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Opinião
Rui Vieira, professor da UA, escreve a propósito do início do ano letivo
Reptos para um Pacto Educativo
O professor Rui Marques Vieira
Mais um início de ano letivo! Este marcado por ações como a disponibilização de manuais escolares gratuitos para todos os alunos do 1.º ano de escolaridade, o Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar e a municipalização / descentralização da educação. Rui Marques Vieira, professor do Departamento de Educação e Psicologia e um dos organizadores das tertúlias "Pensar a Educação", identifica alguns desafios para a Educação em Portugal.

Com efeito, particularmente desde a publicação da Lei de Bases do Sistema Educativo (que está a fazer 30 anos), tem-se assistido a variadas reformas e mudanças educativas, entre outras, nos currículos escolares, na formação de Professores e na organização e gestão das escolas/agrupamentos. Tal situação, conforme evidenciado por estudos realizados (de que é  exemplo o divulgado em: https://www.publico.pt/sociedade/noticia/exaustos-desiludidos-baralhados-e-assim-com-um-terco-dos-professores-1743362), parece contribuir também para a exaustão e desilusão de cerca de um terço dos atuais professores portugueses.

Tais resultados impelem à reflexão e discussão sobre as questões educativas, em diferentes contextos, como as que têm ocorrido no âmbito das tertúlias “Pensar Educação” (http://tertuliapensareduca.blogspot.pt/) organizadas por Docentes do Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro. Nesta perspetiva, tal como já anteriormente defendido em outros contextos, retomam-se e sistematizam-se aqui reptos educativos, que um pacto alargado facilitaria para a sua efetiva consecução a médio e longo prazo:

  1. Avaliar o modelo de avaliação de desempenho dos Professores em vigor e proceder aos ajustes considerados necessários; importa incentivar e contribuir para a existência de condições incitativas de desempenhos de excelência a favor da qualidade dos processos formativos (não o fazer poderá hipotecar e “congelar” o futuro e o ânimo de uma geração de professores no ativo!);
  2. Avaliar o modo como foi e está a ser operacionalizado o processo de Bolonha na formação inicial de Professores, além do processo que está a ser implementado pelo A3ES. Potenciar, com base em resultados de tais estudos de avaliação, a articulação entre a formação inicial e a formação continuada de professores.
  3. Valorizar a profissão docente com reconhecimento responsável da autoridade dos Professores; não podemos continuar a assistir às situações de desafio e desrespeito, sendo que esta é uma das principais insatisfações dos professores (ver dados em: https://www.publico.pt/multimedia/infografia/as-preocupacoes-e-motivacoes-dos-professores-199).
  4. Realizar meta-análises da investigação em educação, especialmente em Portugal, divulgar as boas práticas e fomentar a sua racional apropriação e consequente implementação;
  5. Pensar e atuar de forma holística os vários componentes do sistema educativo, como sejam programas e metas disciplinares, formação de professores e avaliação;
  6. Avaliar a qualidade da formação dos cursos profissionais e outros, como os cursos EFA, sem deixar de alargar as oportunidades de aprendizagem para jovens e adultos que pretendam continuar a sua educação;
  7. Identificar as áreas a projetar para o futuro como prioritárias, necessárias e emergentes de formação e qualificação (quer no ensino secundário, profissional, superior, …);
  8. Avaliar as iniciativas educativas que vão sendo implementadas por especialistas independentes.  

 

Rui Marques Vieira

Professor da Universidade de Aveiro, Departamento de Educação e Psicologia

Investigador em Educação no CIDTFF

(texto publicado em simultâneo com o suplemento "Regresso às Aulas", do Diário de Aveiro de 15 de setembro de 2016)

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