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Entrevistas
Professora UA – Rita Simões, Departamento de Matemática
“Não aceitem as coisas só porque sim... Questionem e dediquem-se!”
Rita Simões
Afinal, para que precisamos da Matemática? A pergunta é frequente entre os estudantes de alguns dos cursos na Universidade de Aveiro (UA) que, no primeiro ano, têm Matemática no plano curricular. Na sala de aula Rita Simões explica, descomplica e cativa. A professora do Departamento de Matemática (DMat) transforma os ‘bichos de sete cabeças’ em simples e lógicas ferramentas de raciocínio e de resolução de problemas cujo domínio é essencial a qualquer carreira de sucesso.

Licenciou-se em Ensino de Matemática na UA. Seguiu depois para a Universidade de Lisboa onde fez Mestrado e Doutoramento em Matemática. Ainda durante os estudos, em 2001, estreou-se como professora no DMat. Já lá vão 15 anos. Nunca mais largou a paixão pelo ensino que lhe permite cativar e deixar os olhos e a mente dos estudantes arregalados e ansiosos pela próxima aula.

Investigadora desde 2010 no Centro de Investigação e Desenvolvimento em Matemática e Aplicações (CIDMA) da UA, Rita Simões é especialista no estudo de códigos para a proteção de informação em duas dimensões. 

Como define um bom professor?

Para mim, um bom professor é aquele que gosta de ensinar, de partilhar conhecimentos, ideais dentro e fora da sua área. Um bom professor é exigente. E, por fim, mas não menos importante, um bom professor é alguém que cativa e consegue deixar os olhos e a mente de quem ensina arregalados e ansiosos pelo próximo ensinamento. Quanto ao segredo para se ser um bom professor, diria que basta gostar de o ser. Mas, na realidade, existem muitas condicionantes...

 O que mais a fascina no ensino?

Ser professor permite-nos, a cada semestre, a cada ano, lidar com as mais diversas pessoas, criando a necessidade de uma constante adaptação a essa diversidade. Isso fascina-me. Ou fascínio é o desafio de motivar e cativar essa diversidade.

Como qualifica a formação que é dada aos estudantes nos cursos a que está ligada?

As disciplinas que lecciono estão associados a cursos exteriores ao departamento onde estou afeta. Além disso, são disciplinas do primeiro ano.  Por isso não me sinto com à vontade para falar do formação desses cursos. Posso no entanto referir a formação matemática exigida nesses cursos. Não sendo cursos de Engenharia, a formação Matemática é muitas vezes posta em causa, principalmente pelos próprios alunos. A célebre questão “Para que precisamos da Matemática?” A matemática exigida nos cursos a que estou ligada, nomeadamente Turismo, Reabilitação do Património e Design do Produto e Tecnologia, e recordo que muitos dos alunos que frequentam estes cursos chegam à Universidade com o 9º ano de matemática, tem como objectivos não só nivelar todos os alunos para uma Matemática superior como proporcionar ferramentas de raciocínio e resolução de problemas.

Costumo dizer aos meus alunos que podem não precisar de saber calcular um integral (de facto, a tecnologia está ao nosso dispor também para isso), mas têm que saber descobrir e perceber que é necessário fazer esse cálculo. E nesse sentido julgo que a Matemática exigidas nesses cursos está perfeitamente adequada e é uma mais valia para os cursos em questão.  

Que grande conselho daria aos seus alunos?

Repito todos os anos e várias vezes durante as minhas aulas: sejam ativos e não se acomodem, sejam curiosos e interessados. Na aprendizagem, na vida. Não aceitem as coisas só porque sim... Questionem e dediquem-se.

Houve alguma turma que mais a tivesse marcado?

Foram diversos os alunos que me marcaram nesta (mais de) década de ensino. Pelos mais diversos motivos. Mas, sem dúvida, que os que me marcam mais são aqueles que iniciaram o ano desmotivados e com a crença de que não conseguiriam obter a aprovação, mas no fim exclamam com um ar orgulhoso: “Isto afinal era fácil!” Fica sempre a sensação de dever cumprido: desmistificar o papão da Matemática.

Pode contar-nos um episódio curioso que se tenha passado em contexto de sala de aula ou com estudantes?

Escolhendo um recente, aconteceu na última aula deste primeiro semestre. Nas disciplinas que leciono faço diversos momentos de avaliação escritos durante as aulas. Nessa aula, os alunos iriam realizar o seu último momento de avaliação e sou surpreendida com duas tabletes de chocolate. E tudo porque, durante o semestre, confessei aos alunos que, devido à “não qualidade” das suas respostas, comia muito chocolate aquando da correção das mesmas. Antecipando já a qualidade das suas respostas, acharam por bem presentear-me! Fiquei com o coração doce.

descrição para leitores de ecrã
Docente há 15 anos, Rita Simões licenciou-se no Departamento de Matemática da Universidade de Aveiro

Traço principal do seu carácter

Nunca desistir

Ocupação preferida nos tempos livres

Ler

O que não dispensa no dia-a-dia

Um sorriso

O desejo que ainda está por realizar

Viajar (mais!)

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