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Entrevistas
Antiga Aluna UA - Catarina Sobral, licenciada em Design
Uma ilustradora capaz de abraçar o mundo das crianças e adultos
Catarina Sobral (foto de Helena Tomás)
Começou a trabalhar como designer, mas cedo percebeu que gostava muito mais de ilustrar histórias. A aposta em dar forma, cor e vida a livros de crianças e não só já valeram a Catarina Sobral vários prémios. Em 2011, com o "Greve", o seu primeiro livro, recebe uma Menção Especial no Prémio Nacional de Ilustração. O livro seguinte, o "Achimpa", venceu em 2012 o Prémio Amadora BD para Melhor Ilustração de Livro Infantil e o Prémio SPA para Melhor Livro Infanto-juvenil. Mas é com "O Meu Avô" que o trabalho da designer licenciada na Universidade de Aveiro (UA) é projetado internacionalmente.

O livro vence em 2014 o Prémio Internacional de Ilustração, em plena Feira do Livro Infantil de Bolonha, e distingue-a como a melhor ilustradora para a infância com menos de 35 anos.

Catarina Sobral nasceu em Coimbra, em 1985. Licenciada em Design pelo Departamento de Comunicação e Arte da UA, conclui mais tarde um mestrado na área de Ilustração na Escola Superior de Educação e Ciências de Lisboa, numa parceria com a Universidade de Évora. Pelo meio, Catarina Sobral rumou a Espanha, mais concretamente à Faculdade de Belas Artes da Universidade de Barcelona, em regime de Erasmus.

“Depois de acabar o curso de Design e de passar por dois ateliês fui fazer um mestrado em Ilustração, do qual resultaram dois livros: o "Greve", projeto final do ano curricular, e o "Achimpa", projeto da tese de mestrado”, recorda hoje aquela que já é uma referência da ilustração nacional. Desde então tem trabalhado com ilustração para a imprensa, capas de discos, cartazes, animação e sobretudo com álbuns ilustrados. Tem nove livros publicados em dez línguas, seis deles também escritos pela própria mão.

Primeiros passos na Universidade de Aveiro

Das competências adquiridas na academia de Aveiro, e que a ilustradora Catarina Sobral entende terem sido fundamentais para o exercício da sua atividade, a antiga estudante recorda “a abordagem projetual holística: o entendimento do álbum ilustrado como um todo, um objeto de arte com características materiais que também comunicam sentido (tipo de papel, de impressão, de encadernação, formato, peso, tamanho, etc.)”.

Na academia de Aveiro Catarina Sobral diz que ganhou também competências que hoje lhe permitem acompanhar as várias etapas da produção de um livro. “Desenho os alfabetos, pagino-os, acompanho as saídas de máquina, desenho outros suportes de divulgação como cartazes de lançamentos, book trailers ou exposições de originais”, diz a autora. Carlos Aguiar e Pedro Almeida, são os professores do Departamento de Comunicação e Arte que recorda por terem marcado decisivamente a sua carreira.

“Em 2011 o meu primeiro livro, "Greve", ganhou uma menção especial do Prémio Nacional de Ilustração e foi selecionado para a Exposição do País Convidado da Feira do Livro Infantil de Bolonha. Depois o meu segundo livro, Achimpa, ganhou o prémio de Melhor Livro de Literatura Infanto-Juvenil da Sociedade Portuguesa de Autores e de Melhor Ilustração de Livro Infantil do Festival Amadora BD”, recorda.

Imparável, as menções não ficaram por aí. Já em 2016 foi distinguida com o prémio da Fundação Cuatrogatos, foi finalista do Soligatto 2015 e recomendada pelo centro de estudos chileno Troquel.

Passaporte para o mundo

O meu Avô acorda todos os dias às 6 da manhã. O Dr. Sebastião acorda às 7. Cruzam-se todos os dias à mesma hora. O meu Avô já teve uma loja de relógios. Agora tem bastante tempo. O Dr. Sebastião não é relojoeiro nem tem tempo a perder. O meu Avô tem aulas de alemão e aulas de pilates. Escreve cartas de amor (ridículas) e faz regularmente piqueniques na relva, comme il faut. Depois, ainda tem tempo para ir buscar-me à escola…

Assim começa "O Meu Avô", uma obra onde o protagonista e narrador é uma criança que vai descrevendo as rotinas diárias do avô, contrapondo-as à de um vizinho. Nessas rotinas há tempo para o avô passear o cão, ter aulas de pilates e de alemão, cultivar um jardim e ir buscar o neto à escola. De Fernando Pessoa a Manet, de Almada Negreiros a Tati, o livro traz páginas repletas de referências artísticas.

Editado em 2014, recomendado pelo Plano Nacional de Leitura (para estudantes do 2.º ano do 1.º ciclo – leitura autónoma) e destinado a leitura autónoma, aquele que é o seu terceiro livro foi selecionado para a Exposição dos Ilustradores da Feira de Bolonha – um certame considerado uma montra das tendências mais recentes da produção de ilustração para os mais pequenos e a mais importante feira de negócios do mercado livreiro de literatura para crianças e jovens – e ganhou o Prémio Internacional de Ilustração.

Na altura, o júri do prémio elogiou a obra de Catarina Sobral como uma "referência à tradição gráfica dos anos 1950, com uma interpretação contemporânea e a composição da imagem baseada em figuras geométricas básicas". A “grande maturidade e a forte identidade pessoal” dos desenhos da ilustradora portuguesa e a “essência das figuras geométricas combinadas para produzirem uma composição visual altamente eficaz” foram outros dos argumentos que o júri, por unanimidade, teve em conta para atribuir o prémio à ilustradora portuguesa. O reconhecimento além-fronteiras passou então a ser uma realidade para o trabalho de Catarina Sobral.

Já em 2016 foi selecionada para a Ilustrarte. O seu quarto livro, "Vazio", foi distinguido como o Best of Show do Picture Book Show da revista "3x3" e, tal como o "Greve", selecionado para o catálogo "White Ravens". E o livro "O Chapeleiro e o Vento" foi finalista do Sharjah Exhibition for Children’s Book Illustrations e o seu trabalho de ilustração editorial já foi distinguido pela revista "3x3", pela AOI, pelo Clube de Criativos de Portugal e pela Bienal Iberoamericana de Diseño.

Nota: este artigo foi publicado na edição número 25 da revista Linhas

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