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Parcerias em perspetiva
Ministros de Portugal e Brasil na UA para impulsionar aquacultura e parcerias do mar
ministros de Portugal e Brasil debatem aquacultura
As novas oportunidades para investir na aquacultura e o longo caminho que há para percorrer nesta área dominaram o seminário “Aquacultura e Pescas, Oportunidades de Negócio, Portugal-Brasil”, dia 25 de novembro, com a presença de governantes, nomeadamente os dois ministros de Portugal e Brasil que tutelam o sector, para além de entidades oficiais, investigadores e empresários. A ministra Assunção Cristas, recordou à assistência brasileira a porta de entrada para um mercado de 500 milhões de habitantes que Portugal pode constituir.

Apesar de um português consumir, em média, o triplo do peixe consumido por um outro europeu e dos pescadores em Portugal pescarem sensivelmente o mesmo que a média dos países europeus, sublinhava a ministra da Agricultura e do Mar, a verdade é que a diferença entre o que se consome proveniente da pesca e o que se consome com origem na aquacultura é de 97 para 3. Na Europa essa diferença é, em média, de 70, para o que provém da pesca, e de 30, para o que provém da aquacultura. No mundo, a proporção é de 50 para 50.

Há portanto, desafia a ministra Assunção Cristas, muito caminho para percorrer no sector da aquacultura em Portugal, tanto mais que as possibilidades de pesca estão sujeitas a negociações difíceis para distribuição de quotas entre países, embora, acrescenta a ministra, Portugal tenha conseguido aumentar as suas quotas nos dois últimos anos e tente aproveitar as poucas oportunidades que surgem neste sector.

A governante referiu as novas condições existentes em Portugal para apoio ao investimento, nomeadamente a recém reprogramação do PROMAR para projetos de aquacultura, às quais não será estranha a entrada de 13 projetos com investimento previsto de 18 milhões de euros, entre 24 de agosto e 30 de setembro, no Algarve. Por outro lado, está em discussão na Assembleia da República a proposta de Lei de Bases do Ordenamento Marítimo que, se aprovada, enquadrará a concessão de zonas para aquacultura com licenciamento preparado e questões ambientais incorporadas, ou seja, oportunidades “chave na mão”.

O Brasil, considera Assunção Cristas, tem boa experiência em aquacultura e pode vir a ser um bom parceiro de Portugal, sendo o nosso país uma potencial porta de entrada para um mercado de 500 milhões de europeus.

"Uma aposta certa!"

O ministro das Pescas e Aquicultura do Brasil, Marcelo Crivella, recordou que é a aquacultura e não a pesca que tem vindo a crescer no Brasil. Este país da América do Sul ultrapassou uma situação parecida com a de Portugal, ou seja, com apenas 10% do consumido produzido em aquacultura, há mais de 20 anos. Hoje, a aquacultura brasileira representa 1,2 milhões de toneladas, enquanto a pesca permanece nos 7 milhões de toneladas.

Por outro lado, acrescenta o governante, não há nenhum outro país no mundo com um horizonte de expansão da aquacultura como o Brasil. A classe média tem vindo a adquirir maior poder de compra, com o respetivo aumento do consumo de peixe, existe licenciamento simplificado dos investimentos nas cerca de mil barragens hidroelétricas que o brasil tem, mais os 8 mil quilómetros de litoral. Mesmo assim, para Marcelo Crivella, o Brasil está muito aquém das suas potencialidades de produção de peixe. “Na aquacultura, o Brasil é uma aposta certa!”, conclui o governante.

O seminário “Aquacultura e Pescas, Oportunidades de Negócio, Portugal-Brasil” decorreu no dia 25 de novembro, no Auditório da Reitoria da Universidade de Aveiro, mas incluiu, para além do dia de debate aberto aos agentes económicos, dois dias de visitas técnicas da delegação brasileira a empresas da região, a 23 e 26.

Perspetivam-se, na sequência deste encontro, parcerias que envolvem, entre outras vertentes, tecnologia de ponta usada por empresas da região de Aveiro no sector da aquacultura e pescas e também novos investimentos para a região. No caso concreto da Universidade de Aveiro (UA), espera-se o reforço do trabalho em rede, segundo Amadeu Soares, diretor do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro e organizador, pela UA, do encontro, e ainda o incremento da colaboração já existente ao nível da formação, investigação e ligação às empresas, que incluem, por exemplo, a aplicação de "know how" da UA no estudo do cultivo de espécies brasileiras ainda não usadas em aquacultura, de espécies ornamentais e de iscos vivos.

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