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Entrevistas
Catarina Correia recebe Prémio UA/CGD em dia de aniversário da academia
Melhor licenciada da UA tem média de 19 em Bioquímica
A estudante de Bioquímica Catarina Correia
Concluiu a licenciatura em Bioquímica com a média de 19 valores. A nota faz de Catarina Correia a melhor licenciada da Universidade de Aveiro (UA) no ano letivo 2014/2015 e, por isso, a grande vencedora do Prémio UA/Caixa Geral de Depósitos no valor de 5 mil euros. “Sempre me ensinaram que a importância de ter boas notas era manter a possibilidade de escolha”, aponta a atual estudante do Mestrado em Bioquímica, no ramo de especialização em Bioquímica Clínica. Se o Prémio vai ser entregue dia 15 de dezembro, durante a cerimónia do 42º aniversário da UA, o futuro, com todas as possibilidades de escolha intactas, chegará com certeza ao ritmo do enorme trabalho e da invulgar persistência de quem um dia quis fazer magia.

Natural de Alcobaça, Catarina Correia tem 21 anos e chegou à UA em 2012. Durante a sessão comemorativa do aniversário da academia de Aveiro, Catarina Correia será um dos 75 estudantes da UA a receber prémios ou bolsas de mérito em reconhecimento pelo respetivo sucesso académico. Patrocinados por cerca de 20 empresas e instituições parceiras da academia de Aveiro as distinções pretendem sublinhar a importância que a academia aponta ao mérito e ao sucesso nos estudos.

Perante a excelente média que alcançou no final da licenciatura, não há como fugir à pergunta óbvia: Qual foi o segredo para atingir o 19?

Não sei se há propriamente um segredo. É algo que depende da forma de trabalhar de cada um. Em todo o meu percurso académico, tive sempre boas notas em todas as áreas (à exceção de Educação Física), apesar de ter um método de estudo diferente para cada uma delas. Há disciplinas que exigem um acompanhamento contínuo ao longo do semestre, enquanto outras requerem períodos de trabalho de grande intensidade, mas de forma mais espaçada. Procuro sempre dar o meu melhor em tudo o que faço, independentemente de gostar mais ou menos do assunto tratado, mas nem sempre as coisas me saem como eu quero logo à primeira. Por isso, diria que o meu principal segredo foi a persistência, saber quando não desistir. Fui muitas vezes fazer melhoria a notas que já eram consideradas muito boas, mas às quais eu sabia que podia ter dado mais de mim e feito melhor. Muitas pessoas nem tentariam melhorar um 18, por acharem que não era possível ter melhor. No entanto, eu sempre fui muito exigente e competitiva comigo própria, o que me levou a tentar fazer mais e melhor. O facto de ter muito apoio em casa também foi fundamental para isso, sempre me transmitiram muita confiança nas minhas capacidades.

O que queria ser quando era criança?

A profissão que eu tinha como sonho de infância não era muito comum: até ao meu 6º ano, eu queria ser mágica, e o meu modelo em Portugal era o Luís de Matos. Depois, ao entrar no 3º Ciclo, descobri uma certa inclinação para as Ciências e, durante o 7º ano, pensei em seguir pela via da Astronomia ou da Matemática.

E a Bioquímica? Quando apareceu essa vontade de seguir por aí?

O interesse pela Química, mais inicialmente, e pela Bioquímica surgiu durante o 8º ano, muito por culpa do meu professor de Ciências Físico-Químicas do 3º Ciclo. Foi ele quem, através das suas aulas e ao propor-me a participação nas Olimpíadas de Química Júnior, me apresentou a este mundo. Ganhei o gosto pela Química e pela experimentação ao longo de 5 anos de participação em Olimpíadas nacionais e internacionais, com a minha equipa. Aproveito então aqui para, finalmente, deixar o meu agradecimento sincero ao professor Desidério Pires por me ter transmitido a sua grande paixão pela Química. Também li muitas biografias de grandes figuras da Ciência, e o meu modelo passou a ser Marie Curie. Depois, surgiu a descoberta da Bioquímica, quando comecei a explorar também a área da Biologia, ao participar nas Olimpíadas Europeias da Ciência. E percebi que gostava mais do estudo da Química no contexto do funcionamento dos sistemas biológicos.

Durante o curso teve formação em Bioquímica, Química, Biologia, Matemática, Biologia Celular e Genética. São supostamente áreas onde atingir boas notas é mais difícil ou, no caso da Catarina, nem por isso?

Eu sempre tive facilidade em apreender os conceitos dados nas aulas, e portanto nunca senti muita dificuldade em atingir as boas notas a que me habituei. No entanto, claro que houve disciplinas em que tive de me empenhar mais do que noutras, como é o caso da Física. De uma forma geral, as disciplinas que pertencem às áreas em que tenho mais interesse foram aquelas em que senti mais motivação e facilidade em estudar, apesar de acabarem por me dar mais trabalho, porque tentava sempre expandir a partir do que era falado nas aulas. Por outro lado, e mais surpreendentemente, algumas das disciplinas de que menos gostava ou em que sentia mais dificuldade foram aquelas em que acabei por ter melhores notas, por saber que tinha de me esforçar mais para conseguir chegar ao mesmo patamar.

