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Opinião
Opinião de Alfredo Rocha, investigador do Departamento de Física e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar
A Ciência das Alterações Climáticas – A Conferência de Paris… e depois?
O investigador Alfredo Rocha
Alfredo Rocha, especialista em Climatologia da Universidade de Aveiro, explica o que está em causa na Conferência sobre Alterações Climáticas das Nações Unidas, que decorre em Paris, e deixa uma certeza: “a concentração atmosférica de gases com efeito de estufa irá aumentar durante as próximas décadas e alterações climáticas ir-se-ão fazer sentir durante um período mais longo”. O mal está feito mas, garante, as nossas ações imediatas poderão atenuar a tendência.

A Conferência sobre Alterações Climáticas das Nações Unidas 2015 (COP21) decorre entre 30 de novembro e 11 de dezembro de 2015 em Paris. O principal objetivo desta conferência é chegar a um acordo internacional sobre a redução de emissões de gases com efeito de estufa a implementar até 2020 com o fim de limitar a +2ºC o aumento da temperatura média global à superfície da Terra em 2100 relativamente ao seu valor na era pré-industrial.

Este limite representa um valor acima do qual ocorrerão alterações irreversíveis no ambiente e uma dependência maior e longa de tecnologias de mitigação como a bioenergia e a captura/armazenamento de carbono. Convém recordar que, atualmente, a temperatura já aumentou 1ºC relativamente à era pré-industrial. Pouco antes desta conferência, 146 países apresentaram propostas de redução de emissões que, feitos os cálculos, limitam o aumento de temperatura a +2.7ºC valor superior ao pretendido. Espera-se que negociações de última hora consigam reduzir este valor para os +2.0ºC. Muitas das propostas de países mais pobres requerem financiamentos externos consideráveis para se atingirem os objetivos.

O ciclo de produção/destruição de gases com efeito de estufa é complexo e envolve contribuições naturais e humanas. Vários processos de retroacção entre as várias componentes do sistema climático resultam numa relação não linear entre as emissões de gases com efeito de estufa de origem humana, a concentração desses gases na atmosfera e a consequente variação da temperatura do ar próximo da superfície da Terra (e outras alterações climáticas). A resposta da temperatura a alterações das emissões também não é imediata mas sim retardada.

Desta forma, a alteração climática que se observa actualmente não resulta das emissões actuais mas sim do histórico recente de emissões, sobretudo desde o início da revolução industrial. Conclusão: ‘o mal está feito’! Independentemente das nossas acções actuais no sentido de reduzir (realisticamente) emissões, a concentração atmosférica de gases com efeito de estufa irá aumentar durante as próximas décadas e alterações climáticas ir-se-ão fazer sentir durante um período mais longo. As nossas acções imediatas poderão, sim, atenuar essas tendências e invertê-las num horizonte temporal menor do que o previsto se nada for feito mas que, mesmo assim, será de muitas décadas.

O conhecimento científico atual representado nos atuais modelos matemáticos do Sistema Climático, que são o único instrumento utilizado para estimar alterações climáticas futuras, não é completo. Há fenómenos que são representados de forma aproximada e outros que não estão representados por desconhecimento científico. Infelizmente, a inovação científica incluída recentemente nestes modelos têm-se traduzido em simulações de cenários climáticos futuros ainda mais gravosos do que os inicialmente previstos. Por exemplo, em Outubro passado foi descoberto que o permafrost (solo permanentemente gelado) sobretudo no Ártico está a aquecer a uma taxa muito superior ao previsto inicialmente colocando em exposição o solo que liberta quantidades consideráveis de metano, um gás com efeito de estufa.

As medidas de adaptação e mitigação de alterações climáticas assentam em conhecimento científico fundamental sobre os fenómenos que ocorrem no Sistema Climático.

Um artigo recente na revista ‘Nature’ refere a grande necessidade de atrair físicos e matemáticos talentosos para ajudar a resolver mistérios cruciais na simulação do clima e, potencialmente, salvar o planeta.

Ciências do Clima no Departamento de Física

O Departamento de Física oferece os seguintes cursos que abordam os fundamentos científicos das Ciências do Clima, nomeadamente:

A licenciatura em Meteorologia, Oceanografia e Geofísica

O mestrado em Meteorologia e Oceanografia Física

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