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Doutor Honoris Causa elogiou antigos reitores da UA
UA distingue Adriano Moreira e assinala aniversário refletindo sobre desafio das universidades perante ameaças à “casa comum”
Adriano Moreira recebe as insígnias de Doutor Honoris Causa
“É um Universitário, um académico, um ‘scholar’, um humanista e uma personalidade de grande dimensão e que eu muito admiro, e que hoje é distinguido pela Universidade de Aveiro com o justíssimo grau de Doutor Honoris Causa”. Marçal Grilo, presidente do Conselho Geral da Universidade de Aveiro (UA) e padrinho do novo doutorando, caraterizava assim Adriano Moreira na comemoração do 42º aniversário da instituição. O galardoado discursou sobre o desafio das universidades num contexto de múltiplas ameaças à “casa comum” dos homens.

O Reitor da UA contextualizou o tema primordial da sessão com uma frase do distinguido com o título Honoris Causa: “Nesta permanente luta entre textos e a realidade, acontece que esta está a levar de vencida os projetos, exigindo uma enérgica e esclarecida intervenção universitária”. “ A estratégia do saber, um tema muito caro a Adriano Moreira e a Veiga Simão”, antigo ministro responsável pela criação das novas universidades em Portugal (incluindo a UA), “aparece hoje, claramente, como um fator decisivo à escala mundial; e como um fator de soberania e identidade nacionais. Era bom que o país não estivesse distraído!”, avisava o Reitor Manuel António Assunção.

“É na perspetiva de grande imprevisibilidade que temos hoje de trabalhar”, equacionando estratégias para “prosseguir no caminho do progresso e na construção de uma sociedade cujo desenvolvimento assenta no conhecimento científico, na inovação, na mudança, nas organizações e na capacidade dos recursos humanos”, afirmou Marçal Grilo.

“As perguntas sem resposta são inúmeras”, alertou Adriano Moreira que classificou como “ameaçador” o atual ambiente global, exigindo a voz da universidade “livre, criativa, responsável, carismática e ouvida”. Salientando a importância da “quarta dimensão da universidade” (título de um livro de Seabra Santos, ex-Reitor da Universidade de Coimbra), defendeu um caminho que deve conduzir, em última análise, para o restabelecimento “dos valores como eixo da roda para avanço da estratégia do saber não orientada para a supremacia das potências, mas para o reconhecimento de que cada homem é um fenómeno que não se repete na história da Humanidade e exige um efetivo respeito pelos Direitos Humanos”. “A Universidade de Aveiro vai nesse caminho”, assinalou Adriano Moreira. “A nossa esperança é que o poder da voz possa vencer a voz do poder”, concluiu.

O mais recente Doutor Honoris Causa pela UA “é hoje uma das poucas referências que o país tem”, caraterizava o padrinho do doutorando. “Foi sempre um homem do mundo, atento aos grandes acontecimentos e às grandes evoluções e mudanças que vão ocorrendo nos mais diversos pontos do globo e com capacidade de relacionamento absolutamente invulgar”. É respeitado, é credível e é escutado por muitos, sendo que nesta área talvez devesse ser mais escutado e seguido por muitos mais”, elogiava Marçal Grilo.

Adriano Moreira foi ministro do Ultramar, autor de reformas nas Ciências Sociais, recriou o antecessor do atual Instituto de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP – Universidade de Lisboa) e presidiu ao Conselho Nacional de Educação, para além de ter passado pela vida política ativa e partidária.

“Este é um caso em que o distinguido homenageia mais quem lhe atribui a distinção do que vice-versa”, comentou o Reitor da UA.

No início do seu discurso o novo doutorado elogiou o desempenho de dois antigos Reitores da UA: Júlio Pedrosa, enquanto antigo presidente do Conselho Nacional de Educação, e Helena Nazaré, pelo trabalho que realizou como presidente da Associação Europeia de Universidades. 

