conteúdos
links
tags
Campus
Reitor faz balanço no 43º aniversário da UA
“Fizemos bem e a nossa velocidade de cruzeiro é boa”
A secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior interveio na sessão do 43º Aniversário da UA
Em dia de aniversário da Universidade de Aveiro (UA), e de balanços, o Reitor Manuel António Assunção lembrou porque “2016 tem sido um ano bom”. Entre várias outras razões, referiu a construção do novo edifício do Departamento de Comunicação e Arte (DeCA), inaugurado momentos antes da sessão na presença da secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Deixou ainda uma palavra de apreço pelo trabalho desenvolvido por Henrique Cruz, de saída da Associação Académica, e uma saudação ao presidente do Conselho de Curadores.

Para além do novo edifício do DeCA, designado Complexo das Ciências de Comunicação e Imagem, o Reitor da UA salientou, no balanço do ano, o aprofundamento do programa para a Saúde e a assinatura do memorando “Mais Conhecimento Melhor Saúde em Aveiro” com várias instituições, o estabelecimento das parcerias com a Bosch e, em breve, com a Navigator Company, a candidatura a fundos regionais de sete linhas de investigação, de caráter transversal - incluindo áreas de investigação da UA – e o aumento no número de detentores das tão prestigiadas bolsas do European Research Council: agora são dois.

No balanço de 2016 foi ainda incluída a intensificação do ritmo de concursos para docentes e não docentes e realçado o recrutamento de dez investigadores de topo, procedimento que será continuado no próximo ano.

Para além dos marcos científicos, Manuel António Assunção assinalou a duplicação do número de alunos excecionais com a atribuição de bolsas aos melhores caloiros, a dinamização da prática desportiva, a política de redistribuição de vagas que permitiu aumentar a atração de estudantes melhores e mais motivados. Não esqueceu o reforço das redes estabelecidas na região, autarquias e tecido produtivo, e lembrou o caminho para um campus bike friendly, com o contributo do projeto U-Bike.

UA alarga área de atuação e visibilidade internacional

No campo dos avanços na investigação e transferência de conhecimento e ligação à sociedade, o responsável apontou a entrada em funcionamento do ECOMARE, abrangendo já uma parceria com o Oceanário de Lisboa e uma articulação com o CITAQUA – direcionado para o apoio à aquacultura na Ria -, onde a UA também participa, e a Design Factory, que está quase concluída no Parque de Ciência e Inovação. Quanto à comunicação de ciência e à Fábrica Centro Ciência Viva mereceu referência a instalação da segunda Casa de Ciência de Cabo Verde e o desenvolvimento, produção e instalação do “Dóing”, o primeiro MakerSpace de Portugal em museus.

“Enquanto isto tudo aconteceu, mantivemos ou melhorámos a nossa posição nos rankings internacionais e acautelámos a estabilidade financeira; não descurando, ao mesmo tempo, o acompanhamento dos estudantes, em geral, e o apoio devido aos estudantes carenciados ou com necessidades especiais.”, salientou o líder da equipa reitoral.

Na sessão que assinalou o 43º aniversário da UA, o Reitor aproveitou para saudar o presidente do Conselho de Curadores, António Correia de Campos, ex-ministro da Saúde, especialista em gestão de serviços de Saúde e professor da Universidade Nova de Lisboa: “Sei do seu empenho, que é também o dos restantes Curadores, em tornar possível o aprofundamento do regime fundacional, de modo a permitir à UA e a outras suas congéneres um melhor e mais efetivo cumprimento da missão que responsavelmente assumem. É com grande agrado que acolho o Professor Correia de Campos nesta casa; confiando todos nós, naturalmente, na valia da ação que levará a cabo.”

A universidade é uma instituição adulta

Na sua intervenção, o presidente do Conselho de Curadores deixou críticas à atual maneira de entender a gestão das instituições públicas, universidades e os seus órgãos incluídos, apontando cinco mitos sobre as instituições públicas. Em relação ao “fechado perímetro orçamental”, poder transferir saldos para o ano seguinte permitiria uma gestão mais racional e melhor economia. Por outro lado, quanto ao método “rédea curta”, defende que este desresponsabiliza os gestores. Quanto ao terceiro, “contratos-programa são uma invenção retórica e redundante”, Correia de Campos considera que a corrupção se previne “mais pela transparência do que pelo formalismo cartorial”. Sobre o mito de que os fundos autónomos são perigosíssimos, “controlos, auditorias e curadores devem todos mostrar o que valem e não ser meras figuras de retórica”. Finalmente, “o que as universidades querem é contratar pessoas à vontade”: o ex-ministro considera, pelo contrário, que “os que se sentam hoje à mesa do orçamento têm refeição curta, breve e insegura”, referindo o exemplo dos investigadores.

“Os conselhos de curadores estão dispostos a aceitar riscos para tutelar uma gestão moderna de instituições velhas de séculos (não a UA)”. “Em nome do Conselho a que pertenço, devo declarar que estamos dispostos a servir a Universidade e que queremos servi-la com responsabilidade e inteligência. É necessário tratar a universidade como uma instituição adulta. Um curador cuida, não tutela!”, defende.

Para uma ciência cada vez mais aberta

A secretária de Estado, Fernanda Rollo, elogiou o papel da UA na produção de novo conhecimento científico, na transferência desse conhecimento para a sociedade, na promoção da inovação e na construção e defesa de um legado patrimonial.

Referiu a necessidade de continuar a lutar pela prioridade, política e económica, à ciência, alargando a base de atuação. “Não nos conformamos a ter um, em cada três alunos, no ensino superior; a que 90 por cento dos alunos no ensino profissional não entrem nas universidades e não nos conformamos com taxas de abandono, em alguns casos, próximas de 50 por cento no ensino superior, apesar dos esforços no interior das universidades”, afirma Fernanda Rollo, referindo ainda a necessidade de criar contextos mais inclusivos para os estudantes e investigadores.

O acesso aberto ao que as instituições de ensino superior fazem terá de ser, cada vez mais, inquestionável. “O mínimo que podemos exigir, enquanto contribuintes, é que o conhecimento, quando financiado por fundos públicos, seja partilhado entre investigadores e estudantes, não só a nível nacional mas também internacional”. Um previsível universo de 300 milhões de falantes, em poucos anos, “torna o desafio da ciência em português um os mais exigentes”, salienta Fernanda Rollo. O desafio da “ciência aberta passa por aí”, defende.

Henrique Cruz apela ao congelamento de propinas

Em tempo de passagem de testemunho à frente dos destinos da Associação Académica da UA (AAUAv), Henrique Cruz não deixou de saudar “os 43 anos em que a UA cresceu a olhos vistos”, desde o tempo de seu pai, antigo aluno: “Somos mais de 16 mil a promover um ensino superior universitário e politécnico de excelência em três campi espalhados por uma região que não pode deixar de assumir a UA como parceiro importante no seu desenvolvimento socioeconómico”.

Aproveitando a presença da secretária de Estado, Henrique Cruz apelou à reabertura da discussão sobre o financiamento do ensino superior e mostrou-se favorável ao “congelamento real do valor da propina para todas as instituições”.

Distinções para os melhores

A sessão terminou com entrega de prémios aos melhores alunos pelas empresas e entidades patrocinadoras (lista aqui) e de bolsas de mérito aos alunos com média igual ou superior a Muito Bom (16 valores) – lista aqui.

Foi também entregue o Prémio Literário Aldónio Gomes – edição dedicada à narrativa juvenil - a Luísa Fonseca, pseudónimo de Ana Cunha.

imprimir
tags
ficheiros associados
outras notícias