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Entrevistas
Celso Guedes de Carvalho, diretor geral da IEUA, faz balanço da Incubadora da Região
IERA: 30 ideias de negócio e 70 empresas instaladas
O diretor geral da Incubadora da UA tem vindo a ajudar na coordenação da IERA
O evento “IERA – Impacto gerado, oportunidades e desafios 2020”, a 30 de junho, constitui um momento de reflexão sobre os impactos que a Incubadora de Empresas da Região de Aveiro (IERA) tem gerado na região e um debate sobre oportunidades e desafios no âmbito dos programas operacionais Portugal 2020. Celso Guedes de Carvalho, diretor geral da Incubadora de Empresas da Universidade de Aveiro (IEUA) que tem liderado, em nome da Universidade de Aveiro, a operacionalização de grande parte das atividades da IERA, fala em 200 ações de fomento e apoio ao empreendedorismo e criação de empresas, desde 2013, no surgimento de mais de 50 ideias de negócio e no apoio direto à internacionalização de 18 empresas. Mas também na criação de um total superior a 300 postos de trabalho diretos.

Como surgiu a ideia de criar uma incubadora regional em rede?

A compreensão da importância do empreendedorismo para o desenvolvimento da Região de Aveiro não é uma questão recente. Encontrava-se já bem patente na diversidade de entidades e iniciativas desenvolvidas no âmbito do fomento e apoio ao empreendedorismo um pouco por todo o nosso território. Os Municípios da Região de Aveiro, quer de forma individualizada, quer através da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA), bem como a Associação Industrial do Distrito de Aveiro (AIDA) e a Universidade de Aveiro (UA), têm já um longo historial de investimento na promoção e dinamização do empreendedorismo na Região de Aveiro.

A criação da IERA surge assim da necessidade de se potenciar economicamente as estratégias territoriais de desenvolvimento dos Municípios, nomeadamente da definição e articulação de ações diferenciadoras e qualificadoras de apoio ao empreendedorismo e à inovação. Em seguida, surgiu a necessidade de se viabilizar a criação das condições para a operacionalização da IERA, na componente de promoção e dinamização do empreendedorismo e da inovação social e no apoio à pré-incubação das ideias de negócio, tendo sido criada a Plataforma para Apoio e Valorização do Empreendedorismo e da Inovação (PAVEI), operação inserida no Programa Estratégico da RUCI e candidatada, ao abrigo do Regulamento Específico das Redes Urbanas para a Competitividade e Inovação, ao Programa MaisCentro.

Porquê e quais as vantagens de criar uma incubadora regional em rede?

O facto de se tratar de uma “incubadora única”, permite a máxima rentabilização dos recursos disponíveis na UA e nos Municípios aderentes, com o menor esforço financeiro possível no apoio e capacitação dos empreendedores com o objetivo de apoiar a criação de novas ideias de negócio e novas empresas capazes de alavancarem o desenvolvimento económico, através da utilização dos recursos endógenos da Região e do conhecimento científico da UA.

Os polos IERA, ao beneficiarem de uma estratégia comum e de uma oferta integrada de equipamentos e de serviços, permitem diminuir as assimetrias existentes no território pelo facto de ser disponibilizada aos empreendedores uma matriz comum de espaços e de serviços de apoio à criação de empresas. Estes espaços são, no entanto, ajustados às necessidades dos Municípios num processo que permite incorporar especificidades e recursos de cada Município resultantes das dinâmicas de empreendedorismo municipal, incluindo a vertente de inovação social.

A IERA visa ainda reforçar a articulação, numa base territorial alargada, entre as empresas, as associações empresariais, a Universidade de Aveiro e outras entidades orientadas para o desenvolvimento regional, incrementando o funcionamento colaborativo e a criação de um modelo de trabalho em rede, bem como promovendo a participação dos Municípios em ações concertadas de desenvolvimento regional, incluindo projetos de índole nacional ou internacional.

Existem 12 polos da incubadora em rede. Há especializações em cada polo. Quais são essas especializações?

Em termos de infraestruturas, a IERA é hoje uma incubadora única, constituída por 12 espaços de incubação (polos), 11 dos quais já em funcionamento, nos Municípios da Região de Aveiro e na Universidade, com uma estratégia e serviços comuns, em agregação voluntária e colaborativa, geridos de forma autónoma pelos Municípios e apoiados pelo conhecimento e experiência de incubação da Universidade de Aveiro.

