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Entrevistas
Antigo aluno UA - Daniel Soares, licenciado em Línguas e Relações Empresariais
Um criativo à conquista dos Estados Unidos da América
Daniel Soares
Nos Estados Unidos já criou campanhas publicitárias globais para marcas como a Jordan, a Beats by Dre e a Visa. Para esta última marca esteve mesmo envolvido na criação da respetiva campanha a pensar exclusivamente no Campeonato do Mundo de Futebol no Brasil. Chama-se Daniel Soares e em 2010 licenciou-se em Línguas e Relações Empresariais no Departamento de Línguas e Culturas (DLC) da Universidade de Aveiro (UA).

Aos 27 anos, Daniel Soares é diretor artístico na R/GA, uma agência internacional americana com sede em Nova Iorque, que cria publicidade e potencia a comercialização de produtos baseados em tecnologia e design, e que faz parte do Interpublic Group of Companies, uma das quatro empresas de publicidade de holding global.

“O meu percurso profissional tem sido o menos tradicional possível”, reconhece Daniel Soares. Comecemos então pelo seu primeiro emprego que conseguiu por dormir em frente a uma agência de publicidade, a portuguesa Torke, até ao ponto de ser contratado. “Para se começar a trabalhar como criativo numa agência de publicidade é preciso ter-se um portfólio com trabalhos criativos, mas na altura eu tinha acabado de me apaixonar por essa área e a única coisa que eu tinha era essa paixão e muita vontade de trabalhar lá. Foi isso que quis vender com essa ação”, recorda.

No final, não só consegui o emprego como a atenção da TVI que fez uma reportagem sobre a persistência de Daniel Soares. “Serve de demonstração de que boas ideias alinhadas com boa vontade te podem levar a qualquer lugar”, diz. Depois acumulou prémio atrás de prémio. Conquistou o palco internacional com vários trabalhos no festival de Cannes, Art Directors Club e New York Festivals, entre outros. E vários dos seus projetos pessoais foram publicados pelo Mashable, ABC News e a Fast Company.

Rumo ao mundo

Depois da Torke mudou-se para a Alemanha. “Lá comecei a trabalhar as contas da Nike, da Google e da Mercedes-Benz. Depois de dois anos surgiu a proposta da AKQA, dos escritórios de São Francisco, nos Estados Unidos, uma das melhores agências de publicidade digital do mundo que nasceu em Londres e integra, desde 2012, o grupo WPP. Audi, Delta Airlines, Montblanc, Nike e a WWF estão entre os clientes globais da empresa que tem escritórios espalhados pelas maiores cidades do planeta, como Amesterdão, Londres, Paris, Berlim, Washington, Atlanta, Portland, San Francisco, Nova Iorque, Tóquio ou Xangai.

“Agora, estou na R/GA de Los Angeles, uma agência full-service voltada para a era digital”. A agência nascida em 1977, que já produziu mais de quatro mil comerciais, mudou o respetivo modelo de negócio ao longo das últimas décadas até se transformar hoje numa provocativa empresa de inovação. Após dedicar-se ao desenvolvimento de produtos e software, a R/GA volta sua atenção para os anúncios comerciais a pensar na televisão. A empresa é hoje uma potência mundial no que à produção de publicidade diz respeito.

Na R/GA, eleita como uma das 10 empresas mais inovadoras do mundo pela Fast Company, Daniel Soares ajuda algumas das marcas mais reconhecidas no mundo a conectarem-se com os seus consumidores.

“Começamos com a pergunta: o que é que os consumidores querem? E desde aí seguimos o caminho a que essa resposta nos leva. As nossas soluções são baseadas em tecnologia e storytelling e construídas para clientes que estejam dispostos a soluções inesperadas”, desvenda.

“O meu dia-a-dia normalmente começa às 10 da manhã. Depois de passar pela praia de Venice de bicicleta começo a pensar em ideias com a minha dupla, a Carol. Em agências, normalmente, trabalha-se em duplas criativas. Um(a) diretor(a) de Arte e um(a) copywriter. Ambos passam 80 por cento do tempo a criar ideias em conjunto e depois o diretor de arte foca-se no design e visualização da ideia, enquanto que o copywriter se dedica à escrita”, explica.

“Basicamente pagam-me para ter ideias e fazer design. Duas das minhas grandes paixões. O lado ruim é que nunca se sabe quando as boas ideias surgem e, por isso, por vezes pode levar-te a ficar na agência até às tantas da madrugada. É sem dúvida uma profissão na qual só com muita paixão se consegue suceder (e sobreviver)”.

Ter orgulho no que se faz

A proximidade de casa e o bom nome que a UA conseguiu criar ao longo das últimas décadas trouxeram-no até ao Departamento de Línguas e Culturas sem saber muito bem o que queria fazer no futuro. Na verdade, só depois de ter ido para Granada (Espanha) em Erasmus é que Daniel Soares começou a delinear o seu caminho. “Encontrei um professor lá que me abriu os olhos para o mundo da criatividade. E desde aí nunca mais parei”, lembra.

Nesse sentido, o bom do curso de Línguas e Relações Empresariais do DLC da academia de Aveiro “é que serve de entrada para pessoas indecisas como eu na altura”. Porquê? “Porque abre muitas portas e fecha muito poucas. Se formos a ver hoje em dia sou mais artista do que empresário, mas o facto de eu ter experimentado todas essas áreas, levou-me a optar pela publicidade. O curso toca em mais de dez áreas diferentes, desde Línguas, Economia, Gestão, Marketing e muitas outras”. Por isso, aponta “a variedade como a vertente mais forte do curso de Línguas e Relações Empresariais”.

“Eu acho que o mais importante não é encontrar o curso certo, mas a paixão certa”, pensa. Por isso, Daniel Soares deixa um conselho aos estudantes da UA: “Seja qual for a tua decisão, vais trabalhar nela durante os próximo 40 anos. E estás sempre a tempo de mudar o rumo e começar de novo. Não é brincadeira. É importante acordarmos todos os dias e termos orgulho naquilo que fazemos. O resto é secundário”.

Nota: este artigo foi publicado na edição número 23 da revista Linhas.

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