Balanço de um ano positivo mas com preocupações

Entre os vários sucessos da UA ao longo do ano académico, Manuel António Assunção, incluiu a o resultado positivo da UA no encerramento das contas, pelo sexto ano consecutivo; a continuação da boa posição da UA nos rankings internacionais; a melhoria do grau de internacionalização e a inauguração do Instituto Confúcio da UA, a conclusão do ECOMARE – instalações dedicadas à pesquisa, cooperação e à divulgação científica no domínio do mar – o términus da reabilitação da Biblioteca e a finalização próxima da extensão do Departamento de Comunicação e Arte. O Reitor, entre outros factos, recordou a distinção da antiga Reitora da UA, Helena Nazaré, pelo Presidente da República, com a Grã-Cruz da Instrução Pública, a recomposição do Conselho de Curadores da UA proposta à tutela e a criação recente da Comissão de Trabalhadores.

Aproveitando a presença dos reitores de outras universidade portuguesas que estiveram reunidos, durante a manhã, em Conselho de Reitores, o líder da equipa reitoral não esqueceu algumas preocupações: “Vejo com alguma perplexidade o anúncio, pelo novo Ministro da tutela, de uma avaliação ao sistema. Ainda não há muito, houve um exercício levado a cabo pela EUA - Associação das Universidades Europeias, aliás a pedido do CRUP. Decorre atualmente um estudo de iniciativa da Gulbenkian. Valorizar a importância da avaliação mas ignorar os resultados existentes não me parece muito coerente. (...) Mas é verdade que há situações que necessitam de uma transformação profunda: a prática da FCT de desrespeito pelas universidades, que acolhem e pagam os salários da esmagadora maioria dos investigadores da rede, é uma dessas coisas a alterar radicalmente”.

André Reis deixa AAUAv e ouve elogios do Reitor

O Reitor deixou ainda um agradecimento público pela ação e atitude de André Reis que teve nesta sessão o seu último ato público como presidente da Associação Académica da UA (AAUAv).

O ainda presidente da AAUAv elogiou a escolha para atribuição do mais recente Doutoramento Honoris Causa: “Uma excelente decisão por representar da melhor forma uma exaltação necessária aos valores profundos do nosso Ensino Superior”.

Por outro lado, deixou clara a sua posição sobre o programa do novo governo. “Na globalidade do documento que nos foi apresentado, o movimento associativo estudantil revê muitas medidas que vão ao encontro das suas propostas para o Ensino Superior, assumindo, no entanto, que se verifica a falta de concretização das propostas que deverão ser desenvolvidas ao longo da atual Legislatura. Devemos ser frontais o suficiente para afirmarmos convictamente que este é um bom Programa de Governo para área do Ensino Superior e da Ciência, mas vamos estar atentos”.

No final, apelou aos próximos líderes estudantis da Academia Aveirense: “Sejamos por isso audazes. Continuemos a afirmar a UA como a melhor Universidade do País, onde se formam os melhores profissionais e os melhores cidadãos. Continuemos a fortalecer a nossa relação entre a cidade e a região de Aveiro. Continuemos a promover a nossa Universidade junto do tecido empresarial e a captar os melhores”.

A sessão, para além de assinalar o 42º aniversário da UA e distinguir Adriano Moreira com o doutoramento Honoris Causa, incluiu ainda a entrega de prémios e bolsas aos melhores alunos, a inauguração da galeria dos doutores Honoris Causa da UA, nas paredes da Sala de Atos, edifício da Reitoria, e ainda uma visita guiada à exposição "Agricultura Lusitana". À noite, na Igreja Matriz de Ílhavo, decorreu o concerto de aniversário e Natal, pela Orquestra Filarmonia das Beiras, dirigida pelo maestro António Vassalo Lourenço.

As fotos da sessão podem ser visualizadas através do link: 

https://goo.gl/photos/Js9v64EYJJoh1RKMA

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