O ritmo da implementação de cada um dos polos tem sido condicionado pelos constrangimentos e recursos de cada um dos onze Municípios da Região de Aveiro, sendo visível a heterogeneidade dessas infra-estruturas do ponto de vista de dimensões, características, valências e data de entrada em funcionamento.

Cada polo define a sua estratégia e o seu posicionamento. Por exemplo, o polo de Ílhavo tem como propósito a promoção e o acompanhamento de ideias e projetos inovadores nas áreas da Economia do Mar e Gestão Marítima e o polo de Sever do Vouga uma forte aposta no setor agroalimentar e florestal.

Há quanto tempo funciona a IERA? Que impactos na economia regional já podem ser identificados?

Podemos estabelecer uma relação direta entre o início da operacionalização da IERA e a candidatura PAVEI, dado que foi esta que permitiu dotar esta parceria dos meios financeiros necessários para a sua dinamização. Neste âmbito, foi realizada em janeiro de 2013 uma reunião entre os parceiros IERA com o objetivo de ser consensualizado o conceito IERA e a proposta de ações a inserir na candidatura ao Programa Operacional Regional do Centro, criando assim as condições necessárias ao início da implementação da IERA.

Desde 2013 foram realizadas mais de 200 ações de fomento e apoio ao empreendedorismo e criação de empresas, que envolveram já mais de 5000 participantes, e que resultaram, entre outros, no surgimento de mais de 50 ideias de negócio e no apoio direto à internacionalização de 18 empresas.

Todo o trabalho que tem sido desenvolvido no âmbito da IERA permitiu a criação de referenciais de trabalho em rede que foram determinantes para a concretização de diversas iniciativas, tendo a implementação das diversas ações contado com o envolvimento dos onze Municípios da Região de Aveiro, da CIRA e da UA, e tendo por base a realidade e o histórico de experiência de cada parceiro.

Quantos postos de trabalho criados?

As 30 ideias de negócio e as 70 empresas instaladas nos polos IERA representam hoje mais de 300 postos de trabalho diretos.

A IERA não tem uma estrutura administrativa claramente definida. Isso não dificulta o dia-a-dia e a sua gestão?

As diversas iniciativas desenvolvidas no âmbito da IERA resultaram de um processo colaborativo com alinhamento político, institucional e organizacional, sendo de realçar a incessante procura da divisão equitativa dos escassos recursos existentes, num envolvimento empenhado de todos os parceiros, o que potenciou a criação de um contexto favorável ao empreendedorismo e à inovação na Região de Aveiro. A não existência de uma estrutura formal foi uma opção estratégica assumida, verificando-se, agora, que no quadro do horizonte 2020, esta opção poderá ter de ser repensada. Contudo convém referir que a ausência dessa “estrutura administrativa” não foi impeditiva da concretização da ambição e das atividades definidas.

Quais vão ser os próximos passos da IERA? Que futuro se imagina para esta estrutura?

A Região de Aveiro assumiu a aposta no conhecimento e no empreendedorismo qualificado e inovador, tanto do ponto de vista estratégico, como na definição das políticas públicas e da articulação entre os diversos agentes do território.

O futuro Programa Região de Aveiro Empreendedora, que se encontra em elaboração pela CIRA, pela UA e pelas Associações Empresariais da Região de Aveiro, possibilitará a criação de condições para a consolidação e implementação de uma Política Intermunicipal de Promoção do Empreendedorismo e da Inovação Social. Esta parceria estratégica e a experiência no desenvolvimento de um projeto comum como a IERA, num território diverso e plural como a Região de Aveiro, representará uma mais-valia face a outras regiões, no atual contexto de oportunidades e desafios que se colocam no novo quadro de financiamento Portugal 2020. De referir ainda que a IERA ganhará agora novos contornos e dinâmicas, que urge explorar, no quadro do Parque de Ciência e Inovação (Creative Science Park- Aveiro Region) que se encontra em construção.

Que papel teve a IEUA na criação e evolução da IERA?

O conhecimento científico e tecnológico da UA e a sua larga experiência nos domínios do empreendedorismo e da inovação, nomeadamente através da Incubadora de Empresas (IEUA) e da Unidade de Apoio à Transferência de Tecnologia (UATEC), foram determinantes para o reforço da IERA e para a sua consolidação no território.

Na sua cooperação com a Região, a UA disponibilizou os seus múltiplos saberes e respetivo portfólio de competências, colocando-os ao serviço das comunidades locais, em articulação com os dinamizadores de cada um dos espaços de incubação, e de acordo com o modelo de governação definido, tendo sido responsável, direta ou indiretamente, pela operacionalização de grande parte das iniciativas desenvolvidas no âmbito da IERA.

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