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Entrevistas
Professora UA – Zélia Breda, Departamento de Economia, Gestão, Engenharia Industrial e Turismo
Ensino de excelência na maior escola de Turismo do país
Zélia Breda
Foi a primeira universidade portuguesa a abraçar o estudo e ensino do Turismo. Há quase três décadas nascia na Universidade de Aveiro (UA) a Licenciatura em Turismo para abanar um país onde formações em hotelaria e restauração eram então sinónimo de ensino na área. Seguiu-se depois a criação do Mestrado, do Doutoramento e da primeira revista científica nacional dedicada ao Turismo. Hoje, como sempre, o Departamento de Economia, Gestão, Engenharia Industrial e Turismo (DEGEIT) é a maior e mais prestigiada escola de ensino e investigação em Turismo no espaço lusófono e tem em Zélia Breda um dos professores que ajudam a justificar todo o reconhecimento internacional obtido.

Doutorada em Turismo, mestre em Estudos Chineses na vertente de Negócios e Relações Internacionais e licenciada em Gestão e Planeamento em Turismo (atual Licenciatura em Turismo) pela UA, onde é professora de diversas unidades curriculares dos três ciclos de ensino ligadas ao Turismo no DEGEIT, Zélia Breda faz parte dos conselhos editorial, científico e de revisores de algumas revistas académicas nacionais e internacionais. A investigadora faz também parte das comissões organizadora e científica de conferências internacionais na área do Turismo.

É diretora do Mestrado em Gestão e Planeamento em Turismo, membro integrado da Unidade de Investigação ‘Governança, Competitividade e Políticas Públicas e membro fundador do Observatório da China e do Instituto Português de Sinologia. É autora e coautora de diversos trabalhos sobre o desenvolvimento do turismo, redes e governança, turismo na China e Goa (Índia), as questões de género no turismo e a internacionalização da economia do turismo. Zélia Breda tem também participado em vários projetos de investigação na área do turismo, tanto como membro da equipa como consultora.

Como qualifica a formação que é dada no DEGEIT na área do Turismo?

Na área do turismo, a UA é uma instituição de referência no espaço lusófono, assim como a nível nacional, tendo sido a primeira universidade a criar uma licenciatura, mestrado, doutoramento e revista científica [Revista Turismo & Desenvolvimento]. Realiza de forma regular, desde 2010, uma grande conferência internacional, a INVTUR, afirmando-se como um importante fórum de discussão e interação científica, assim como constitui um espaço de divulgação dos trabalhos realizados pelos nossos estudantes do 2º e 3º ciclos. A empregabilidade é também uma preocupação transversal aos diversos cursos do departamento, pelo que se adotou um conjunto de iniciativas de aproximação ao mundo empresarial, das quais se destaca o programa de estágios (curriculares e de verão), assim como o desenvolvimento de competências empreendedoras e criativas, através do programa ‘learning to be’.

Qual é o segredo para se ser bom professor?

Penso que os ingredientes deverão passar pela solidez em termos científicos, boa preparação a nível pedagógico, e acima de tudo pela capacidade de motivar e estimular os estudantes. Ser professor é também estar constantemente a aprender, ser aberto e flexível, respeitando o aluno. Mas não existe uma receita única, havendo bons professores com diferentes perfis.

O que mais a fascina no ensino?

Ver os estudantes ‘crescer’ e afirmarem-se no mercado de trabalho ou em termos académicos é uma satisfação muito grande. Mas a profissão de docente não se esgota no ensino, há também a componente da investigação que é muito aliciante. Poder trabalhar numa área em que se aliam duas áreas de que se gosta é um privilégio.

Que grande conselho daria aos alunos?

O conselho que costumo dar é que aproveitem ao máximo todas as oportunidades que a UA oferece para enriquecerem o seu curriculum. Não se trata apenas da formação em contexto de aula, mas também da participação em outro tipo de atividades que potenciem a aprendizagem (palestras, estágios, …). Tendo sido coordenadora do programa Erasmus+ durante alguns anos, a experiência em mobilidade internacional é algo que incentivo, uma vez que valoriza a sua formação e os faz crescer enquanto pessoas. ‘Obriga-os’ a sair da sua zona de conforto e a conhecer outras realidades, ficando com uma perspetiva mais ampla do mundo, além de terem de desenvolver competências linguísticas, que na área do turismo é muito importante. Outro conselho que costumo dar é a participação em diversas iniciativas organizadas pelo DEGEIT para promover o desenvolvimento de soft skills, que são cada vez mais importantes e valorizadas pelo mercado de trabalho.

Houve algum aluno que mais a tivesse marcado? Porquê?

É difícil apontar apenas um aluno. Tenho tido o privilégio de conhecer vários estudantes que se destacaram pelo seu espírito crítico, assertividade, capacidade de trabalho, autonomia, empenho e dedicação, qualidades que se traduziram na sua brilhante prestação académica e, posteriormente, no seu percurso profissional. Ainda mantenho o contacto com muitos deles.

No entanto, em termos de turmas, destaco os finalistas da licenciatura em Turismo de 2007/2008 (o último grupo a terminar a licenciatura de 4 anos), que me marcaram por ser a primeira turma que lecionei e pelo facto de serem muito dedicados. Houve também uma turma com um grupo excecionalmente numeroso de estudantes muito bons, alguns dos quais prosseguiram o seu percurso académico e se mantêm ligados à UA.

Há ainda a destacar os diversos grupos de estudantes que têm colaborado, como voluntários, na conferência internacional INVTUR (realizada de 2 em dois anos desde 2010). O trabalho que antecede o evento é sempre muito intenso, e eles são incansáveis no apoio às diversas tarefas (algumas delas pela noite dentro!), desempenhando as suas funções com grande profissionalismo, dedicação e criatividade. O espírito de camaradagem e de entrega à causa é algo que é transversal aos vários grupos com quem tenho trabalhado.

Pode contar-nos um episódio curioso que se tenha passado em contexto de sala de aula ou com estudantes?

A organização da conferência INVTUR tem proporcionado muitos momentos de boa disposição e surgem sempre episódios caricatos. Havendo participantes de várias nacionalidades, as competências linguísticas dos estudantes são colocadas à prova, e muitas vezes isso gera situações engraçadas, como é o caso de um estudante que, não sabendo a tradução de água com gás (sparkling water), improvisou e chamou-lhe “water without oxygen”. 

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