido com potenciais aplicações em regeneração óssea
Os investigadores Maria Helena Fernandes, José Carlos Almeida e Isabel Salvado
Está a ser desenvolvido na Universidade de Aveiro (UA) um novo material hibrido (orgânico-inorgânico) que é biocompatível e apresenta propriedades mecânicas semelhantes às do osso humano. O trabalho está a ser realizado no Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica (DEMaC).

O osso humano é uma estrutura compósita contendo fibras orgânicas (colagénio) numa matriz inorgânica (hidroxoapatite). Recorrendo à tecnologia do sol-gel, uma das mais utilizadas para a produção de nanoestruturas, a partir da qual uma solução gelifica (forma um gel) e se transforma num sólido, a baixas temperaturas, a equipa do DEMaC conseguiu desenvolver uma metodologia de preparação de um material híbrido a partir de polidimetilsiloxano (PDMS – vulgarmente conhecido como silicone) e de um  alcóxido de silício.

Dessa forma, e de acordo com os investigadores, foi possível obter uma estrutura compósita capaz de mimetizar o comportamento mecânico do osso humano, em resultado de uma interação específica entre nanodomínios de sílica (inorgânica) e de PDMS (orgânico).

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Duas décadas depois de se ter licenciado em Engenharia Cerâmica e do Vidro, José Carlos Almeida regressou à UA para realizar o mestrado e o doutoramento

José Carlos Almeida descreve as várias vantagens do material e da metodologia de preparação que desenvolveu ao longo do trabalho de Doutoramento em Ciência e Engenharia de Materiais, numa pesquisa orientada pelas docentes Isabel Salvado e Maria Helena Fernandes.

Em primeiro lugar o material é biocompatível. “Fomos capazes de introduzir no material híbrido iões de cálcio e de estrôncio, fundamentais para a regeneração óssea, tirando partido de novas metodologias de preparação”, aponta o investigador. “Tivemos sempre a preocupação de produzir peças que pudessem ser maquinadas (o que pode ser interessante para implantes personalizados) e que não se degradassem ao serem esterilizadas. Tal foi conseguido com um estudo sistematizado das relações entre a composição, a metodologia de preparação e as propriedades finais do material – aquilo que define a ciência dos materiais”, diz.

Os investigadores salientam ainda a participação do Laboratório de Metabolismo e Regeneração Óssea – Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto, do Campus Tecnológico e Nuclear do Instituto Superior Técnico e do Budapest Neutron Center da Hungria.

Àcerca da continuação do trabalho, José Carlos ressalta que “temos em curso algumas colaborações com universidades europeias, designadamente com a Universitat Jaume I de Castelló,em Espanha, e com o Friedrich-Alexander-University Erlangen- Nuremberg na Alemanha ”.

Sobre a UA e o DEMaC, José Carlos afirma: “Tive a sorte e o prazer de me licenciar aqui, em Engenharia Cerâmica e do Vidro e voltar à UA, passados 20 anos, para fazer um mestrado e me doutorar. Não haja dúvidas de que esta universidade tem muitas razões para figurar entre as melhores da Europa na área dos materiais.”

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