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Entrevistas
Professora UA – Ana Dias Daniel, Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial e Turismo
Inovação e Empreendedorismo: da sala de aula para a vida toda
Ana Dias Daniel
É um nome obrigatório quando o tema é a investigação nacional nas áreas da Inovação e do Empreendedorismo. Chama-se Ana Daniel e é uma das pontas de lança do Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial e Turismo (DEGEIT) da Universidade de Aveiro (UA) para desenvolver nos estudantes a criatividade, a pró-actividade ou a capacidade de liderança e de trabalho em equipa obrigatórias para se alcançar uma carreira de sucesso. Objetivos, garante a docente, que o DEGEIT, a par de uma formação académica de excelência, se orgulha de cumprir.

Responsável pelas unidades curriculares de Empreendedorismo e Bioempreendedorismo leccionadas aos alunos do 1º e 2º ciclo, e de Empreendedorismo e Inovação, dirigida a alunos do 3º ciclo, Ana Daniel, professora no DEGEIT desde há 6 anos, acompanhou o desenvolvimento e implementação de várias empresas spin-offs, nomeadamente na área da biotecnologia e materiais.

Senior Expert da Comissão Europeia (CE) no programa SME Instrument e consultora da Exploitation Strategy and Innovation Consultants’ initiative (ESIC2) também promovida pela CE, apoiando vários projectos europeus na área da inovação e comercialização de tecnologia, Ana Dias Daniel é Doutorada pela UA, fez o MBA na Escola de Gestão do Porto e fez o Price-Babson Symposium for Entrepreneurship Educators do Babson College, em Boston (USA).

De 2003 a 2011, foi diretora executiva da Unidade de Transferência de Tecnologia do Laboratório Associado CICECO, tendo adquirido uma sólida experiência no processo de protecção e comercialização de tecnologia, quer através do licenciamento, quer através da criação de start-ups e spin-off. Durante este período teve, ainda, um papel activo em várias associações profissionais, de que se destaca a participação no Professional Development Committee da ASTP (actualmente ASTP Proton – Knowledge Transfer Europe).

 

Como qualifica a formação que é dada aos estudantes nos cursos a que está ligada?

Como leciono uma unidade curricular transversal a todos os cursos – Empreendedorismo – consigo ter uma visão da formação dada em cada departamento e em cada curso da UA. Tenho notado que, para além da formação de excelência, os vários departamentos têm, cada vez mais, promovido a aproximação dos estudantes à realidade do mercado de trabalho e à sensibilização para o empreendedorismo. O caso do DEGEIT é um bom exemplo disso.

Qual é o segredo para se ser um bom professor?

Para mim, é aquele que consegue cativar a atenção/confiança dos alunos, inspirando-os a superarem as suas capacidades, munindo-os de competências e conhecimentos que os ajudem a realizar os seus objectivos e sonhos. Um bom professor é, acima de tudo, alguém capaz de potenciar o pensamento crítico e disruptivo, ou seja, ensina a fazer perguntas e a procurar soluções, mais do que a dar respostas.

Ao longo dos últimos anos, a qualidade e eficácia do ensino tem sido um tema que tenho investigado, em especial no caso do ensino do empreendedorismo. O empreendedorismo é, actualmente, mais do que criar empresas é um mindset, e isso é muito difícil de ensinar. Foi este o desafio que deu o mote à criação do programa “Learning to be” promovido pelo DEGEIT, cujo objectivo passa por promover o desenvolvimento de soft skills, como a criatividade, a pro-actividade e capacidade de liderança e de trabalho em equipa, através de uma estratégia ensino-aprendizagem inovadora. Ser uma boa professora é, pois, uma preocupação constante minha e, ainda, não tenho o ‘segredo’.

O que mais a fascina na profissão docente?

Esta é uma profissão muito desafiante, não só pela mutabilidade do conhecimento que obriga a uma actualização constante, mas também pelo potencial de impacto na vida dos nossos alunos.

Não há nada mais gratificante quando os alunos se identificam com o tema e a forma como leccionamos e, depois, como esta relação tem impacto nas suas escolhas profissionais futuras. Já me aconteceu várias vezes encontrar-me com ex-alunos que me disseram que, depois de concluírem os seus estudos, voltaram a pegar nos projectos desenvolvidos nas aulas e os implementaram. Isso são sempre situações agradáveis que revelam o propósito da minha missão como docente.

Para além disso, gosto de investigar e de escrever sobre coisas que me apaixonam como o empreendedorismo e a inovação, assim como o ensino do empreendedorismo.

Que grande conselho daria aos seus alunos?

Na última aula que lecciono em cada semestre, existe uma ideia que tento transmitir (e sublinhar) aos meus alunos: “vocês podem realizar qualquer objectivo a que se prepuserem se estiverem comprometidos com a vossa missão e a perseguirem com 100 por cento de paixão … qualquer coisa é possível! Não aceitem o status quo e procurem aprender em todas as situações/fases /circunstâncias da vida”.

Houve algum grupo de alunos que mais a tivesse marcado?

Eu sinto que aprendo sempre qualquer coisa com os meus alunos. Em especial, os meus alunos de mestrado e doutoramento têm tido uma grande influência na forma como lecciono e faço investigação. Todos têm deixado a sua marca!

Pode contar-nos um episódio curioso que se tenha passado em contexto de sala de aula?

Como as aulas de Empreendedorismo têm uma componente de desenvolvimento da criatividade, tenho tido várias experiências agradáveis quando os alunos utilizam jogos e dinâmicas de grupo. Estas iniciativas têm como objectivo desenvolver o pensamento criativo, mas também são divertidas e interactivas. Após uma dessas sessões, houve um aluno que me disse que a aula tinha sido terapêutica. Acho que, por norma, os docentes fazem pouco uso de uma ferramenta muito poderosa no ensino: o divertimento. Ou seja, a capacidade de criar uma atmosfera alegre e divertida na sala de aula e que motive e estimule o aluno.

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