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Investigação
Estudo do DBio e do CESAM mostra mentalidades da população local quanto à onça-pintada
Bióloga da UA contribui para a conservação da onça-pintada no Brasil
Onça-pintada fotografada no Pantanal
As perceções que a população ribeirinha do Rio Paraguai, situado no Pantanal (Brasil), tem em relação à onça-pintada são diferentes das dos fazendeiros locais, pois se estes estão mais preocupados com os prejuízos que esta espécie pode causar através da predação do gado, e com isso as consequentes perdas económicas, os primeiros estão mais preocupados com a sua própria segurança, pois vêm o animal como “perigoso” para a vida humana. Esta é uma das principais conclusões da investigação de Grasiela Porfírio, recém doutorada pelo Departamento de Biologia (DBIO) e pelo Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da Universidade de Aveiro (UA).

“O estudo procurou avaliar a perceção da população ribeirinha ao longo do Rio Paraguai em relação à onça-pintada, que é considerada o maior felino das Américas”, explica Grasiela Porfírio cujo trabalho foi desenvolvido no âmbito do programa Doutoral em Biologia, Ramo ecologia, Biodiversidade e Gestão de Ecossistemas, sob orientação de Carlos Fonseca e coorientação de Pedro Sarmento, ambos biólogos do DBio. O trabalho da bióloga foi desenvolvido no bioma Pantanal, ao longo do Rio Paraguai em 2011.

Sendo que a pecuária extensiva é a principal atividade económica realizada ao longo da planície pantaneira, a maior parte dos estudos realizados até agora sobre forma como a onça-pintada é vista pelos locais estavam relacionados apenas com as perceções dos fazendeiros, que, aponta Grasiela Porfírio,“geralmente percebem esse animal de maneira negativa, devido aos prejuízos causados pela predação do gado”.

A onça-pintada é uma espécie considerada “Quase Ameaçada” pela International Union for Conservation of Nature e no Brasil a espécie é considerada pelo Ministério do Meio Ambiente como Vulnerável.

“A rápida conversão de habitats, a caça como resposta retaliatória à predação do gado, e potencialmente, a falta de conhecimento sobre o papel ecológico da espécie, são os principais fatores que influenciam a conservação da onça-pintada no Pantanal do Brasil”, explica a investigadora.  

Desmistificar imagem negativa sobre a onça

Havendo poucas informações disponíveis sobre as perceções da onça-pintada por outros habitantes do Pantanal, particularmente pelos ribeirinhos que vivem ao longo dos rios, cuja atividade principal é a pesca profissional e recreativa, Grasiela Porfírio usou questionários semi-estruturados para entrevistar 50 habitantes das margens do Rio Paraguai. O objetivo das entrevistas consistiu em avaliar a a forma como estes percecionam o animal e investigar a influência da educação e da idade sobre tais perceções em comparação com a população local de propriedades rurais do Pantanal e de outros biomas brasileiros. 

''Perigosa'' foi a perceção predominante. “Constatámos que as perceções negativas sobre as onças estão relacionadas com a segurança das pessoas e não às perdas económicas causadas pela predação do gado”, conclui a bióloga.

“Através dos resultados obtidos no estudo propomos programas de educação ambiental, o ecoturismo e medidas de manejo para prevenção de ataques aos rebanhos domésticos como alternativas para melhorar a relação entre os ribeirinhos e a onça-pintada no Pantanal”, aponta Grasiela Porfírio.  

O estudo pode ser visto em www.journals.cambridge.org/orx/jaguar e em http://ow.ly/A3mEC.

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