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Entrevistas
Antigo aluno UA – Paulo Ventura, licenciado em Física de Materiais e Doutorado em Física
“Não me interessa dizer como se faz. Interessa-me fazer”
Paulo Ventura
Descomplicar o conhecimento e humanizar o ensino. Um quarto de século depois de ter concluído a Licenciatura em Física de Materiais na Universidade de Aveiro (UA), onde também tirou o Doutoramento em Física, os dois grandes ensinamentos permanecem-lhe gravados na memória. Paulo Ventura foi professor no ensino superior e trabalhou na indústria em semicondutores, em desenvolvimento de produto e qualidade e em energias renováveis. Hoje tem nas mãos o seu próprio projeto de apoio às PME´s no desenvolvimento de produtos e mercados.

Terminou a Licenciatura em Física dos Materiais (atual Mestrado Integrado em Engenharia Física) em 1993. Em 2002, também no Departamento de Física da UA, concluiu o Doutoramento em Física de semicondutores. Pelo meio, e logo após terminar a licenciatura, seguiu para a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro onde deu aulas. Já na fase final do Doutoramento foi trabalhar para o projeto de semicondutores que a Siemens estava a implementar em Vila do Conde. Em 2008 abraçou um novo projeto em Espanha ligado às energias renováveis, onde liderou uma equipa de desenvolvimento de produto e fiabilidade e, depois disso, foi diretor geral do Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro em Coimbra até 2015.

Atualmente está a desenvolver um projeto próprio suportando as empresas nas suas tarefas de desenvolvimento de produto, incluindo acreditações e certificações, complementado com o desenvolvimento de novos mercado.

Quais os motivos que o levaram a estudar na UA?

Na altura, confesso que foi por uma questão de proximidade de casa. As condições económicas assim o pediam, mas estavam em sintonia com a minha vontade própria. Foi com muito gosto que consegui entrar na UA.

O curso correspondeu às suas expectativas? E a UA?

Muito! Na altura não sabia muito bem ao que ia, mas hoje voltaria a optar pela UA. Foi durante muito tempo a minha segunda casa e em algumas alturas a primeira. Tenho muito orgulho em ter visto crescer muitíssimo a UA (e sublinho o muitíssimo!) e, dentro das minhas possibilidades, ter ajudado nesse crescimento, por exemplo, exercendo algumas responsabilidades dentro de órgãos da Universidade.

O que mais o marcou na UA?

O que mais me marcou foi, sem dúvida, as qualidades cientificas e pessoais do corpo docente. Respeitando todos, atrevo-me a nomear a Drª. Celeste do Carmo pelo seu pragmatismo ante a ciência e a sua capacidade para ‘descomplicar o conhecimento’ e ‘humanizar o ensino’. Esse foi o ensinamento que mais me marcou e que ainda hoje tento transmitir. Lembro-me também com gosto dos anos de transição da Licenciatura em Física para a engenharia (as discussões que tivemos sobre o que seria importante como currículo do novo curso) e da mudança de edifícios. Anos de grande dinamismo e boa camaradagem…

Sempre soube a profissão que queria seguir?

Ainda hoje não sei responder a essa pergunta. A minha vida profissional apareceu sem planear. Eu estava convencido que ia manter-me na UA até que apareceu o desafio da Siemens. A partir daí tem sido assim: vou aceitando desafios e os desafios trouxeram-me até aqui, com competências mais vincadas no desenvolvimento de ideias novas, associadas a processos produtivos, sempre muito ligado aos centros de saber e com muito respeito por aquilo que o cliente final deve receber.

Como descreve a sua atividade profissional?

O desenvolvimento de produto e mercado, associado a questões como a certificação, a acreditação, a fiabilidade, o registo de ideias, etc., é um mundo muito interessante. Acabamos por ter que aprender sempre coisas novas, o que nos obriga a desenvolver uma grande transversalidade em termos de competências.

O que mais o fascina na sua atividade profissional?

Neste momento, poder trazer à luz do dia as boas ideias que as PME’s têm, mas que por um motivo ou outro não conseguem alavancar. A principal ideia não é estabelecer uma relação de consultoria com as empresas. Antes, o que me interessa é estar na linha de produção e liderar o processo de criação. Não me interessa dizer como se faz, interessa-me fazer. É isso que me fascina…

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício da sua atual atividade?

Desde logo a capacidade de aprender. Depois a capacidade de descomplicar o conhecimento – como referi acima – e a capacidade técnica para conseguir dominar diferentes áreas do saber.

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