Porque é que escolheu este curso e com que expectativas chegou à UA?

Além das razões que me levaram a interessar-me pela Bioquímica, as quais já abordei, escolhi este curso por ser bastante abrangente e considerar que me forneceria as bases necessárias para estudar uma grande variedade de temas que me interessavam na altura, tais como Oncologia, Neurociência ou Genética. Escolhi especificamente a Licenciatura em Bioquímica da UA devido à qualidade do seu plano de estudos, que possui disciplinas de várias áreas de base, mas também permite explorar as várias aplicações que podemos seguir num ciclo de estudos mais avançado. Penso que não tinha grandes expectativas quando vim para a UA, a não ser manter-me entre as melhores notas do meu ano e curso, por forma a manter todas as minhas opções em aberto, e permitir a concretização dos meus objetivos a longo prazo. Sempre me ensinaram que a importância de ter boas notas era manter a possibilidade de escolha.

O que é que a atraía nesta área?

A Bioquímica atraía-me muito por ser uma área com uma grande componente experimental, e ter na sua base os princípios fundamentais da Química. Interessava-me muito pelo estudo das doenças, mas nunca quis estudar Medicina, porque sabia que a minha personalidade não era indicada para exercer. Por isso, a Bioquímica afigurou-se como um caminho que me permitiria averiguar os mecanismos fundamentais das doenças e, possivelmente, descobrir a cura para uma delas. Quis, então, seguir a via da investigação médica.

E hoje? O que a atrai?

De uma forma geral, continuo a olhar a Bioquímica da mesma forma. Afastei-me de alguns interesses, como a Genética pura, mas reforcei outros, como a investigação em Neurociência ou na área do Cancro, até devido a circunstâncias pessoais que me afetaram de forma bastante próxima. A vertente mais prática, de investigação, continua a ser a que mais me motiva, e sei que é isso que quero para o meu futuro. Mal posso esperar pelo próximo ano, de tese, que poderei passar inteiramente em ambiente de laboratório!

Três anos volvidos, concretizou essas expectativas?

Penso que não só as concretizei, como ainda as superei! Nunca pensei que fosse possível chegar a este nível. Na Escola Secundária, os professores diziam sempre que a Universidade era “outro campeonato”, que era muito mais difícil e que ninguém tinha notas tão altas como quando saía dali. A verdade é que, por isso, baixei um pouco as minhas expectativas, e pensei que não teria notas muito superiores a 16 ou 17. Quando vi a primeira pauta do primeiro teste que fiz, e tive um 18, fiquei bastante surpreendida, principalmente porque tinha havido notas ainda mais altas e porque era uma disciplina a que eu tinha dificuldade, Física Geral! Não senti nada daquilo com que nos tinham assustado no ano anterior, e sinto que estou no caminho certo para atingir os meus objetivos.

Concluída que está a licenciatura, que passo se segue agora?

Neste momento, estou a frequentar o Mestrado em Bioquímica, no ramo de especialização em Bioquímica Clínica. Estou a pensar em fazer o próximo ano, de tese, em Erasmus. Penso que será importante para alargar os meus horizontes, nomeadamente no que toca à forma de fazer Ciência no resto da Europa. Sei que os métodos de investigação aplicados nos países com mais recursos têm algumas diferenças, principalmente como resultado dessa maior facilidade de financiamento. Também é uma forma de tentar abrir mais portas ao meu futuro, uma vez que depois gostaria de prosseguir para um doutoramento de maneira a possibilitar uma carreira na investigação, a qual sei que será muito complicada de conseguir neste país. Tenho noção de que o meu futuro passará, muito provavelmente, por sair de Portugal e gostaria de tentar a minha sorte numa universidade de topo em Inglaterra.

E a pensar no futuro, se pudesse escolher três desejos ao ‘génio da lâmpada’ da Bioquímica, que lhe pediria?

Ao nível da Ciência e, em particular, da investigação em Portugal, gostaria que houvesse mais investimento nos jovens cientistas que saem das universidades portuguesas, criando-se mais oportunidades para que estes não sejam obrigados a procurá-las noutros locais. Em relação ao estado atual da Bioquímica, gostaria que esta começasse a ser vista pela população como a área promissora que é, com potencial para gerar descobertas de grande impacto social, sendo neste momento uma área com enorme importância na atribuição de prémios Nobel, tanto de Medicina como de Química. A nível pessoal, gostaria de ter a certeza de que consigo ter uma bolsa de doutoramento e seguir pela via da investigação médica, como tenho sonhado.

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