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Entrevistas
Antiga aluna UA - Nádia Firmino Delgado, licenciada em Gestão e Planeamento em Turismo
Percurso crucial para o desenvolvimento do turismo em Cabo Verde
Nádia Firmino
Em 2004 Nádia Firmino Delgado formava-se na Universidade de Aveiro (UA) em Gestão e Planeamento em Turismo. A licenciatura, obtida no Departamento de Economia, Gestão, Engenharia Industrial e Turismo, permitiu-lhe dar os primeiros passos firmes que a levaram até à presidência do Conselho de Administração da Escola de Hotelaria e Turismo de Cabo Verde (EHTCV). Aos 34 anos, Nádia Firmino é uma das responsáveis pelo sucesso de uma instituição que tem acompanhado e apoiado a par e passo a forte expansão que o Turismo conheceu nos últimos anos em Cabo Verde.

Aos 18 anos concluiu o ensino secundário no país que a viu nascer, Cabo Verde. O destino próximo passaria então pelo ensino universitário em Portugal. Nádia Firmino apontou de imediato para a UA “porque na época [1999] era a única universidade portuguesa, pelo menos entre as que disponibilizavam vagas para estudantes cabo-verdianos, com um curso de Turismo com uma abrangência muito interessante, incluindo aspetos ligados com a Gestão”, uma área com que muito se identificava.

“Sabia que queria prosseguir na área da Gestão ou Economia, mas tinha também muita curiosidade pelo setor do Turismo”, recorda. Por isso, assim que viu a oferta do curso de Gestão e Planeamento em Turismo na UA não hesitou: “Foi a minha primeira opção e consegui”. Da UA recorda uma universidade que superou as expetativas “a todos os níveis”. Nádia Firmino garante que as competências que adquiriu, por exemplo, em gestão, sistemas informáticos, na aprendizagem dos fundamentos do turismo e nos idiomas que pôde na UA desenvolver foram fundamentais para o exercício da sua atividade.

E o que mais na UA marcou Nádia Firmino? “Foram tantos os momentos muito importantes e marcantes que tenho dificuldade em elencar apenas um. Foi uma época muito marcante da minha vida, pois foi a primeira vez que saí do meu país para viver no estrangeiro. Mas graças a Deus fui muito bem recebida e integrada, sobretudo pelos colegas”.

Caminho profissional exemplar

“Tenho um percurso profissional de que me orgulho, graças ao meu empenho, dedicação, espírito de equipa e respeito pelas pessoas, mas sobretudo, pela humildade com que encarei cada desafio e vontade de fazer sempre melhor”, confessa.

Depois de concluída a formação na UA regressou a casa. Começou a trabalhar em 2005 no Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) de Cabo Verde como técnica do Departamento de Emprego. Dois anos depois assumiu o cargo de diretora daquele departamento. “Na altura eu tinha apenas 27 anos e era uma das mais novas da Instituição”, lembra com orgulho.

Posteriormente foi diretora do Departamento de Formação do IEFP. “Identificava-me mais com esse departamento, onde tinha de coordenar a execução da política de formação profissional no país e, ao mesmo tempo, seguir todo o projeto de implementação da EHTCV”, um projeto que arrancou em 2006 e no qual Nádia Firmino passou a representar o IEFP.

“Desde então procurei orientar a minha carreira na linha da formação profissional específica para o setor da Hotelaria e Turismo”, afirma. E foi com esse intuito que concluiu um mestrado em Gestão Educativa – especialidade em gestão de instituição de formação profissional – no Instituto Superior de Ciências Económicas e Empresariais de Cabo Verde.

“Neste mesmo período tive a oportunidade de coordenar o projeto de desenvolvimento curricular na área de Hotelaria e Turismo e de apoiar a constituição do Departamento Académico e Pedagógico da EHTCV que abriu as portas em 2011”. Em 2013 regressou ao IEFP para apoiar o novo Conselho de Administração na redinamização do Departamento de Formação. Em março de 2014 foi convidada pelo Governo de Cabo Verde para assumir a presidência do Conselho de Administração da EHTCV, uma instituição transformada entretanto numa entidade pública empresarial.

Um mundo de oportunidades na EHTCV

Contatos e articulações permanentes entre alunos e formadores, empresas parceiras do sector da Hotelaria e Turismo, instituições de formação profissional e do ensino superior, clientes que procuram os serviços da EHTCV de restauração e alojamento e com o Governo, em particular com o Ministério da Juventude, fazem com que o dia a dia de Nádia Firmino seja tudo menos monótono.

“O meu trabalho, na qualidade de ‘gestora pública’ com responsabilidades de administrar uma instituição como a EHTCV, é bastante desafiante, absorvedor, mas ao mesmo tempo muito gratificante”, regozija-se a antiga estudante. De facto, Nádia Firmino tem ajudado a EHTCV a tornar-se na referência a nível nacional pelos resultados conseguidos na qualificação profissional de jovens e numa instituição que, ao mesmo tempo, “encerra em si uma grande complexidade em termos de gestão, por aliar a formação com atividades de prestação de serviços de restauração e alojamento hoteleiro”.

“O nosso trabalho e esforço refletem-se diretamente na melhoria das condições de vida das pessoas que procuram a EHTCV porque sabem que têm grandes possibilidades de ingressar no mercado de trabalho após a formação”, aponta.

A EHTCV tem por objetivo principal promover a difusão do conhecimento e o desenvolvimento de competências para o exercício de atividades profissionais e de excelência nas áreas da Hotelaria, Restauração e Turismo.

A instituição, lembra Nádia Firmino, nasceu “para colmatar as lacunas existentes no mercado turístico cabo-verdiano, que carece de mão de obra qualificada, e contribuir para a melhoria qualitativa da oferta turística no país”. Desde então, “a EHTCV vem consolidando o seu processo formativo, criando massa crítica para avaliar, adaptar e consolidar o produto formativo, tendo no quadro das ações de formação realizadas registado mais de 3 mil inscritos no período 2011-2015”.

Nota: este artigo foi publicado na edição número 24 da revista Linhas.

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